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Repositório de Publicações do Instituto Politécnico de Bragança

 

Entradas recentes

Conhecimento dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação sobre a utilização da Escala de Borg e da Frequência Cardíaca na monitorização e progressão da intensidade do exercício físico: estudo transversal
Publication . Franco, Filipe Vieira; Novo, André; Delgado, Bruno Miguel
A prescrição, monitorização e progressão da intensidade do exercício físico (EF) constituem componentes fundamentais da intervenção dos Enfermeiros Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EEER). A Escala de Borg e a frequência cardíaca (FC) são instrumentos recomendados para monitorizar a intensidade do EF, porém a sua utilização adequada depende do conhecimento dos profissionais. Objetivo: Avaliar o conhecimento dos EEER sobre a utilização da Escala de Borg e da FC como parâmetros de monitorização e progressão da intensidade do EF, identificando o nível de conhecimento relativamente à Escala de Borg, à FC e aos limites de segurança associados à sua utilização, bem como analisar a associação entre o conhecimento demonstrado e as características académicas e profissionais dos participantes e comparar o conhecimento percebido com o conhecimento demonstrado. Métodos: Estudo quantitativo, observacional, descritivo-correlacional e transversal. Participaram 55 EEER, selecionados por amostragem não probabilística por conveniência. A recolha de dados decorreu entre fevereiro e março de 2026, através de um questionário de autopreenchimento que incluiu caracterização sociodemográfica e profissional, avaliação do conhecimento percebido e do conhecimento demonstrado. Os dados foram analisados no IBM® SPSS® Statistics (versão 28), recorrendo a estatística descritiva e inferencial, utilizando os testes de Spearman, Mann-Whitney e Kruskal-Wallis, com nível de significância de 5%. Resultados: Os participantes apresentaram um nível globalmente satisfatório de conhecimento sobre a utilização da Escala de Borg e da FC na monitorização da intensidade do EF. Identificaram-se, contudo, algumas lacunas em conteúdos relacionados com o cálculo da FC de reserva e a definição de zonas de intensidade do exercício. Observou-se uma correlação positiva moderada entre o conhecimento percebido e o conhecimento demonstrado, bem como correlações positivas entre o conhecimento demonstrado e a frequência de utilização da Escala de Borg e da FC. O grau académico apresentou associação estatisticamente significativa com o conhecimento demonstrado, não se verificando associações significativas com a idade, experiência profissional ou formação específica. Conclusão: Os EEER demonstraram um nível satisfatório de conhecimento relativamente à utilização da Escala de Borg e da FC, embora persistam lacunas em áreas específicas. Os resultados reforçam a importância da utilização sistemática destes instrumentos e da atualização científica dos profissionais, contribuindo para uma monitorização da intensidade do EF mais segura, individualizada e baseada na evidência.
Fatores que influenciam a eficácia da terapêutica inalatória na Ventilação Mecânica Invasiva: uma Scoping Review
Publication . Sarmento, Marta Cristina Trindade; Preto, Leonel
A terapêutica inalatória em doentes sob ventilação mecânicam invasiva constitui uma intervenção frequente em unidades de cuidados intensivos, sendo relevante no tratamento de alterações respiratórias e na otimização da mecânica ventilatória. Contudo, a sua eficácia depende de múltiplos fatores, nomeadamente técnicos, ventilatórios, humanos e organizacionais, que podem interferir na deposição pulmonar do fármaco e, consequentemente, nos resultados clínicos. Objetivo: Mapear a extensão da evidência científica acerca dos fatores que influenciam a eficácia da terapêutica inalatória em doentes adultos sob Ventilação Mecânica Invasiva. Métodos: Foi realizada uma scoping review segundo as orientações do Joanna Briggs Institute e estruturada de acordo com as recomendações PRISMA-ScR. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e B-on, em abril e maio de 2026. A seleção dos estudos foi efetuada com base em critérios de inclusão previamente definidos, dividida em duas etapas: leitura do título e resumo e, em seguida, leitura completa dos estudos aparentemente relevantes. As informações dos estudos incluídos foram organizadas em uma matriz de mapeamento elaborada pela autora, que abrange autor, objetivo, desenho do estudo, principais fatores identificados e a contribuição para a questão da revisão. Considerando que se trata de uma Scoping Review, não foi feita uma avaliação formal da qualidade metodológica dos estudos selecionados, uma vez que o objetivo principal foi mapear a evidência existente e identificar fatores, lacunas e implicações para a prática. A revisão foi realizada por um único revisor, no âmbito de uma dissertação de mestrado, o que representa uma limitação metodológica. Resultados: Foram incluídos 15 estudos na síntese final. A evidência analisada permitiu identificar fatores associados à eficácia da terapêutica inalatória durante a ventilação mecânica invasiva, nomeadamente o tipo de dispositivo utilizado, a posição do nebulizador ou inalador no circuito ventilatório, a humidificação, os parâmetros ventilatórios, o tempo inspiratório, o fluxo inspiratório, a sincronização com a inspiração, a utilização de espaçador, as características do aerossol e a técnica de administração. Foram ainda identificados fatores humanos e organizacionais, como o conhecimento dos profissionais, a variabilidade da prática clínica, a ausência de protocolos padronizados e a necessidade de formação contínua. As principais limitações desta revisão relacionam-se com a heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, diversidade dos dispositivos e condições ventilatórias analisadas. Conclusão: A eficácia da terapêutica inalatória em doentes sob ventilação mecânica invasiva resulta da interação entre fatores técnicos, ventilatórios, humanos e organizacionais. A otimização da técnica, a utilização adequada dos dispositivos, a adaptação dos parâmetros ventilatórios e a implementação de protocolos baseados na evidência podem contribuir para melhorar a deposição pulmonar do fármaco, reduzir perdas terapêuticas e promover cuidados mais seguros e eficazes. Recomenda-se o desenvolvimento de investigação clínica adicional e de programas formativos dirigidos aos profissionais de saúde, em particular no contexto dos cuidados intensivos e da Enfermagem de Reabilitação.
Peso interdialítico e capacidade funcional em pessoas com Insuficiência Renal Crónica submetidas a hemodiálise: estudo transversal
Publication . Salvador, Susana Marisa Bento; Novo, André; Sónia Alexandra Claro, Casado
A insuficiência renal crónica (IRC) sob hemodiálise (HD) está associada a elevada morbimortalidade com impacto na capacidade funcional. O ganho de peso interdialítico (IDWG) é um indicador do estado volémico e valores elevados associam-se a sobrecarga hídrica e maior risco cardiovascular. A Prova de marcha de 6 minutos (6MWT) tem valor prognóstico e é amplamente utilizada para avaliar a capacidade funcional nesta população. Apesar da relevância destes indicadores a sua relação permanece pouco explorada. Objetivos: Avaliar a relação entre IDWG e a capacidade funcional, medida através da distância percorrida na 6MWT, na pessoa com IRC sob HD e analisar a influência de variáveis clínicas como idade, sexo, tempo em diálise, a causa da DRC e a força da preensão manual nessa relação, bem como, explorar a diferença no desempenho funcional de pessoas com diferentes níveis IDWG. Método: Estudo observacional e transversal com dados de 66 pessoas com IRC em programa HD numa clínica do norte de Portugal. Os dados clínicos e a distância percorrida na 6MWT foram estatisticamente analisados no SPSS Statistics v32. Resultados: A amostra apresentou idade média de 69,76±15,34 anos sendo 60,6% do sexo masculino. A distância média percorrida foi de 289,03±144,17 metros (60,24%da distância prevista). Globalmente, entre o IDWG e a capacidade funcional não se observou uma relação significativa, apenas uma tendência negativa. Contudo, após ajuste das variáveis de confusão, o IDWG apresentou uma relação significativa com a percentagem da distância percorrida (β = -0,247; p = 0,045). As pessoas com IDWG ≥ 4% percorreram, em média, menos 16,57% da distância prevista (p = 0,014) e apresentaram um risco 4 a 4,5 vezes superior de baixo desempenho funcional em alguns modelos. A força de preensão manual foi o preditor mais forte (β até 0,515; p <0,001) e 81,8% da amostra apresentou força muscular baixa. Conclusão: O IDWG não se revelou um preditor direto da capacidade funcional, mas ser um fator de risco clinicamente relevante. A capacidade funcional revelou-se multifatorial e a força de preensão manual o principal preditor. Estes achados sustentam a relevância da monitorização do estado hídrico e da capacidade funcional na prática do EEER, para a estratificação de risco e individualização das intervenções.
