ESSa - Dissertações de Mestrado Alunos
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- Mobbing em Enfermeiros – Estudo na Área da Enfermagem à Pessoa em Situação CríticaPublication . Amado, Liliana Isabel Ramalho; Veiga-Branco, Augusta; Pires, Luís Carlos AlmeidaO Mobbing é um fenómeno que é exposto na literatura científica, seja na componente laboral em Enfermagem em geral, seja na área da Pessoa em Situação Crítica (EPSC), com consequências a nível biológico, psicossocial, cultural e espiritual. Objetivo geral: Analisar o nível de prevalência de Mobbing e o impacto pessoal e profissional, segundo a perceção da amostra, no contexto laboral dos Enfermeiros na área da EPSC. Objetivos específicos: Analisar as associações estatisticamente significativas entre as Dimensões do Mobbing e as variáveis sociodemográficas da amostra; identificar o perfil dos agressores, das vítimas e dos espetadores, bem como as estratégias de Coping utilizadas perante as condutas de Mobbing, em contexto de EPSC. Métodos: Estudo de carácter transversal e analítico, a partir da análise aos dados recolhidos, através da aplicação do Instrumento de Recolha de Dados (IRD), “Leymann Inventory of Psychological Terrorization (LIPT – 60)” validado numa população de Enfermeiros portugueses (Carvalho, 2009; João, 2012) a partir do original (González de Rivera & Rodríguez-Abuín 2005). O questionário foi aplicado, em formato digital através da plataforma Google Forms, a uma amostra de 226 Enfermeiros que prestam cuidados na área da EPSC. Esta amostra é maioritariamente feminina (77,0%), com média de idade de 40,36 anos, em situação de conjugalidade (64,2%) e formação académica para além da licenciatura (65,4%). Resultados: A análise revelou que o nível de prevalência global de Mobbing era de 23,9%, ou seja 54 Enfermeiros da amostra, assumiram terem sido vítimas de Mobbing, e, com maiores pontuações nas seguintes Dimensões: no Bloqueio à Comunicação (𝑥 =1,47; DP= 0,63), na Difamação (𝑥 = 1,15; DP= 0,54) e no Isolamento (𝑥 = 1,00; DP= 0,44). Relativamente ao impacto pessoal e profissional, segundo a perceção da amostra, verificou-se que a nível pessoal, 88,9% das vítimas afirmaram ter tido consequências a nível físico e/ou mental, e destes, 49,2% destacam sintomas como ansiedade, e 27,3% assumem ter insónias e 24,2% insegurança. No plano profissional, 64,8% dos participantes, vítimas, afirmaram que as experiências de Mobbing, comprometeram o seu desempenho no local de trabalho. Além disto, também foram identificadas associações estatisticamente significativas entre o Mobbing e variáveis como o género (p = 0,027), o tipo de contrato (p = 0,010), o grau académico (p = 0,009) e o horário de trabalho (p = 0,015). Os resultados sugerem que as vítimas de Mobbing em contexto de EPSC são, predominantemente, enfermeiras com contrato a termo, sem título de especialista e com horário fixo. Os principais agressores identificados foram superiores hierárquicos (40,7%) e colegas da mesma categoria profissional (42,6%). No que diz respeito aos espetadores, num total de 111 (49,11%) – são maioritariamente do género feminino (80,18%), 6,3% são enfermeiros com Especialidade, 4,5% detêm Mestrado, e um é Doutor. Relativamente às estratégias de Coping foi verificado que a maioria das vítimas (59,3%) não procurou ajuda e as formas utilizadas para superar o Mobbing foram: aprender a não se deixar perturbar (44,4%) e manifestar indiferença perante as situações de abuso (14,8%). Conclusão: Os resultados obtidos demonstram a presença real e persistente do Mobbing nos contextos de EPSC, o que reforça a necessidade de políticas institucionais eficazes, formação contínua e liderança ética. Este estudo permitiu aprofundar a compreensão do fenómeno, o que contribui para a construção de ambientes laborais mais seguros e humanizados para os profissionais de Enfermagem.
