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Título: O Gerontólogo… um mediador no espaço gerontológico
Autor: Veiga-Branco, Augusta
Palavras-chave: Gerontogogia
Andragogia
Pedagogia
Educare
Educere
Geronte
Idosogogia
Issue Date: 2012
Editora: Psicosoma
Citação: Veiga-Branco, Augusta (2012) – O gerontólogo … um mediador no espaço gerontológico. In Pereira, Fernando (Coord). Teoria e Prática da Gerontologia - Um Guia Para Cuidadores de Idosos. Viseu: Psicosoma. p. 41-63. ISBN 978-972-8994-34-1
Resumo: É necessário refletir acerca do que significam os conceitos e do que é ensinar - aqui na perspetiva de Paulo Freire - para termos a certeza se queremos viver a nossa vida a construir ou a desconstruir os conceitos adquiridos, e ir ao significado das palavras. Para sabermos no que estamos a apostar. Em que terreno estamos a plantar as nossas energias. A nossa vida. No início sabia mal o que era a Pedagogia, ou a Andragogia e, portanto, não tinha a mais pálida ideia do que seria a Gerontogogia. Só na formação em Pedagogia, descobri o que já sabia, mas não tinha disso ainda a consciência: a Pedo, a Andro ou a Geronto, eram a minha água, desde que estivessem na Gogia sob a forma de prefixo. Assim, sem mais. Vale a pena colocar em ordem as diferenças. Se a mudança de método, transforma a Educação, de “educação aprendente para ensinante”, a mudança da população alvo, deverá transformar, não só e necessariamente, o método, como a estratégia, e principalmente a “intencionalidade educativa ” de quem conduz o processo. E também esta, a intencionalidade, assenta no étimo. Torna-se importante conhecer a origem etimológica das palavras, antes de chegar à Gerontogogia. Este, como todos os conceitos atualmente aplicados dentro do sistema educativo, relacionados à prática educativa – formal ou informal - partilham do sufixo gogia, que no seu étimo, significa originalmente, aquele que conduz (o gógos), ou o que encaminha o educando (a criança) no seu processo de desenvolvimento. Pedagogia, do conceito paido, remete a tudo o que diz respeito à criança. Unido a gogia (de agogus, relativo ao ato de conduzir a educação), faz surgir por composição a paidós+gógós. Era ao tempo, um conceito que dizia respeito a uma ação continuada, dirigida à criança, na perspetiva holística. Como referência etimológica, Pedagogia significava literalmente “A arte e ciência de ensinar crianças”. Todavia, as necessidades educativas dos últimos séculos e nomeadamente do séc. XX, colocaram o ponto de referência da educação na educação massiva. Este fenómeno teve como consequência, ao longo do tempo, na redução de “educação” (no sentido de expansão e desenvolvimento) a uma área científica - dentro do sistema educativo ou fora dele - que fornece conteúdos cujo objetivo é o de transmitir ou trabalhar programas, com a finalidade de acrescentar conhecimento, ao nível da infância e adolescência. O conceito de Andragogia emerge posteriormente, com a junção dos étimos: andros, de homem e agogus. Por analogia , com o conceito anterior, Andragogia, significa literalmente “A arte e ciência de ensinar homens”. Mas esta realidade emerge com dois tipos de especificidades metodológicas: a primeira, é que no plano de prática didática, assume-se o adulto (andros) tal como era assumido no conceito de Pedagogia, como ser holístico, ou seja o ser bio, psico, sociocultural no seu contexto de mundo e de interação com ele; a segunda, contrariamente ao primeiro conceito, diz respeito ao que aqui se entende por aprendizagem. Enquanto Pedagogia se assume também como transmissão, aqui é como vivência, através das experiências, e respetivas perceções das mesmas. A Andragogia é o campo em que o educando vive o envolvimento (com o objeto de estudo) para aceder ao desenvolvimento (pessoal), (re)absorvendo e (re)aplicando aprendizagens de vida em novos contextos, de modo a encontrar situações de bem-estar e de resolução de contextos. Nesta perspetiva, “aprender (...) não significa adquirir mais informação, mas expandir a capacidade de produzir os resultados que desejamos na vida” (Senge, 1990: 3). SIGNIFICADO DE GERONTOGOGIA? Há que revisitar de novo a História para compreender o significado de geronte como entidade da Gerúsia, e então, a partir destes conceitos, definir os termos. Geronte do seu étimo Gerós+onte (entidade que percorre o tempo, com muito tempo de vida, ancião) no sentido não só de conhecimento pela experiência, mas sobretudo de sensatez e de sabedoria! Era este o princípio que estava subjacente a Gerúsia , bem como a sua responsabilidade política e social. Assim, é neste contexto de “fonte de sabedoria”, que deve emergir o estatuto de formando para o