ESSa - Capítulos de Livros
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- Iatrogenia associada à polimedicação na pessoa idosaPublication . Cruz, João Ricardo Miranda da; Cruz , Manuel Alexandre Miranda da; Gomes, Solange Marisa Lage; Magalhães, Carlos PiresO processo natural de envelhecimento reporta uma continua demanda de cuidados de saúde à pessoa idosa, decorrentes das alterações fisiológicas que ocorrem no decurso dos anos. O evento de processos patológicos em virtude dessas alterações surge como uma realidade expetável, em que o recurso às intervenções farmacológicas e a consequente prática reiterada de vários fármacos, pertencentes a múltiplos grupos farmacoterapêuticos, são uma realidade constante no tratamento face à multimorbilidade na pessoa idosa (Piccoliori et al., 2021). Para Ribeiro (2014), uma prevalência tão elevada respeitante às doenças crónicas e sua sintomatologia, nas pessoas com mais de 65 anos, conduz a que esta faixa etária da população consuma aproximadamente cerca de 25% do total dos medicamentos vendidos, com ou sem prescrição medica, perspetivandose, que, no ano de 2030, alcance a cifra de, pelo menos, 40%. O mesmo autor releva que aos adultos idosos só devem ser prescritos fármacos em estrita necessidade, com indicações terapêuticas precisas e na menor dose possível e eficaz, ou seja, pela sua especificidade deve ser feita uma hierarquização da terapêutica que necessitam.
- O sono na pessoa idosaPublication . Cruz, João Ricardo Miranda da; Cruz, Manuel Alexandre Miranda da; Magalhães, Carlos PiresO sono carateriza-se por deter uma estrutura fisiológica própria, cumprindo um papel determinante ao nível da recuperação e restauração de energia do organismo, fomentando o desenvolvimento físico e mental. A qualidade do sono constitui-se, atualmente, como um indicador de saúde relevante, tendo adquirido um interesse significativo por parte dos profissionais de saúde, em virtude de estar intimamente relacionado com o estado de saúde da pessoa e diretamente com a sua qualidade de vida (Ribeiro, 2012). As alterações do sono ocorrem com uma prevalência crescente com o processo de envelhecimento, em que se estima que aconteçam em mais de 50% dos idosos. Naturalmente vai propiciar a ocorrência de alterações significativas na sua homeostasia e vida quotidiana, contribuindo para o isolamento social e o surgimento de patologias de natureza física e mental, condicionando assinalavelmente a qualidade de vida do idoso. Os vários estudos refletem que o idoso tem dificuldade em manter o sono pelo ciclo das 7/8 horas necessárias, apresenta despertar mais precoce, diminuição da eficiência e da sensação reparadora do sono, aumento de despertares noturnos e decréscimo da duração total de sono, refletido na redução do tempo correspondente à fase III e IV de sono com movimento não rápido dos olhos (NREM) e do sono com movimento rápido dos olhos (REM) (Raposo, 2015). Para Paiva e Nunes (2014), o envelhecimento carateriza-se por alterações de distinta ordem, podendo-se elencar: cerebrais, circadianas, neuroendócrinas, corporais, autonómicas, ocupacionais, psicológicas e existenciais que vão influir diretamente no ciclo sono/vigília. Portanto, toda esta realidade, torna a população idosa suscetível a alterações no sono constituindose como um fenómeno complexo e exigindo intervenções diferenciadas e multidisciplinares, com especial atenção e cuidado na gestão farmacológica.