- Conhecimentos em intervenções de enfermagem forense - estudo numa unidade local de saúde do norte de PortugalPublication . Pereira, Andreia Cristiana Teixeira; Veiga-Branco, AugustaA Enfermagem Forense constitui uma área emergente que articula a prática clínica com a preservação de evidências, desempenhando um papel central na avaliação, tratamento e acompanhamento de vítimas de violência e, em alguns contextos, de agressores de crimes. Os enfermeiros, pela sua posição privilegiada no contacto direto com a pessoa em situação crítica, assumem funções estratégicas na identificação, recolha, preservação e documentação de vestígios forenses, sendo fundamental o domínio de conhecimentos específicos nesta área para garantir um cuidado integral e baseado em evidência. Objetivos: Analisar o efeito moderador de uma formação específica, relativamente às diferenças no nível de conhecimento em Enfermagem Forense, antes e após a respetiva frequência, segundo a perceção da amostra. Métodos: Estudo exploratório, de análise quantitativa relacional aos dados obtidos a partir da aplicação do instrumento de recolha de dados: Questionário de Conhecimentos sobre Práticas de Enfermagem Forense (Libório & Cunha, 2012), à amostra de 49 enfermeiros, num Serviço de Urgência de uma Unidade Local de Saúde do Norte de Portugal. A seleção da amostra emergiu de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, maioritariamente do género feminino (91,8%), estado civil casado (30,6%), e especialista (28,6% %) em Enfermagem Médico-Cirúrgica, e 4,1% com Mestrado. Resultados: Antes da formação, o nível médio global de conhecimentos situou-se em 59,7%, aumentando para 82,3% após a ação formativa. A aplicação prática das intervenções de Enfermagem Forense passou de 41,8% para 73,4%, com maior evolução nas subescalas de Preservação de Vestígios (de 42,1% para 75,9%) e Comunicação e Documentação (de 38,7% para 70,2%). A correlação entre conhecimentos e aplicação foi positiva e significativa (r=0,62; p<0,01). Os principais constrangimentos identificados foram a escassez de formação (82,5%), a ausência de protocolos institucionais (77,1%) e a sobrecarga de trabalho em serviço de urgência (69,8%). Conclusão: O estudo evidencia fragilidades iniciais nos conhecimentos e na aplicação da Enfermagem Forense, mas demonstra que a formação estruturada constitui um instrumento eficaz para a sua melhoria significativa. Torna-se, assim, pertinente investir em estratégias educativas contínuas, no desenvolvimento de protocolos claros e no reforço do suporte institucional, assegurando que os enfermeiros possam exercer plenamente o seu papel na interface entre saúde e justiça.
- Satisfação com o trabalho dos Enfermeiros de Família no Atendimento à População Estrangeira: Estudo Comparativo entre Portugal e Cabo VerdePublication . Rosa, Jacira Tavares da; Anes, EugéniaOs países europeus têm vindo a registar mudanças rápidas no padrão demográfico, sendo atualmente caracterizada por uma sociedade multicultural. Em 2024, Portugal teve um aumento significativo de população residente estrangeira face ao ano de 2023 (AIMA, 2024), com Cabo Verde a representar a 5º maior comunidade estrangeira no país. Por outro lado, dadas as características geográficas e turísticas, Cabo Verde, têm sido um destino escolhido por visitantes de diversas nacionalidades, especial também para os portugueses. Esta mudança impõe significativos adaptações e desafios à prestação de cuidados de saúde à população estrangeiras. Neste contexto, os enfermeiros, especialmente os enfermeiros de família, constituem um elemento fundamental e de proximidade na resposta às necessidades destas populações culturalmente diferentes. Assim torna-se fundamental a orientação das práticas de enfermagem numa precetiva culturalmente competente, sendo este um fator que pode impactar diretamente na satisfação profissional destes profissionais. Objetivos: analisar a relação entre o nível de satisfação com o trabalho dos enfermeiros que exercem funções no âmbito da saúde familiar, face ao atendimento à população estrangeira, comparando os contextos de Portugal e Cabo Verde. Metodologia: estudo quantitativa, de natureza transversal, observacional, descritivo-correlacional. A população-alvo corresponde a enfermeiros que exercem funções em Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e Unidades de Saúde Familiar (USF), em Portugal e enfermeiros que exercem funções em Cuidados de