CIMO - Livros
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- O corpo vegetativo das plantasPublication . Aguiar, CarlosA raiz é um dos três órgãos fundamentais das plantas. Evoluiu após o caule e antes da folha (volume II). Ao contrário dos caules e das folhas, o sistema radicular apresenta gravitropismo positivo (cresce ao afundar-se no solo) e, salvo raras exceções, permanece oculto no solo durante todo o ciclo de vida das plantas. Além do gravitropismo positivo, caracterizam a raiz a simetria radial, a ramificação endógena, a presença de pelos radiculares e de caliptra, e a ausência de adaptações à fotossíntese (e.g., estomas e cloroplastos) (Groff & Kaplan, 1988; Kenrick & StrulluDerrien, 2014). As raízes não têm nós porque não têm meristemas axilares nem suportam folhas. As raízes desempenham múltiplas funções, combinadas de diferentes formas, consoante as espécies, e distribuídas desigualmente por todo o sistema radicular (Quadro 10). A absorção e o transporte de água e nutrientes, a ancoragem ao solo e a acumulação de reservas são as funções mais evidentes.
- Introdução à biologia da evolução das plantasPublication . Aguiar, CarlosNos meados do século XVIII, Carl von Linné, ou Carl Lineu (1707-1778), justamente conhecido como o pai da botânica, e os seus contemporâneos presumiam que todas as espécies haviam sido criadas por um ente superior e que a sua forma e número eram constantes. «As espécies são tantas como as que foram criadas no início pelo Infinito», escreveu Lineu em 1758. Se o Criador era perfeito, então, além de definitiva, a estrutura e a função dos seres vivos eram perfeitas e as necessárias para um adequado e permanente (infinito) funcionamento da vida na Terra. Influenciados pela filosofia essencialista, ilustrada por Platão (428/427-348/347 a. C.) na conhecida alegoria da caverna, Lineu e os demais naturalistas pré-darwinianos supunham que a descrição dos produtos da criação, i. e., a prática da sistemática biológica, tinha por fim último a identificação das propriedades essenciais atribuídas pelo Criador às coisas vivas. Uma propriedade essencial – uma essência – era entendida como um elemento básico, neste caso de um ser vivo, sem o qual ele não pode ser o que é. A essência seria a causa direta da sua perfeição e intemporalidade. As propriedades não essenciais eram meramente acidentais.
- Crescimento, arquitetura, fenologia e fisionomia das plantasPublication . Aguiar, CarlosA configuração espacial (= arquitetura) do sistema radicular condiciona o acesso das plantas aos recursos retidos no solo. Se uma qualquer planta é capaz de absorver mais água e nutrientes do que as suas vizinhas, tem condições para produzir mais biomassa e uma maior superfície fotossintética, com folhas mais eficientes na captura de luz. Isso maximiza o crescimento, a sobrevivência e, por fim, a produção de descendentes. A arquitetura da raiz é, assim, determinante na fitness dos indivíduos. A importância do estudo da arquitetura e da fisiologia do sistema radicular e da canópia das plantas é equivalente.
- Ciclos de vida das plantas terrestresPublication . Aguiar, CarlosA informação veiculada neste livro esteve até aqui centrada nas angiospérmicas. Ficou provado que os esporófilos ♂ e ♀ (e a flor) das angiospérmicas têm uma ancestralidade comum e que os seus gametófitos ♂ e ♀ foram profundamente simplificados ao longo do processo evolutivo destas plantas. As gimnospérmicas, embora mais antigas do que as angiospérmicas, foram propositadamente omitidas até agora porque possuem estruturas reprodutivas mais complexas, variáveis de grupo para grupo, e em muitos casos não homólogas. O mesmo ocorre com os 'pteridófitos' e os briófitos. É, por isso, pedagogicamente mais eficaz principiar o estudo das estruturas e dos processos envolvidos na reprodução pelas angiospérmicas e, só depois, abordar os ciclos de vida das ‘plantas de esporulação livre’ e das gimnospérmicas.