- A dor crónica na pessoa idosaPublication . Cruz, João Ricardo Miranda da; Cruz , Manuel Alexandre Miranda da; Gonçalves, Ana Isabel Rodrigues; Pedreiro, Telma Patrícia MachadoA dor, enquanto fenómeno clínico e epidemiológico, produz significativas repercussões, tanto na perceção do estado de saúde/doença de cada pessoa como ser singular bem como, assinaláveis ressonâncias no domínio dos seus padrões de vida diária - familiar, económico e social (Santos et al., 2014). Os mesmos autores enfatizam que a dor “ é uma das mais íntimas e exclusivas sensações experimentadas pelo ser humano, envolvendo vários componentes; embora uma pessoa consiga sobreviver com dor, ela interfere no seu bem-estar, nas relações sociais e familiares, influenciando assim a sua qualidade de vida” (p.35). O conceito de dor pode ser de difícil determinação, sendo genericamente instituída e aceite a noção de que representa uma entidade sensorial difusa e complexa, abrangendo componentes emocionais, sensoriais, ambientais, cognitivas e culturais. Aduz-se que daí resulta ser um fenómeno altamente subjetivo, complexo e multidimensional, com subjacente dificuldade em defini-la, explicá-la e mensurá-la (Rabiais, 2004). A dor pode ser analisada tendo como fonte de pesquisa diversas variáveis ou perspetivas, podendo, assim, ser classificada ou caracterizada segundo: a sua duração; a sua etiologia; a sua intensidade; impacto que produz nas atividades de vida diária; quanto ao tipo de dor; ações promotoras de alívio e exacerbação; eficácias das intervenções utilizadas e das estratégias de tratamento, entre demais (Ribeiro, 2013).
- Envelhecimento biológico - teorias e alteraçõesPublication . Magalhães, Carlos Pires; Rodrigues, Carina; Cruz, Manuel Alexandre Miranda da; Cruz, João Ricardo Miranda daDe acordo com Lima (2010) o envelhecimento inicia-se logo na conceção, prosseguindo ao longo da vida até ao final da mesma, não podendo ser evitado. O envelhecimento é um processo universal, progressivo e intrínseco, responsável por alterações biopsicossociais, cuja ocorrência não se dá exatamente no mesmo momento, nem afeta de forma idêntica as pessoas (assíncrono e multiforme), sendo influenciado por diversos fatores, existindo funções que se podem conservar até idades mais avançadas (Novoa et al., 2005). No mesmo sentido, Jacob (2019) refere-nos que se trata de um processo gradual e pessoal, vivenciado de forma distinta e única por cada individuo. Como processo complexo, o mesmo pode ser descrito em termos cronológicos, fisiológicos e ao nível funcional (Williams, 2020). Jeckel-Neto e Cunha (2006) salientam-nos que o termo envelhecimento é comumente utilizado para “descrever as mudanças morfofuncionais ao longo da vida que ocorrem após a maturação sexual e que, progressivamente, comprometem a capacidade de reposta dos indivíduos ao stresse ambiental e à manutenção da homeostasia” (p. 13). Para Almeida (1999) o conceito de envelhecimento constrói-se a partir de múltiplos elementos, como os valores, os padrões de comportamento, o sistema moral e as experiências prévias de cada pessoa, resultantes da formação individual, do contacto familiar e com amigos idosos. Num estudo exploratório, qualitativo, efetuado por Nascimento de Souza et al. (2020), que visou conhecer a perceção dos idosos de uma Universidade Aberta à Terceira Idade sobre o envelhecimento, concluiu-se que estes o
- Inteligência artificial e os novos ambientes de ensino e aprendizagemPublication . Rodrigues, CarinaGrande parte dos aplicativos digitais disponíveis atualmente para os professores, as chamadas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), baseia-se em ferramentas que integram Inteligência Artificial (IA). Diversas organizações internacionais, tais como a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e a Comissão Europeia (CE), têm vindo a desenvolver orientações e políticas para uma escola mais adequada à sociedade digital, capaz de responder aos desafios do futuro (Comissão Europeia, 2020; OCDE, 2019; UNESCO, 2019). Na conferência Internacional sobre Inteligência Artificial e Educação, organizada pela UNESCO em Pequim (China), em maio de 2019, resultou um importante conjunto de princípios e recomendações que visam orientar e apoiar os países na integração da inteligência artificial nos seus sistemas educacionais, promovendo uma abordagem ética e inclusiva (UNESCO, 2019). Para além das inúmeras vantagens que a tecnologia nos oferece, a sua utilização acarreta sérios riscos para a sociedade, colocando em debate várias questões éticas que precisam ser discutidas por todos nós. Entre essas questões, destacam-se a confidencialidade de dados, a equidade no seu uso e a dependência da tecnologia. A proteção da privacidade é fundamental, pois o uso indevido de dados pessoais pode levar a abusos e violações dos direitos individuais. A equidade também é uma grande preocupação, uma vez que a tecnologia pode perpetuar ou até exacerbar desigualdades sociais existentes, caso não seja implementada de maneira justa e inclusiva. Neste capítulo serão abordados vários conceitos sobre IA, as principais aplicações no ecossistema de ensino, as competências necessárias de docentes e alunos, oportunidades e riscos associados ao uso da IA bem como as principais questões éticas que se colocam na sua utilização.