Saúde Primários, nos Centros de Saúde (CS) e respetivas extensões (Posto de Saúde e Unidade Básica de Saúde), em Cabo Verde. A amostra, de carácter não probabilístico por conveniência e bola de neve (amostragem snowball sampling), constituída por 71 enfermeiros. O instrumento de recolha de dados consistiu num questionário, aplicado via google form, composto por duas partes: uma que avalia a caracterização sociodemográfico e profissional, e outra avalia a escala de satisfação profissional com o trabalho de Pais-Ribeiro (2002). Os dados foram analisados com recurso aos softwares Excel e Jamovi 2.7.6. Foram considerados os pressupostos éticos da declaração de Helsínquia (2013) e Convenção Oviedo (2000). Foi solicitado consentimento informado e obtido parecer favorável da Comissão de Ética do IPB e da Comitê Nacional de Ética e Pesquisa em Saúde de Cabo Verde. Resultados: a amostra foi constituída por n=71 enfermeiros, sendo n= 40 de Portugal e n= 29 de Cabo Verde. A média global de satisfação profissional foi m = 3,18, indicando um nível moderado de satisfação. As médias por país foram semelhantes (Portugal m =3,22; Cabo Verde m= 3,10), revelando satisfação moderada entre os enfermeiros, sem diferenças significativas estatisticamente (p = 0,276). As variáveis sociodemográficas não apresentaram correlação estatisticamente significativa com a satisfação no trabalho (p >0,05). Comparando os dois países, em Portugal a dimensão “relação com colegas”, obteve uma a menor média (m = 2,91), enquanto em Cabo Verde a dimensão com menor média (m = 2,96) foi “reconhecimento profissional pelos outros”. Ambos os grupos consideram barreiras e estratégias semelhantes no atendimento à população estrangeira e afirmaram estar satisfeitos com o nível de cuidados oferecidos á população estrangeira. Conclusão: os enfermeiros de Portugal e Cabo Verde apresentam níveis moderados de satisfação profissional, sem diferença estatisticamente significativas entre os dois países. Apesar das semelhanças gerais, observam-se fragilidades especificas, em Portugal, a dimensão “relação com os colegas” apresentou uma média ligeiramente inferior, enquanto em Cabo Verde a dimensão com menor média foi “reconhecimento pelos outros”. Em ambos os contextos, indicaram barreiras semelhantes no atendimento a populações estrangeira, destacando-se a barreira linguística e cultural, bem como a falta de formação orientada para a competência cultural. Entre as estratégias apontadas para melhorar o atendimento, destacam-se a importância da empatia, do respeito pelas crenças e a comunicação terapêutica eficaz. Mostrando-se globalmente satisfeitos com os cuidados prestados a essa população.
- Terapia espelho, impacto na recuperação funcional do doente pós AVC: revisão sistemática da literaturaPublication . Alves, Virgínia Maria Almeida; Mendes, Eugénia; Novo, AndréO Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morte e incapacidade a longo prazo em todo o mundo. A Terapia Espelho (TE) tem sido explorada como uma abordagem de reabilitação para melhorar os défices motores pós AVC, e assim, contribuir para uma melhor autonomia nas Atividades da Vida Diária (AVD) e qualidade de vida. Objetivo– Avaliar o impacto da TE na reabilitação de pacientes pós-AVC, com base na evidência científica, e determinar o nível de recuperação funcional e melhoria na autonomia nas AVD. Métodos– Foi realizada uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados eletrónicas: Medline via PubMed, ScienceDirect via Elsevier, Cochrane Central Register of Controlled Trials e B-ON (Biblioteca do Conhecimento Online). Os critérios de seleção incluíram artigos publicados nos últimos 10 anos que abordassem a eficácia da TE na reabilitação pós-AVC. Resultados– Dos 79,772 artigos identificados inicialmente, 6,026 artigos únicos foram avaliados após remoção de duplicatas. Posteriormente, 226 foram considerados para avaliação mais detalhada, dos quais 26 foram selecionados para análise completa. A maioria destes estudos confirmou que a TE foi eficaz na melhoria da função motora, com impacto positivo nas AVD e qualidade de vida dos pacientes. Contudo, alguns estudos apontam a necessidade de mais investigações com amostras maiores e designs mais rigorosos. Conclusões– A TE mostra-se como uma intervenção terapêutica promissora, podendo auxiliar significativamente na recuperação motora de pacientes que sofreram AVC e melhorar a sua autonomia nas atividades diárias.
