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Cuidadores informais no cuidado ao idoso no domicílio: o olhar da enfermagem em Vila Flor

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Os cuidadores informais são peça-chave na assistência a idosos em contexto domiciliário, suprindo necessidades físicas, emocionais e sociais (Sousa et al., 2020). Apesar da sua relevância, enfrentam desafios como sobrecarga emocional, isolamento e carência de formação técnica (Silva & Pereira, 2021). A ausência de apoio estruturado pode comprometer tanto o bem-estar do cuidador quanto a segurança do idoso (OECD, 2023). Profissionais de saúde, nomeadamente enfermeiros, têm um papel crucial na capacitação dos cuidadores informais, promovendo práticas seguras e humanizadas (DGS, 2019). Esta investigação analisa a perceção dos profissionais sobre as necessidades formativas, competências e desafios enfrentados por cuidadores informais de idosos em Portugal, com o intuito de contribuir para o desenvolvimento de estratégias de capacitação mais ajustadas e eficazes. Objetivo: Avaliar a perceção dos enfermeiros do concelho de Vila Flor sobre as hard skills e soft skills dos cuidadores informais de idosos em contexto domiciliário, identificando necessidades formativas prioritárias que promovam a segurança do idoso dependente e a melhoria da qualidade dos cuidados prestados. Metodologia: Trata-se de um estudo descritivo, transversal e de natureza mista. A recolha de dados foi realizada através de um questionário estruturado, disponibilizado na plataforma Google Forms, assegurando o anonimato e a acessibilidade dos participantes. Participaram no estudo 11 enfermeiros a exercer funções na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e na Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) do concelho de Vila Flor. A amostra foi composta por 9 mulheres e 2 homens, com idades compreendidas entre os 40 e os 62 anos, todos com experiência profissional igual ou superior a cinco anos em cuidados de saúde primários. A construção do instrumento de recolha de dados e a fundamentação do estudo basearam-se em 8 referências científicas e institucionais, publicadas entre 2018 e 2024. Resultados: 80% dos profissionais inquiridos referiu ter contacto semanal ou mensal com cuidadores informais; 60% avaliaram os conhecimentos dos cuidadores informais como moderados, 80% reconheceram que os cuidadores demonstram competências básicas em cuidados de higiene e conforto. Os profissionais destacaram três grandes áreas de dificuldades dos cuidados informais: sobrecarga física e/ou emocional, falta de conhecimentos técnicos e práticos e gestão do stress e isolamento social, 100% dos participantes consideram fundamental a existência de programas formais de formação para cuidadores informais. Os profissionais identificaram os seguintes formatos como mais eficazes para capacitar cuidadores informais: sessões presenciais em grupo, materiais audiovisuais e formação entre pares. Conclusão: Os cuidados domiciliários prestados a idosos por cuidadores informais são, frequentemente, realizados sem preparação adequada para enfrentar as exigências físicas, técnicas e emocionais da função. A perceção dos enfermeiros inquiridos evidencia lacunas significativas nas competências técnicas (hard skills) e na gestão do stress, aspetos que comprometem a qualidade e a segurança dos cuidados. Todos os profissionais reconhecem a necessidade urgente de programas formais de capacitação, salientando o papel do enfermeiro como agente educativo e facilitador de cuidados seguros e humanizados no domicílio. Contudo, constrangimentos como a escassez de tempo e de recursos nas unidades de saúde limitam a operacionalização destas estratégias formativas. Assim, torna-se imprescindível que as políticas de saúde integrem a capacitação sistemática dos cuidadores informais como componente essencial da enfermagem comunitária, promovendo a continuidade dos cuidados, a autonomia da pessoa idosa e a sustentabilidade do sistema de saúde. Este estudo contribui para a prática clínica ao evidenciar prioridades formativas concretas e abordagens pedagógicas preferenciais, orientando os enfermeiros na sua ação educativa. Simultaneamente, reforça a relevância de novas investigações que aprofundem o impacto da formação nos resultados em saúde, bem como as melhores estratégias de apoio a estes cuidadores no território nacional.

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Palavras-chave

Cuidador informal Idoso Domicilio

Contexto Educativo

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