ESE - Resumos em Proceedings Não Indexados à WoS/Scopus
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Percorrer ESE - Resumos em Proceedings Não Indexados à WoS/Scopus por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "10:Reduzir as Desigualdades"
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- Adolescentes (des)conectados/as e redes sociaisPublication . Nunes, Maria Clarisse Alexandrino; Prada, Ana Raquel Russo; Gonçalves, Bruno F.; Prada, Ana Raquel RussoO estudo parte da crescente relevância do digital no quotidiano juvenil e da preocupação com os efeitos da utilização intensiva das redes sociais na saúde mental e no equilíbrio emocional dos adolescentes. A literatura recente evidencia associações entre o uso excessivo das redes sociais e indicadores de ansiedade, depressão e comportamentos de dependência, mas ainda são escassos os estudos que exploram o impacto académico, social e emocional desse uso em adolescentes portugueses. Este estudo tem como objetivo analisar o impacto académico, social e emocional do uso das redes sociais em adolescentes com idades entre os 12 e os 17 anos, a frequentar escolas públicas e privadas do distrito de Bragança. De natureza quantitativa, descritiva e correlacional, a pesquisa recorre a um inquérito por questionário online, validado por especialistas e aplicado presencialmente nas escolas. Os dados serão analisados com recurso ao software SPSS, através de estatísticas descritivas e inferenciais. O estudo cumpre integralmente os princípios éticos e legais de proteção de dados. Pretende-se que os resultados contribuam para a compreensão dos padrões de uso das redes sociais entre adolescentes e para a definição de estratégias educativas promotoras de bem-estar digital e sucesso académico.
- Fronteiras identitárias: o território da(s) alma(s) dividida(s)Publication . Mesquita, Elza; Freire-Ribeiro, Ilda; Pereira, Ana; Alves, Deisiane; Cancian, Queli GhilardiAs fronteiras geográficas são linhas visíveis nos mapas, mas a(s) fronteira(s) interna(s) dos indivíduos que habitam essas regiões de contacto cultural constituem territórios muito mais complexos e fluídos. Esses personagens vivenciam o que Homi K. Bhabha (1998) chamou de third space, o terceiro espaço - um lugar de negociação identitária onde as culturas se encontram, se misturam e se transformam, gerando novas formas de subjetividade que não pertencem inteiramente a nenhuma das culturas originais. A análise das fronteiras internas de personagens em regiões de contacto cultural revela um território psicológico complexo, no qual as identidades se fragmentam, se reconstroem e se hibridizam constantemente. O estudo que se apresenta realiza uma exploração teórica sobre várias dimensões dessa experiência fronteiriça: desde os dilemas linguísticos que servem como campos de batalha identitários até às estratégias criativas de “code-switching existencial” que permitem aos personagens navegar em múltiplos mundos culturais. Por exemplo, a literatura chicana/latina oferece exemplos particularmente ricos dessa condição, com autores como Gloria Anzaldúa (2012), Junot Díaz (2009) e Sandra Cisneros (2022) ao criarem personagens que transformam a fragmentação identitária não em déficit, mas numa vantagem epistemológica. Esses personagens desenvolvem o que Anzaldúa (2012) chama de “mestiza consciousness” - uma consciência capaz de sustentar contradições e ambiguidades. Outro aspeto fundamental a considerar é como o ambiente geográfico espelha a geografia interior desses personagens. As paisagens indefinidas das fronteiras físicas refletem a própria indefinição identitária, enquanto a memória funciona como território alternativo em que diferentes temporalidades culturais coexistem. A análise teórica também examina as implicações psicológicas profundas dessa experiência: a ansiedade da autenticidade, o paradoxo de ser simultaneamente insider e outsider em ambas as culturas, e como essa condição pode desenvolver recursos psicológicos únicos como maior flexibilidade cognitiva e inteligência cultural sofisticada. Estamos conscientes de que estes personagens fronteiriços nos ensinam que a identidade é um processo dinâmico de constante negociação, e que a sua “incompletude” cultural se revela como uma forma mais complexa e rica de completude humana.