- Metodologías de enseñanza en salud frente a los retos demográficosPublication . Alves, Sara Elisa Brás; Pereira, Olívia R.; Pereira, Ana Maria Geraldes Rodrigues; Novo, André; Vaz, Josiana A.; Fernandes, Adília; Fernandes, HélderEl envejecimiento de la población representa un desafío considerable para los sistemas de salud, lo que exige importantes innovaciones en la formación de los profesionales del área. La innovación educativa en salud se presenta como una respuesta clave ante los desafíos demográficos de las sociedades con una población envejecida. Un tema central en aspectos relacionados con el envejecimiento poblacional es el edadismo y las maneras de combatirlo, mientras que las dinámicas demográficas y la necesidad de fortalecer la fuerza laboral continúan siendo prioridades clave. El enfoque en las necesidades particulares de los adultos mayores se ha consolidado como un elemento fundamental en los programas educativos de las profesiones de salud para asegurar que el personal sanitario esté adecuadamente preparado para afrontar los retos del envejecimiento de la población. Es crucial sensibilizar a los nuevos profesionales sobre la importancia de centrarse en intervenciones preventivas a lo largo de toda la vida, para evitar que el aumento de la longevidad venga acompañado de un mayor índice de enfermedades. Este capítulo analizará cómo la innovación en la educación en salud puede abordar el reto demográfico y sus implicaciones en la formación de profesionales de la salud calificados.
- Velhos e provérbios: sabedoria que ecoa no tempoPublication . Antão, Celeste; Magalhães, Carlos Pires; Vicente de Castro, Florêncio; Anastácio, Zélia CaçadorO envelhecimento é hoje uma conquista do homem e da sociedade. O ser humano é a única espécie do planeta que subverte a própria natureza e é capaz de alterar a seleção natural de que falava Darwin. O homem é capaz de se organizar e evoluir ao longo do tempo, não só para sobreviver, mas também para aumentar a sua esperança de vida com qualidade (Vicente Castro, 2023). O envelhecimento é entendido como um processo natural acompanhado por vários desafios. Uma série de problemas podem surgir e reduzir a capacidade de as pessoas idosas realizarem as suas atividades da vida diária de forma independente, levando-as a depender de outras pessoas, em especial dos seus familiares. Misiaszek (2008) enfatiza que o processo biológico de envelhecimento resulta em diferentes problemas de saúde física e mental, incluindo perda de visão e audição, doenças cardiovasculares, deficiências físicas, distúrbios mentais, assim como perturbações músculoesqueléticas, neurológicas, gastrointestinais e endócrinas.
- Análise de provérbios à luz das teorias do envelhecimento.Publication . Antão, Celeste; Magalhães, Carlos Pires; Vicente de Castro, Florêncio; Anastácio, Zélia CaçadorO conceito de velhice e a forma como pensamos a velhice na sociedade antevê-se através da língua que utilizamos para nos referirmos a ela em forma de frases, alusões, provérbios, canções, contos, novelas, poemas, etc. Os termos associados à velhice anteveem a forma como as crianças, jovens e adultos se relacionam com as pessoas mais velhas (Vicente Castro et al., 1996). Para poder compreender a representação social da velhice é necessário, em primeiro lugar, delimitar o próprio conceito de velhice e, em segundo lugar, seria desejável conhecer o sistema de crenças e representações sociais que se formam ao longo do desenvolvimento humano em relação ao contexto sociocultural. A psicologia como ciência ajudanos a entender como uma ciência do comportamento, percebendo o comportamento como linguagem. Nesta linha de pensamento, o objeto da Psicologia é compreender, observar, traduzir, analisar, contrastar, comparar, interpretar cientificamente aquela linguagem, aquele comportamento, seja normal ou patológico, encontrar uma resposta científica à sua etiologia, desenvolvimento e significado, colocando esse conhecimento ao serviço da humanidade.