idoso, neste novo espaço formativo: o de Geronte, já que do seu étimo associado a agogus, (geronto+agogus), emerge o sentido e significado de Gerontogogia. Esta é, como se tem vindo a apresentar, a educação essencialmente “Educêre”. E se retirarmos ao atual idoso, o seu estatuto de geronte (ao tempo da Gerúsia), não só estamos a construir um espaço de redução forte para a educação, como estamos a criar, no pior dos males, uma idosogogia. Uma idosogogia, que se não omite e oprime os saberes adquiridos, reprime pelo menos a aplicação desses saberes, na absorção de novo conhecimento, para aplicações práticas de vida. Este, é aqui o pecado ético ao significado de “Educêre”. Este é portanto, o caminho que a Gerontologia não pode permitir à Gerontogogia. Ferramenta para a prática I: Dez princípios para criar o clima emocional da relação gerontológica. Tenhamos a coragem da ternura, para pensar a Gerontogogia como um tempo espaço de “mimar”, a quem pensamos que fica pouco mais… 1. A Gerontogogia é uma atividade para o prazer, de entrar em fluxo (Almeida & Veiga-Branco, 2011), portanto é motivacional, donde, a Educação Emocional dos parceiros, deve estar assegurada, ou pelo menos discutida, para ser propulsora da intensidade das relações entre si. 2. Assume-se Gerontogogia como a formação segundo a preferência do cérebro (Hare & Reynolds, 2003)., pelo que deveremos aprender esta essencial forma de estar em Gerontogogia, e subjacente às Técnicas pedagógicas. 3. O formador é uma ferramenta de trabalho do idoso, e neste processo de desenvolvimento, é parceiro. Ele não é portanto o poder nem tem o poder, ele é um construtor do poder de um processo em… Sobretudo, assuma-se que um dos critérios iniciais é o uso da relação afetiva inter atores, quer na seleção de conteúdos, quer na seleção de atividades. 4. Os Curricula Programáticos devem ser interativos. Os conteúdos devem abandonar o seu caráter clássico e serem “elementos de significado” porque esta é a “aprendizagem significativa”, pelo que será também privilegiado o desenvolvimento das aptidões próprias do hemisfério direito do cérebro (Pink, 2010) através dos seis sentidos de comunicação: as mensagens orais, escritas ou em imagem, deverão ter design, sentido, sinfonia, diversão, história e empatia. Esta abordagem estimula a atenção e a neuroplasticidade. 5. Os conteúdos constroem-se a partir de objetivos previamente formulados... ... Ferramenta para a prática II: Métodos e Técnicas pedagógicas. Se os Métodos são as estratégias do formador, ao nível da didática, as táticas são as Técnicas formativas de que se serve, para suscitar no formando um ou diversos comportamentos de aprendizagem. A Técnica deve ser metódica e refletida. Em Gerontogogia como em qualquer outra área do exercício do processo de aprendizagem, tem que respeitar: os domínios ou áreas do saber evoluir (saber-saber, saber-estar, saber-ser e saber-fazer), conforme poderá ser apreciado e selecionado através do Quadro 1 ... e os Objetivos previamente formulados. Se forem selecionados métodos passivos, há que atender às especificidades dos princípios atrás defendidos. Todavia, poderão ser úteis, pelo que poderemos optar por: 1. Os Expositivos: são quase sempre orientados para a área do Saber-saber e privilegiam a informação debitada para memorização. Não devem ser os mais frequentes em Gerontogogia... (...) (...) ... mas deverá haver no espaço aula, um gerontólogo ou gerontogogo, para parcializar a comunicação segundo high touch e high concept (Pink, 2010), nomeadamente com design e sinfonia. Mesmo assim, nestas apresentações, há que reduzir alguns constrangimentos: a aquisição pode ser muito variável, os formandos assumem o estatuto de recetores, a relação tem tendência a ser de caráter formal e os tempos de preleção têm tendência a serem constantes, o que diminui a disponibilidade temporal e afetiva de intervenção do idoso. Aqueles, cuja acuidade auditiva e visual não ajuda, e por isso correm o risco de não compreenderem a mensagem, deverão ser colocados em atividade de recuperação em estratégia ativa. 2. Os Interrogativos: desenvolvem as áreas do saber-saber, e do saber-ser. Se os conteúdos forem mais facilmente desenvolvidos, até no sentido de poder tornar-se mais divertido, poderemos implementar um espaço de questões simples do tipo “ping-pong” de saber. Este método é usado em situações específicas para desenvolver capacidades cognitivas, pensamento independente e ativo, pelo que sensatamente usado, é estimulante da neuroplasticidade, desde que o contexto comunicacional seja de diversão e empatia (Pink, 2010), num ambiente descontraído e de descoberta, e, para aplicação prática evidente e imediata. 