- Gestão colaborativa e sustentabilidade territorial: o caso das sessões participativas do plano de cogestão do Parque Natural de MontesinhoPublication . Moreno, Márcia; Correia, Maria; Correia, Rafael; Mafra, PauloA cogestão é reconhecida como fundamental para a gestão sustentável dos recursos naturais, enfatizando a colaboração entre os stakeholders envolvidos nas áreas protegidas (AP). No entanto, as habituais abordagens top-down excluem as preocupações da população, levantando questões sobre a verdadeira extensão do envolvimento e satisfação da comunidade local, o que poderá conduzir à ineficiência da gestão das AP. Em oposição a esta realidade, o Plano de Cogestão do Parque Natural de Montesinho (PNM) resultou de um processo participativo, com o objetivo de promover a sustentabilidade do território, através da valorização ambiental, social e económica dos recursos em presença, aplicando uma estratégia bottom-up, baseada num modelo de gestão que envolve a população, os municípios, as entidades responsáveis pela conservação da natureza e outros stakeholders. O referido processo consistiu na implementação de dinâmicas de participação pública, estruturadas em sessões, divididas em duas fases, totalizando 226 participantes. Na primeira fase, foram organizadas sete sessões participativas para identificar as potencialidades, constrangimentos e necessidades do território, sob os temas da conservação da natureza, identidade cultural, sustentabilidade económica, inovação e capacitação da população. Estas sessões foram complementadas, com mais duas sessões, para apresentação dos resultados obtidos e recolha de novos contributos. A metodologia incluiu a realização de uma dinâmica facilitadora inicial, seguindo-se a realização de sessões participativas temáticas, com posterior análise de conteúdo dos dados recolhidos, segmentando-os em categorias, para melhor compreensão dos desafios e oportunidades. A abordagem adotada considerou a análise qualitativa das perceções dos participantes e a elaboração de propostas de ação concretas e exequíveis. Os resultados alcançados foram múltiplos. Em primeiro lugar, foi fortalecida a participação ativa da população nas decisões relativas à gestão do território e, em segundo lugar, foram integradas propostas inovadoras, especialmente nas áreas de turismo, agricultura, monitorização da biodiversidade e educação ambiental, com claros contributos para a criação de oportunidades de negócio, preservando, simultaneamente, o património natural e cultural da região. Em suma, a estratégia bottom-up, através da participação ativa da população na elaboração do Plano de Cogestão do PNM, foi crucial na construção de soluções territoriais sustentáveis que garantam a eficácia das políticas públicas locais. A aplicação das propostas de ação, resultantes do envolvimento dos principais stakeholders nas sessões participativas, poderá servir como modelo para outras AP que valorizem a integração das necessidades locais nas suas estratégias e políticas de desenvolvimento sustentável.
- Uma visão transdisciplinar de inovação pedagógica e inclusão no ensino superiorPublication . Moreira, Benilde; Costa, Jacinta Casimiro daO presente trabalho de investigação tem o objetivo de apresentar o debate emergente de uma visão transdisciplinar de inovação pedagógica, no processo de inclusão de estudantes no espaço do ensino superior. A abordagem do conceito de inclusão tem vindo a ser, sucessivamente, discutido desde a Declaração de Salamanca numa perspetiva de evidenciar as particularidades do indivíduo e sublinhar o valor inerente do direito à educação como um dos mais importantes corolários do livre desenvolvimento da personalidade. Foi definida uma metodologia transdisciplinar acerca de um procedimento analítico de inclusão e inovação pedagógica a partir de duas áreas disciplinares distintas: o direito e a arte. Por um lado, apresentaram-se os principais referentes para o exercício dos direitos humanos realçando os contextos de multiculturalidade e diferenças que se identificam a partir do ensino superior. Por outro lado, a arte apresentou visões diversificadas de trabalho colaborativo atendendo aos atributos específicos de cada indivíduo. Os grupos de trabalho, compostos por professores do ensino superior, apresentaram soluções, a partir de uma visão de argumentos a favor e contra no âmbito de questões como a liberdade religiosa e a identidade pessoal, a partir do tema da raça com o propósito de refletir sobre a autonomia da vontade. Do diálogo apresentado foi possível evidenciar alguns padrões de resistência ao processo de inclusão de estudantes quando se considera o processo regulatório institucional. Porém, a partir da expressão da arte verificou-se uma articulação mais harmoniosa das diferenças individuais.