- Identificação do perfil epidemiológico das vítimas de trauma, relação com o tempo de esperaPublication . Costa, Telma Catarina Alves Fernandes da; Martins, MatildeA realização dos estágios no âmbito do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, com foco na Pessoa em Situação Crítica, constituiu um pilar essencial no desenvolvimento de competências clínicas, éticas, técnicas e científicas. A integração em contextos complexos como Unidade Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos, Serviço de Urgência Polivalente e Cuidados Intensivos, permitiu a consolidação de saberes teóricos através da prática reflexiva e fundamentada na evidência. Neste âmbito, realizou-se o estudo “Identificação do Perfil Epidemiológico das Vítimas de Trauma num Serviço de Urgência de uma Unidade Local de Saúde (ULS) da região Norte de Portugal e Relação com o Tempo de Espera”, um contributo relevante para a prática baseada na evidência. Com este relatório pretendo, descrever o percurso formativo ao longo dos diversos contextos de estágio e desenvolver uma reflexão crítica sobre as atividades desenvolvidas durante esses momentos de prática. Integráramos ainda uma componente investigativa, que teve como objetivo, identificar o perfil epidemiológico da vítima de trauma num serviço de urgência de uma Unidade Local de Saúde da região Norte de Portugal e relação com o tempo de espera. Estudo transversal descritivo, baseado em 10.760 episódios registados entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2023. A recolha de dados ocorreu entre janeiro e fevereiro de 2024, após autorização institucional e da Comissão de Ética. Os dados, anonimizados, foram analisados com o SPSS®, versão 28.0. Os dados, extraídos do sistema informático SClínico©, referem-se a episódios de urgência por trauma registados numa Unidade Local de Saúde da região Norte de Portugal. Após autorização institucional e parecer favorável da Comissão de Ética. A amostra maioritariamente feminina (52,5%), com idade média de 58,43 anos (DP±26,14), com mais de 75 anos (23,9%) e residentes no distrito de Vila Real (91,3%). O tempo médio de espera desde a triagem até ao primeiro atendimento foi de 28,2 minutos e o tempo de permanência no serviço de urgência de 298,9 minutos. Atribuída prioridade amarela a 70,4%, maioritariamente pequenos traumas (71,5%) e por queda (77,1%). Diferenças significativas nos tempos de espera em função da idade, dia da semana e causa da admissão. Estes resultados destacam a necessidade de um planeamento orientado por dados que considerem a idade, o tipo de trauma e o contexto de admissão para uma gestão mais eficiente e equitativa dos cuidados no serviço de urgência. Os estágios foram condição sine qua non para desenvolver as competências previstas para o enfermeiro especialista e mestre em Enfermagem Médico-Cirúrgica na Área de Enfermagem à Pessoa em Situação Critica. Os resultados obtidos do estudo de investigação indicam o predomínio de idosos em situações de pequeno trauma, o que reforça a importância de estratégias clínicas e organizacionais ajustadas a este perfil populacional.