3. Os Demonstrativos: essenciais para as áreas do saber-saber, e do saber-ser. Tornam-se bastante úteis em Gerontogogia, para apresentação de como fazer tarefas do tipo exibitivo técnico (para exemplificar os acessos ao computador, ao telemóvel, a uma máquina fotográfica ou eletrodoméstico…), também como método funcional em tarefas manuais ou psicomotoras: para apresentar o manobrar de agulhas (bordado em tecido, em tela ou picotados, ou ainda em malha ou tricot), para exemplificar como apertar botões, usar pincéis em tintas, em tela ou outra atividade do quotidiano. Se forem selecionados os métodos ativos, é importante saber que, dependendo da estratégia usada, qual a área do Saber que desenvolvem e como podem ser adaptados em Gerontogogia. Partindo das áreas do saber evoluir (Mão-de-ferro, 1999), poder-se-ão selecionar, por exemplo: 1. Saber-saber: esta área diz respeito à aquisição do conhecimento, mas em contexto de metodologia ativa, ocorre por iniciativa do sujeito. (...) ... (...) 2. Saber-ser: é a (re) aprendizagem mais demorada, em termos de perceção do formando e do formador. É normalmente usada para modificação de atitudes por excelência, e tem um potencial fortemente reflexivo, senão modificador do comportamento do sujeito. Todas as Técnicas – desde que privilegiem a dialética e a horizontalidade de estatutos - são passíveis de ser exploradas, desde que tenham um coordenador ou gestor de grupo. São normalmente momentos prazeirosos para a maioria dos idosos, sendo que, aqueles que por apatia ou reserva de caráter se omitirem, deverão ser estimulados. Como? É aqui que faz sentido a palavra! As competências de Comunicação Tomam Lugar: Além de tudo o que é sabido acerca do assunto, ficam aqui duas ideias: 1. A comunicação não-verbal é mais poderosa e profunda que a verbal: o que o corpo diz, nada mais o diz, e portanto, percecionamos a verdade através da gramática expressiva corporal e facial. Estejamos atentos ao nosso manancial de expressão de silêncios, de ritmos de esgares e de exclamações. Os idosos sabem esta matéria de cor. 2. A comunicação verbal deve ser rica, emocional e apelativa, razão porque esta formação deve ser específica para gerontólogos. Neste conjunto de técnicas, a comunicação deverá ser o que Pink (2010), define como os seis sentidos ou as seis aptidões próprias do hemisfério direito: Design, História, Sinfonia, Empatia, Diversão e Sentido. Por exemplo, considera que comunicamos com design, criando uma mensagem como algo que seja também bonito, original ou emocionalmente apelativo e não só informativo funcional. Explicar com história, é criar uma “boa narrativa em torno do artigo que se vende”, podendo isto ser desde um café até à informação de um conteúdo… com sinfonia, é apresentar um conjunto de mensagens (morosas e normativas) como um todo, em síntese, numa visão em puzzle abrangente, de tal modo que crie uma imagem transversal para aplicabilidades, colocando como exemplos: “o inventor; o criador de metáforas; o transgressor “ (Pink, 2010), e como exemplo prático, “as empresas financeiras americanas que contratam poetas para lugares de gestão!” A empatia como a capacidade de falar e estar mas no sentido de compreender os desejos dos outros, de estabelecer relacionamentos e de mostrar interesse e preocupação com os outros. A comunicação com diversão, é como o nome indica, é estar com necessária descontração (...) ... (...) Técnicas Pedagógicas, quanto mais Mistas mais Ricas: Como técnicas ou estratégias pedagógicas (ver Quadro1) - nas quais se integrará o tipo de comunicação anteriormente exposta - poderemos selecionar: 1. Formação Centrada nos Participantes, sempre que se analisar ou discutir temas selecionados pelos idosos, ou experiências de vida para serem recordadas, poderemos mesmo fazer com um grupo “animado” (Aguilar Idañez, 2004), a técnica de Incidente crítico, uma Dramatização ou um Role Playing, para reviver algum contexto (pode ser positivo ou negativo) e usar essas técnicas para uma catarse ou um pequeno projeto a desenvolver, ou um comportamento a reorganizar; 2. Discussão em Grupo... (...) ... (...) ... Saber-fazer: é a aplicabilidade da metáfora: “caminhante não há caminho, o caminho faz-se andando”, e com possíveis bons resultados, não só depois, mas sim já ao longo do processo. As estratégias poderão ser o Processo de: 1. Aprender Fazendo ... (...) ... A participação em educere deve ser sempre reforçada, comentada com naturalidade e ajustada a uma aplicação pertinente.
Arbitragem científica: yes
URI: http://hdl.handle.net/10198/6994
ISBN: 978-972-8994-34-1
Versão do Editor: www.psicosoma.pt
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