- A natureza e a estrutura das plantasPublication . Aguiar, CarlosNo século IV a.C., Aristóteles dividiu os seres vivos em dois grandes grupos, depois de Carl Linnaeus (1707-1778) categorizados ao nível do reino: os reinos Plantae e Animalia (= Metazoa). Em 1866, o zoólogo alemão Ernst H. Haeckel (1834-1919) reconheceu que nem todos os seres vivos são animais ou plantas e sugeriu, então sem grande sucesso no meio académico, a criação de um novo reino – o reino Protista – para absorver os atuais procariotas, os protozoários, as algas e os fungos, um imenso biota entretanto desvendado pelos progressos da microscopia. Durante boa parte do século XX, os livros-texto de botânica, além das plantas terrestres, incluíram no reino das Plantas todo o tipo de algas, os fungos e até alguns grupos de bactérias (Hagen, 2012). Somente em 1962, quase cem anos depois da proposta de E. Haeckel, os microbiologistas R. Y. Stanier e C. B. van Niel clarificaram a dicotomia fundamental da vida entre procariotas e eucariotas, identificada na década de 1920 pelo biólogo francês Édouard Chatton (1883-1947), eliminando, em definitivo, a clássica oposição planta-animal.
- O corpo reprodutivo das plantasPublication . Aguiar, CarlosA inflorescência é um sistema de caules com uma ou mais flores (Classen-Bockhoff, 2001). Somente as angiospérmicas têm inflorescências. A sua diferenciação a nível meristemático foi abordada no ponto «Meristemas». A inflorescência é, historicamente, um dos tópicos mais difíceis e conflituosos da organografia vegetal (Classen-Bockhoff & Bull-Hereñu, 2013; Prenner et al., 2009). As dificuldades em torno da arquitetura das inflorescências vão muito para além da inconsistência terminológica: muitas inflorescências são, per se, difíceis de interpretar morfológica e evolutivamente, ou não estão ainda suficientemente compreendidas para serem enquadradas nos tipos estritos definidos na bibliografia clássica. Para escapar a estas armadilhas, as Floras e as monografias taxonómicas evitam, muitas vezes, qualificar rigorosamente as inflorescências, ficando-se por descrições vagas do tipo «inflorescência racemosa» (semelhante a um cacho) ou «inflorescência corimbiforme» (semelhante a um corimbo).
- Biologia da reprodução das plantas com florPublication . Aguiar, Carlos; Aguiar, CarlosA sexualidade das plantas foi reconhecida e documentada, pela primeira vez e de forma clara, pelo médico e botânico alemão Rudolf Camerarius (1665-1721), num ensaio publicado em 1694, intitulado De Sexu Plantarum Epistola. Nesta obra pioneira, Camerarius demonstrou experimentalmente que os estames (órgãos masculinos) e os pistilos (órgãos femininos) das flores são intervenientes essenciais e indispensáveis na reprodução por semente. A aceitação definitiva no meio científico de que as plantas são efetivamente seres sexuados demorou, contudo, mais de um século a sedimentar-se, culminando nas experiências de hibridação conduzidas por outro cientista de língua alemã, o botânico Karl Friedrich von Gaertner (1772-1850) (Vogel, 1996). O processo celular da reprodução sexual só foi devidamente compreendido muito mais tarde, após a descoberta da meiose pelo zoólogo belga Édouard van Beneden (1846-1910), em 1883, e da constatação da duplicação do número de cromossomas no esporófito (em oposição à sua redução no gametófito) pelo botânico francês Léon Guignard (1852-1928), em 1885 (Qiu et al., 2012)
- XXI International Meeting of the Portuguese Association for Evolutionary Biology: Book of AbstractsPublication . Pinto, M. Alice; Lopes, Ana Rita; Henriques, Dora;It is our great pleasure to welcome you to ENBE 2025 – XXI International Meeting of the Portuguese Association for Evolutionary Biology, held in Bragança from 18 to 19 December 2025. This XXI edition is jointly organised by Associação Portuguesa de Biologia Evolutiva (APBE), Centro de Investigação de Montanha (CIMO), and Instituto Politécnico de Bragança (IPB). ENBE is a unique event where young and senior scientists share and celebrate their research achievements in Evolutionary Biology, strengthening collaborations and fostering new connections. ENBE 2025 will bring together more than 100 participants who will contribute to a diverse scientific programme featuring 31 oral communications and 38 posters across five thematic areas: (i) genome architecture, structural evolution and biogeography; (ii) domestication, population genomics and conservation; (iii) experimental evolution and adaptation; (iv) co-evolution, host–pathogen and parasite evolution; and (v) hybridisation, introgression and phenotypic diversity. The programme will also include exciting keynote lectures from three renowned scientists: Margarida Matos (University of Lisbon, Portugal), Matthew Webster (Uppsala University, Sweden), and Ricardo Pereira (Stuttgart State Museum of Natural History, Germany). In addition, this XXI edition will, for the first time, host a roundtable focusing on improving engagement between evolutionary biologists, science communicators, educators, and journalists. This topic will be debated by a panel of eminent contributors from the science communication, media, and education sectors. I am confident that this will be a successful event, and this success is the result of the commitment of our keynote speakers and roundtable participants, who readily accepted our invitation, as well as our session chairs and all participants, whose dedication and enthusiasm make this meeting possible. Last but not least, I would like to express my deepest gratitude to all supporting institutions and sponsors, and especially to the organising committee, the scientific committee, and student volunteers, whose hard work and dedication were essential in bringing this event to life. Bragança welcomes you with its beautiful historic centre, including a remarkably well-preserved castle, and a rich cultural heritage. The region is also renowned for its exceptional gastronomy. We invite you to take the opportunity to discover the flavours and traditions of the Nordeste Transmontano.