- Prevalência da depressão pós-parto em puérperas da Unidade Local de Saúde do NordestePublication . Pires, Liliana Rosa Taboada; Correia, Teresa I.G.; Azevedo, AnaA depressão pós-parto constitui uma das perturbações psiquiátricas mais prevalentes no período perinatal, com impacto significativo na saúde da mãe, do recém-nascido e da família. O diagnóstico precoce assume um papel central na prevenção de repercussões adversas a médio e longo prazo, sendo indispensável recorrer a instrumentos de rastreio validados e culturalmente adaptados. Objetivo: Estimar a prevalência da depressão pós-parto nas puérperas que pariram no serviço de obstetrícia da ULSN Bragança na 5ª semana pós-parto, utilizando a Postpartum Depression Screening Scale validada para a população portuguesa. Metodologia: Estudo quantitativo, descritivo, observacional e transversal, realizado entre maio e julho de 2024, envolvendo uma amostra de 80 puérperas internadas no serviço de obstetrícia da ULSNE – Bragança. Os dados foram recolhidos através de um questionário sociodemográfico e obstétrico, aplicado até 48 horas após o parto, e pela aplicação online da Postpartum Depression Screening Scale, validada para a população portuguesa, na 5.ª semana pós-parto. A análise estatística foi efetuada no software IBM SPSS v.24.0, com recurso a estatística descritiva e ao cálculo da consistência interna da escala. Resultados: Das 80 participantes após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão resultaram para a amostra final 64 participantes. A prevalência global da depressão pós-parto foi de 59,4%, correspondendo a 31,3% de depressão minor e 28,1% de depressão major. As dimensões mais expressivas foram a labilidade emocional (pontuação média 50%), os distúrbios do apetite e do sono (pontuação média 46,9%), e a confusão mental (pontuação média 44,1%), a fiabilidade interna das dimensões foi de b x (α=0,817–0,932), uma vez que o valor de Alpha de Cronbach mais baixo é de 0,817. Conclusão: Os resultados revelam uma prevalência de depressão pós-parto superior à reportada em estudos nacionais e internacionais, reforçando a necessidade de rastreio sistemático da DPP. A integração da PDSS nos cuidados perinatais e a capacitação dos profissionais de saúde em saúde mental materna constituem medidas fundamentais para a deteção precoce e acompanhamento das mulheres em risco. Estes dados podem contribuir para a implementação de protocolos locais de vigilância em saúde mental perinatal e para a definição de políticas regionais de apoio às puérperas.
- Prática de Enfermagem Avançada: Tradução, Adaptação e Evidências de Validação Transcultural do Instrumento Advanced Practice Nursing Competency Assessment Instrument (APNCAI) Para o Contexto PortuguêsPublication . Costa, Ivo Filipe Dias da; Martins, MatildeO presente relatório final integra o Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, na vertente da Pessoa em Situação Crítica, constitui a síntese de um percurso académico que articulou a prática clínica especializada em contextos de elevada complexidade com a investigação científica aplicada. A sua estrutura organiza-se em duas partes: (i) o relatório de estágios clínicos e (ii) o estudo metodológico de tradução, adaptação transcultural e validação de um instrumento de avaliação de competências em prática de enfermagem avançada. Na primeira parte, descreve-se e analisa-se o desenvolvimento de competências comuns e específicas do enfermeiro especialista em diferentes contextos clínicos. Os estágios decorreram em emergência pré-hospitalar, serviço de urgência e unidade de cuidados intensivos, proporciona uma visão integrada do percurso do doente crítico e permite a consolidação de competências especializadas. A prática clínica possibilitou desenvolver competências no cuidado à pessoa e família em situação de doença crítica e/ou falência orgânica, na dinamização da resposta a situações de emergência, exceção e catástrofe, bem como na prevenção, intervenção e controlo da infeção e da resistência a antimicrobianos, em conformidade com os referenciais regulamentares da Ordem dos Enfermeiros. Na segunda parte, apresenta-se o estudo metodológico de adaptação transcultural e validação do Advanced Practice Nursing Competency Assessment Instrument (APNCAI) para o contexto português. O processo seguiu recomendações internacionais, o que inclui a tradução, síntese, retrotradução, análise por comité de especialistas, pré-teste e estudo psicométrico com 264 enfermeiros, com o recurso à análise fatorial e ao estudo da consistência interna. Os resultados demonstraram validade de conteúdo adequada, estrutura fatorial consistente e excelente fiabilidade, o que confirma a robustez da versão portuguesa do instrumento. Este relatório evidencia a integração entre prática clínica especializada e investigação científica como pilares indissociáveis da formação avançada em enfermagem. A experiência de estágio contribuiu para a consolidação das competências do enfermeiro especialista e o estudo metodológico disponibilizou, em Portugal, um instrumento validado para avaliar competências em prática de enfermagem avançada. Em conjunto, estes resultados reforçam a relevância da prática baseada na evidência e o contributo da enfermagem para a qualidade e sustentabilidade dos cuidados de saúde.
