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Diagnóstico estratégico da produção de carne de cabrito da raça serrana

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As políticas de promoção e valorização de produtos agroalimentares tradicionais de qualidade têm sido apontadas como alternativas para o desenvolvimento do meio rural. Neste contexto, o desenvolvimento da produção de produtos tradicionais típicos e diferenciados é identificado como uma vantagem importante para as zonas agro-rurais mais desfavorecidas, dado que a sua produção assenta sobre alguns dos escassos elementos em que muitas zonas podem ser competitivas: diferenciação, qualidade e território (Caldentey e Goméz., 1996; Baptista e Tibério. 2008). Estes autores referem que o interesse pelos produtos agrícolas tradicionais de qualidade deve-se sobretudo à necessidade de atenuar os efeitos negativos provocados pelos modelos do desenvolvimento rural dominantes, bem como, à crescente procura destes produtos pelo consumidor, resultado da sua desconfiança quanto à segurança e qualidade alimentares. No passado, as garantias de segurança e qualidade alimentares estavam associadas ao saber ancestral de técnicas de produção, aos ciclos das estações e ao uso de variedades de vegetais e animais autóctones. A confiança no sistema autóctone estava ligada ao saber empírico adaptado ao meio, correspondendo à familiarização com os produtos, às limitações e condicionantes do seu uso e ao conhecimento do percurso dos produtos alimentares (Valagão, 2000). Todavia, para o consumidor atual, o alimento de grande consumo é cada vez mais percecionado como o resultado da aplicação de novas e complexas técnicas de produção, que desconhece e das quais duvida. A desconfiança quanto à segurança e qualidade dos alimentos é reforçada pela despersonalização dos pontos de venda, fomentada pelos formatos das grandes superfícies retalhistas e pelo afastamento crescente entre o produtor e o consumidor (Ribeiro, 2011). Denominada amiúde de “vaca dos pobres”, devido à sua facilidade de prosperar em zonas marginais, sob rigorosas condições ambientais (Correia, 2004), a cabra assume ainda hoje um importante papel do ponto de vista económico, social e cultural em várias regiões. Em Portugal, a criação de caprinos tem vindo a perder importância, tanto termos de produção de cárnea como leiteira. Em 2016, existiam cerca de 347 mil caprinos em Portugal, representando apenas 17% do efetivo nacional de pequenos ruminantes (INE, 2017). Nesse ano, foram abatidas cerca de 103 mil reses, perfazendo 716 toneladas de carne de caprino. A análise comparativa, com base em 2010, mostra um decréscimo global da produção cárnea (27,5% e 19,5%, termos de carcaças e peso, respetivamente) atenuada pelo aumento do preço pago ao produtor em 8,4%. Ainda em 2016, o abate de cabritos foi valorado, na produção, em mais de 37 milhões de euros. Verifica-se também a descida do consumo nacional de carne de ovino e caprino, o qual tem vindo a baixar desde 2008 situando-se, em 2016, em 2,2 kg/habitante/ano, 0,6kg abaixo da capitação de 2008. O fator preço, agravado pela crise económica e a falta de tradição de consumo destas carnes entre os consumidores mais jovens (INE, 2014), com preferência por carnes com menor caracter em termos de sabor, tem dificultado a sua performance no mercado. Por outro lado, o êxodo e a regressão demográfica têm marcado o Interior Norte de Portugal, cada vez mais profundo. Para a coexistência das diversas ruralidades e especificidades neste espaço social de montanha, prevalece ainda o fabrico artesanal de produtos agroalimentares, com origem nas raças autóctones. Nesta região, as explorações de caprinos são maioritariamente constituídas pela raça autóctone ‘Serrana’. O pastoreio, em regime extensivo, faculta aos animais uma alimentação diversificada e imprime à sua carne características organoléticas ímpares, de reconhecido valor, pela sua origem e qualidade. A reduzida escala de produção das explorações condiciona as opções estratégicas disponíveis e ditam a aposta em produtos de elevada qualidade, cuja mais valia é reconhecida pelo consumidor e se enquadra nas linhas de orientação estratégica apoiadas pela União Europeia, e.g. as Denominação de Origem Protegida – DOP e Indicação Geográfica Protegida – IGP. Neste contexto, a presente investigação tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento da fileira da carne de cabrito da raça ‘Serrana. Para tal, procura-se identificar os principais constrangimentos e potencialidades da fileira e delinear estratégias a adotar pelos vários atores intervenientes da fileira.

Descrição

Palavras-chave

Caprinicultura Raças Autóctones produtos cárneos Serrana

Contexto Educativo

Citação

Matos, Alda; Cabo, Paula; Valentim, Ramiro (2018). Diagnóstico estratégico da produção de carne de cabrito da raça serrana. In XX Congresso Nacional de Zootecnia. Vila Real

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