- Envelhecimento demográfico - problema ou desafio?Publication . Magalhães, Carlos Pires; Antão, Celeste; Bemposta, Maria Cristina Mós; Cruz, João Ricardo Miranda daEm Portugal, o índice de envelhecimento atingiu o valor de 182 (Instituto Nacional de Estatística [INE], 2022), conforme apurado nos censos de 2021, significando a existência de 182 pessoas com 65 ou mais anos para cada 100 jovens com idades compreendidas entre os 0 e os 14 anos. As regiões do Centro e do Alentejo apresentaram os valores mais elevados de envelhecimento, enquanto os Açores foi onde se verificou o valor mais baixo. Em 1960, o índice de envelhecimento era apenas de 27, incrementando-se de forma contínua, ultrapassando a barreira dos 100 no virar do século, como constatado nos resultados obtidos nos censos de 2001 (INE, 2002), prosseguindo para 128 no ano de 2011 (INE, 2012). De acordo com o INE (2022) entre 2011 e 2021 a idade média da população aumentou, situando-se em 45,4 anos, sendo mais elevada para as mulheres (46,9 anos) do que para os homens (43,8 anos). Ainda segundo a mesma fonte, constatou-se uma diminuição do índice de rejuvenescimento da população ativa, que passou de 94 em 2011 para 76 em 2021, indicando que, por cada 100 pessoas a sair do mercado de trabalho, apenas entraram 76. A população está distribuída de forma desigual, fortemente concentrada no litoral e na Área Metropolitana de Lisboa, onde 20% ocupa apenas 1,1% do território. Os dados revelam ainda transformações nas estruturas familiares, verificando-se uma diminuição do número médio de pessoas por agregado familiar e um aumento do número de agregados unipessoais, representando 24,8% do total de agregados domésticos.
- Prevalência e fatores de risco de infeções do trato urinário relacionadas com o cateter vesical: uma revisão sistemática da literaturaPublication . Fernandes, Ana Luísa Esteves; Almeida, Júlia Gabriela Aguiar Santos; Preto, LeonelAs infeções do trato urinário associadas ao cateter vesical (CAUTIs) são um problema hospitalar comum, elevando custos e comprometendo a recuperação dos pacientes. A resistência antimicrobiana exige abordagens preventivas baseadas em evidências. Objetivo: Determinar a prevalência de infeções do trato urinário associadas ao uso do cateter vesical em pacientes internados e identificar os principais fatores de risco descritos na literatura científica. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática segundo a metodologia PRISMA, abrangendo artigos de 2019 a 2024. A pesquisa nas bases PubMed e Web of Science utilizou expressões booleanas com os termos "Catheter-associated Urinary Tract Infection", "Prevalence", "Risk Factors" e "Hospital Setting". Após critérios de inclusão e exclusão, seis artigos foram selecionados para análise. Resultados: A prevalência das CAUTIs associou-se ao uso prolongado de cateteres, higiene inadequada e fatores como idade avançada e comorbilidades. Entre 10% e 25% dos pacientes desenvolvem CAUTIs, chegando a 28% em Cuidados Intensivos. Estratégias preventivas, como a inserção assética, remoção precoce dos cateteres e uso de dispositivos antimicrobianos, reduziram a incidência. Conclusão: A revisão destacou a importância da formação contínua, protocolos padronizados e uso racional de antibióticos para reduzir as CAUTIs. A combinação de práticas clínicas e inovação tecnológica é essencial para mitigar este problema.