- Integração de Técnicas Laboratoriais e Bioinformática na Investigação Molecular do Cancro da PróstataPublication . Rosa, Claúdia Silvâna Mendes Soares da; Rodrigues, Neidy VarelaO cancro da próstata (CP) constitui uma das principais causas de morbilidade e mortalidade masculina, sendo um grave problema de saúde pública. Este estágio curricular, realizado na Universidade de Cabo Verde no âmbito do projeto INCUBATOR, teve como objetivo a validação de protocolos laboratoriais no sistema Bento Lab e a identificação de potenciais biomarcadores moleculares associados ao CP. O trabalho desenvolveu-se em duas fases: A primeira é otimização dos protocolos de centrifugação, PCR e eletroforese em gel; A segunda consiste na aplicação prática em amostras biológicas locais, com extração de DNA/RNA, seleção de genes candidatos a partir das bases e GEO, e análise comparativa de expressão diferencial pela plataforma TNMplot. Foram avaliados os genes SPON2, PCAT19 e GADD45G. O PCAT19 apresentou subexpressão consistente em tecidos tumorais, o GADD45G não demonstrou diferenças relevantes e o SPON2 revelou sobreexpressão, sobretudo em estádios avançados. Os resultados sugerem o PCAT19 como potencial biomarcador de subexpressão no CP, enquanto o SPON2, paradoxalmente sobreexpresso, poderá estar associado à progressão tumoral. Estes achados reforçam a necessidade de estudos complementares para validação clínica e translacional.
- Intervenções de reabilitação para a pessoa com disfagia pós-extubação: um consenso de peritosPublication . Brandão, Frederico José Carneiro; Novo, André; Oliveira, Isabel de JesusA disfagia, ou deglutição comprometida, é uma condição comum em pessoas submetidas a ventilação mecânica invasiva, com uma incidência estimada de 41%. Esta situação clínica, origina um conjunto de complicações com impacto negativo na qualidade de vida da pessoa, pelo que, a implementação de programas de reabilitação específicos para a disfagia em pessoas pós-extubação, são primordiais para garantir o sucesso da sua recuperação. Objetivo: Este trabalho teve como objetivo validar, através de um painel de peritos, um conjunto de intervenções para a reabilitação da pessoa com disfagia pós-extubação. Métodos: A metodologia adotada para o processo de validação foi o método de Delphi modificado, em três rondas, com uma amostra heterogénea e representativa da realidade nacional. Critérios a priori: consenso ≥75% de concordância; análise mista (estatística descritiva e análise de conteúdo); priorização final por aplicabilidade clínica. Resultados: Foram validadas treze intervenções e a sua respetiva hierarquização para a prática clínica, com priorização máxima para o rastreio sistemático da disfagia a partir de 1 hora pós-extubação, quando clinicamente seguro e a avaliação clínica obrigatória, perante rastreio positivo, complementando-se com avaliação instrumental sempre que a avaliação fosse inconclusiva. Realçou-se a importância da adoção de estratégias compensatórias e programas de reabilitação individualizados que possam incluir exercícios de fortalecimento e/ou reabilitação respiratória, exercícios vocais, estimulação sensorial, terapia orofacial e mobilidade cervical. É recomendado o uso prudente da neuroestimulação e a telerreabilitação foi apontada como instrumento em evolução de garantia da continuidade de cuidados e capacitação da família e/ou cuidadores informais. Conclusão: Os resultados dão continuidade ao trabalho desenvolvido na identificação das intervenções de reabilitação para a pessoa com disfagia pós-extubação, criando uma base consensual que possa, numa etapa futura, ser testada em contexto clínico quanto à sua eficácia e segurança.