- A Pastorícia em MontesinhoPublication . Frazão-Moreira, Amélia; Castro, José; Amieira, João; Aleixo-Pais, Isa G.; Castro, João Paulo; Castro, MarinaEste livro apresenta a atividade da pastorícia na sua relação com o ambiente e a paisagem no Parque Natural de Montesinho, através das experiências dos pastores e pastoras que aí habitam e percorrem diariamente o território para pastorear os seus gados. Disseminando ao grande público parte dos resultados do projeto interdisciplinar PASTOpraxis - Adaptação local da pastorícia às alterações climáticas (FCT-MTS/CAC/0028/2020), neste livro de pendor etnográfico descrevem-se aspetos da vida dos pastores, não só os referentes às dimensões económicas e técnicas das unidades de produção, como os concernentes às relações com os elementos não humanos - animais (cabras e ovelhas de raças autóctones, cães e animais selvagens), plantas e elementos abióticos -, e as mudanças decorrentes dos processos de transformação social e das incertezas climáticas. O livro cumpre, assim, um duplo objetivo: devolver a pesquisa aos colaboradores do projeto e divulgar a realidade da pastorícia rompendo com a visão estigmatizada e passadista que perpassa foros públicos e políticos.
- Adaptação da pastorícia às alterações climáticas. Guia de boas práticasPublication . Aleixo-Pais, Isa G.; Castro, José; Frazão-Moreira, Amélia; Castro, João Paulo; Castro, MarinaA pastorícia, um conjunto de práticas que implicam mobilidade e flexibilidade, é uma relação dinâmica entre os pastores e o território, adaptada no tempo e no modo. Ao contrário da pecuária intensiva, que confina os animais a locais fixos e controla a sua alimentação, esta mobilidade permite aos animais uma livre escolha do que consomem, enquanto conservam a fertilidade e a biodiversidade do solo. A criação de cabras e ovelhas no Parque Natural de Montesinho (PNM) é mais que uma atividade agrícola; é um modo de vida que se confunde com a cultura e a paisagem desta área protegida. Ao longo dos tempos, a pastorícia tornou-se num eixo cultural e ecológico essencial. Com os seus cerca de 74 000 hectares, a paisagem do PNM combina 22 500 hectares de mosaico agrícola, com 26 000 hectares de matos e 24 500 hectares de florestas, todo um conjunto de habitats naturais e seminaturais que sustentam tanto a fauna selvagem como as práticas de pastoreio. Em 2019, o Recenseamento Agrícola registava 20 001 ovelhas nas freguesias do PNM, das quais 4 000 pertenciam ao livro genealógico da raça Churra Galega Bragançana, tanto na variante preta como branca. Além disso, pastoreavam no parque 687 caprinos, dos quais 250 registados no livro genealógico da raça Preta de Montesinho. Os pastores mantêm as raças autóctones de ovinos e caprinos, adaptadas ao clima e orografia do PNM, pois são raças robustas e resilientes mas pouco exigentes em recursos forrageiros, característica essencial para um pastoreio sustentável e de reduzido impacto. Estes animais não são apenas gado, são o capital da exploração, e constituem um acervo genético vivo que contribui significativamente para a biodiversidade da área protegida.
