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A formação inicial constitui-se como uma etapa importante no processo de aprender a
ensinar, porque não só promove e possibilita a construção do conhecimento profissional, mas
também favorece o desenvolvimento de capacidades, disposições e atitudes com o objetivo
de preparar os formandos para a realização eficaz, da sua ação educativa em sala de aula.
Assim sendo, é expectável que o estudante, futuro professor, desenvolva um conjunto de
competências e destrezas que lhe permitam exercer a sua ação docente e sobretudo que
desenvolva uma atitude reflexiva face às suas práticas, fundamentada nas dimensões
técnica, dialética, deliberativa e transpessoal (Day, 2004). Técnica, no sentido em que orienta
a prática, usando a reflexão para melhorar a eficiência da implementação dos currículos;
dialética, como forma de transformar, reconstruir a prática; deliberativa como forma de fazer
uma escolha entre várias perspetivas e práticas, e transpessoal, enfatizando o
autodesenvolvimento e as relações entre si e o grupo.
A reflexividade que se enfatiza nesta comunicação inclui todas estas dimensões, orienta-se
para o desenvolvimento do conhecimento profissional, dos princípios éticos e morais, das
competências emocionais e relacionais, entre outras que se evidenciam na pessoa do
professor. Isto porque “o professor é, acima de tudo uma pessoa. Uma pessoa que pensa,
sente e age. O aluno é, acima de tudo, uma pessoa. Uma pessoa que pensa, sente e age.
As pessoas são como diamantes, lapidam-se mutuamente” (Fernandes, 2008, p. 11). É deste
lapidar que falamos quando nos referimos à reflexividade na e sobre a ação, pois onde há
professores há alunos que fazem parte da essência de um processo, de um sistema de ensino
e aprendizagem permanente e dinâmico. A imersão na prática pedagógica configura-se como uma momento chave da formação do
futuro professor, pelas experiências e vivências que proporciona, e pela singularidade do
momento que permite uma transição mais suave com esta passagem de aluno a professor,
com um trabalho de proximidade dos supervisores (Roldão, Hamido & Galveias, 2005).
Acrescem, ainda, as inúmeras reflexões que se concretizam em contexto de supervisão sobre
as vivências académicas, as situações problema vivenciadas, vendo nestas oportunidades
educativas para o seu desenvolvimento profissional.
O estudo que, em parte, aqui se apresenta teve a participação de dezoito formandos/futuros
professores. Metodologicamente, optou-se pela Investigação-Ação. Assim, partiu-se do
diagnóstico inicial das perspetivas, expectativas e sentimentos dos dezoito formandos
relativamente à formação e à prática pedagógica. Nesta dialética de teoria e prática este
estudo teve como objetivos promover a reflexividade, em contexto de supervisão e conhecer
as mudanças que os professores estagiários auto percecionam nas suas práticas ao nível
das dimensões técnica, dialética, deliberativa e transpessoal decorrentes da reflexão
realizada neste contexto.
Ao nível do estudo empírico procedemos à análise de conteúdo das produções escritas dos
formandos realizadas após a reflexão e a ação educativa em contexto de sala de aula. Da
análise dos dados emergiram três grandes categorias: as mais valias da reflexão em contexto
de supervisão; O papel do supervisor na promoção/orientação dessa reflexão e
Autoperceções de mudanças, identificadas em contexto de estágio. A análise e interpretação
dos dados, bem como as suas implicações científico-pedagógicas serão apresentados na
comunicação.
Description
Keywords
Contexto de supervisão Professor-estagiário Reflexividade Teoria e prática
Citation
Ribeiro, Maria do Céu (2020). A reflexividade em contexto de supervisão: dinâmica entre a teoria e a prática. In Jane do Carmo Machado (Orgs.) II Congresso Nacional e I Internacional de Supervisão: Políticas e Práticas: livro de resumos. Aveiro
Publisher
Universidade de Aveiro