- Conhecimentos e fatores de risco para o desenvolvimento do cancro da boca, faringe e laringe em estudantes universitários da Guiné-BissauPublication . Correia, Elisio João da Silva; Almeida-de-Souza, Juliana; Podestá, Olívia Galvão deOs cancros da boca, laringe e faringe são neoplasias com fatores de risco semelhantes, que incluem o contacto com o fumo do tabaco, o álcool das bebidas alcoólicas ou agentes infeciosos como o vírus do papiloma humano (HPV). O consumo de alimentos antioxidantes, uma boa higiene oral, hábitos de atividade física e controlo do peso são considerados fatores protetores destes cancros. O conhecimento destes fatores, protetores e de risco, são importantes para a prevenção destas neoplasias. Esta dissertação tem como o objetivo identificar os conhecimentos e os fatores de risco para o desenvolvimento destas patologias em estudantes universitários da Guiné-Bissau, bem como propor uma escala de pontuação teórica para sensibilizar para o risco de cancro da boca, laringe e faringe e estudar as associações da escala do risco com os conhecimentos. Para atingir os objetivos propostos, foi realizado um estudo observacional-transversal, descritivo, quantitativo e analítico, por meio de um questionário online junto dos estudantes inscritos na Universidade Lusófona da Guiné-Bissau, em Bissau. Um total de 288 estudantes integraram a amostra, com uma idade média de 24,7 anos e a maioria (99,7%) de nacionalidade guineense. A maior parte dos estudantes referiu espontaneamente que hábitos tabágicos (52,4%) e hábitos alcoólicos (41%) são fatores de risco para o cancro da boca, laringe e faringe. Numa questão fechada, os estudantes disseram que “Sim, tenho a certeza” que hábitos tabágicos (62,5%), hábitos alcoólicos (56,6%), hábitos de higiene oral (37,2%) e hábitos alimentares não saudáveis (34,7%) são fatores de risco para estas patologias. O principal fator de risco de desenvolverem cancro da boca, laringe e faringe nestes estudantes são o elevado risco de contágio com vírus do papiloma humano (HPV), uma vez que 90,6% não tomaram a vacina contra o HPV, a maioria pratica sexo oral sem preservativo (67,4%) e muito têm múltiplos parceiros para esta prática (38,5%). Outros fatores de risco elevados nesta amostra é não realizar visitas anuais ao dentista (65,6%), não cumprir as recomendações de atividade física moderada a vigorosa da Organização Mundial de Saúde (47,8%), não consumir alimentos protetores diariamente, como hortícolas (22,9%), frutas (21,2%), frutas cítricas (31,3%) e café (5,2%). Uma escala teórica para a sensibilização dos fatores de risco de cancro da boca, laringe e faringe com 7 dimensões e pontuação máxima de 70 pontos foi proposta. A mediana do risco calculada foi de 20,5 pontos. A maioria dos estudantes (77,4%) foi categorizado com um risco baixo (0 a 23,6 pontos), no entanto 22,6% dos alunos tiveram um risco intermédio. Os estudantes que relatam mais conhecimentos espontâneos também são os que apresentam um menor risco, avaliada através da pontuação da escala teórica total (Rho=-0,268, p<0,001) e parciais para hábitos tabágicos (Rho=-0,221, p<0,001) e hábitos alimentares saudáveis (Rho=-0,200, p<0,001). A maior parte dos estudantes universitários da Guiné-Bissau desta amostra têm conhecimentos limitados dos fatores de risco para o cancro da boca, laringe e faringe. Os principais fatores de risco são o elevado risco de contágio com o HPV. Estes estudantes ainda podem melhorar os seus hábitos de higiene oral, alimentares e de atividade física. Aqueles estudantes que demonstraram ter maiores conhecimentos espontâneos, tiveram menores pontuações na escala do risco proposta, tanto para o total quanto para os parciais de hábitos tabágicos e de hábitos alimentares saudáveis. Medidas de Saúde Pública que promovam melhores hábitos de higiene oral e alimentares, bem como que reduzam o risco de contágio com o HPV são necessárias nesta população para potenciar um menor risco de desenvolver a doença. Ainda, mais estudos para a escala de avaliação do risco de cancro da boca, laringe e faringe seria importante, de forma a implementar como medida de sensibilização para o risco.