Empoderamento das Mulheres Agricultoras no Nordeste do Brasil, na Macrorregião da Ibiapaba no Estado do Ceará
Publication . Oliveira, Aurinete Santos de; Matos, Alda
A contribuição das mulheres agricultoras para a agricultura familiar permanece amplamente invisibilizada, sobretudo em razão das desigualdades de gênero que limitam o acesso a recursos produtivos, assistência técnica e espaços de decisão - realidade que se acentua nas regiões semiáridas do Nordeste do Brasil. O presente estudo teve como objetivo geral analisar o papel das mulheres agricultoras da Macrorregião da Ibiapaba, no Estado do Ceará, Brasil, na promoção da soberania alimentar, da agroecologia e do desenvolvimento territorial, a partir de uma perspectiva de gênero. Os objetivos específicos foram: caracterizar a Macrorregião da Ibiapaba; observar o perfil das agricultoras; averiguar as práticas e experiências agroecológicas por elas realizadas; e, avaliar a sua participação em organizações sociais e cooperativas. A metodologia combinou abordagens qualitativas e quantitativas, com recurso a análise documental, inquéritos, entrevistas semiestruturadas, observação participante e técnicas de Diagnóstico Rural Participativo (DRP), aplicadas nas comunidades de Campo do Pouso (São Benedito) e Santa Elias/Santo Amaro (Ubajara), permitindo compreender as condições de vida, as práticas produtivas e as experiências de organização e empoderamento das agricultoras. Os resultados demonstram que as mulheres desempenham um papel fundamental na agricultura familiar, contribuindo para a produção de alimentos saudáveis, a conservação ambiental, a geração de rendimentos e o fortalecimento das comunidades rurais. As práticas agroecológicas, associadas à participação em associações, cooperativas e iniciativas coletivas, configuram-se como estratégias de fortalecimento social e valorização dos saberes locais, cuja consolidação depende da superação de barreiras estruturais no acesso à terra, ao crédito e a políticas públicas mais inclusivas. Conclui-se que o reconhecimento e a valorização do trabalho das mulheres agricultoras familiares, aliados à implementação de políticas públicas voltadas para a equidade de gênero, o acesso a recursos produtivos e a assistência técnica, são fundamentais para consolidar o protagonismo feminino e promover um desenvolvimento rural sustentável, justo e inclusivo.
Produção de vinho branco e rosé a partir de castas tradicionais: monitorização da fermentação utilizando leveduras livres e imobilizadas
Publication . Dilelle, Luana Fernandes
A valorização de castas tradicionais e a aplicação de estratégias fermentativas inovadoras constituem abordagens promissoras para a diferenciação dos vinhos. Este trabalho avaliou o impacto da utilização de Torulaspora delbrueckii em fermentação sequencial com Saccharomyces cerevisiae, em células livres e imobilizadas, na produção de vinhos branco e rosé de castas tradicionais. Foram estudadas três estratégias fermentativas: FI, com S. cerevisiae em células livres; FII, com T. delbrueckii seguida de S. cerevisiae em células livres; e FIII, com ambas as leveduras imobilizadas. A evolução fermentativa foi acompanhada por análises microbiológicas, metabólicas, físico-químicas e sensoriais. No vinho branco, todas as fermentações originaram vinhos secos, enquanto, no rosé, a FI originou vinho meio doce e as fermentações sequenciais produziram vinhos meio secos. No vinho rosé, a FI apresentou a maior produção de etanol (90,37 ± 3,28 gL−1; 11,80 ± 0,48% (v/v)) e rendimento fermentativo (95,39% do rendimento teórico), enquanto a FIII apresentou a menor produção de etanol (70,90 ± 1,85 gL−1), maior concentração residual de frutose (12,77 ± 1,05 gL−1) e maior acidez volátil (1,19 ± 0,21 gL−1). A imobilização celular reduziu a libertação acumulada de CO2 em aproximadamente 21% no vinho rosé e 9% no vinho branco, relativamente às células livres. Sensorialmente, as fermentações sequenciais apresentaram maior aceitação global do que a conduzida exclusivamente por S. cerevisiae. Os resultados demonstram que a utilização de T. delbrueckii em fermentação sequencial é uma estratégia promissora para a valorização enológica de castas tradicionais e obtenção de vinhos diferenciados.