Browsing by Author "Ferreira, A."
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- LIFE Maronesa – restaurar a produtividade e o stock de carbono das montanhas através da herbivoriaPublication . Aguiar, Carlos; Salvação, Juliana; Costa, Rafael de Quevedo; Rego, Avelino; Ferreira, A.; Marques, DuarteO pastoreio dirigido com rebanhos mistos de vacas e cabras, ou de vacas, cabras e ovelhas em áreas de monte (baldios) era uma componente essencial na estrutura e funcionamento dos sistemas de agricultura tradicionais de montanha do norte de Portugal. Nas últimas décadas, o retrocesso da pastorícia e o concomitante incremento da biomassa arbustiva traduziu-se na substituição da perturbação causada pela herbivoria por eventos de fogo de curto ciclo de recorrência e elevada intensidade e severidade. Consequentemente, a paisagem vegetal do monte modificou-se. Nas elevações graníticas, um coberto vegetal predominantemente herbáceo, perene e quase contínuo (nas bolsas de solo entre os afloramentos rochosos) de Agrostis capillaris e híbridos com A. castellana, ou de Arrhenatherum elatius subsp. bulbosum, foi substituído por mosaicos complexos de matos baixos dominados por Erica sp.pl. (nos solos mais delgados e oligotróficos), matos altos de Cytisus sp.pl. ou Genista florida (em solos um pouco mais profundos, em relevos tendencialmente côncavos), e comunidades herbáceas de etapas sucessionais regressivas (sobretudo ervaçais anuais e comunidades de Agrostis truncatula subsp. pl.). Em locais sujeitos a fogos particularmente intensos/severos de verão em 2016, a superfície coberta de solo nu pode não ultrapassar os 25%. Os fogos de elevada intensidade/severidade para além de selecionarem uma flora de menor interesse forrageiro reduzem a cobertura do solo com tecidos fotossintéticos e, por essa via, a produtividade forrageira das montanhas. A teoria ecológica mostra que padrões de perturbação de elevada intensidade afetam negativamente a diversidade biológica a várias escalas. A simplificação e a monotonização dos mosaicos sucessionais das montanhas com uma dominância quase absoluta de etapas sucessionais regressivas é uma evidência disso mesmo. Por outro lado, os fogos de elevada intensidade reduzem o stock de carbono no solo por volatilização da matéria orgânica do solo. A mostragem dos solos da serra do Alvão no âmbito do LIFE-Maronesa mostram que o fogo teve um fortíssimo impacto no stock de carbono e que prevalecem condições de elevada oligotrofia e acidez (vd. resumo de Aguiar et al., nesta publicação). Os sistemas de produção animal de montanha integram dois espaços complementares: o lameiro e o monte, o primeiro de posse privada, o segundo baldio. A degradação do monte teve, necessariamente, consequências na estrutura e função dos lameiros. Para além do abandono, em algumas áreas superior a 50%, os lameiros sofreram uma inversão da flora: os pretéritos lameiros de Holcus lanatus estão hoje dominados por Agrostis capillaris e híbridos, com perdas de produtividade em matéria seca de superiores a 50%. Estas alteração está certamente relacionada com a decadência da ciclagem e do stock de alguns nutrientes. O LIFE MARONESA - Market Awareness Raising for Opportunities in Needed Extensification and Soil-friendly Agriculture (LIFE19 GIC/PT/001285), é um projeto LIFE de Mitigação e Adaptação às alterações climáticas, tópico de Governança e Informação Climática, cofinanciado pelo programa LIFE da Comunidade Europeia. Este projeto foi estruturado em torno de uma conexão causal complexa que relaciona a produção de bovinos maronês num regime de pastoreio extensivo contínuo com restrições com o sequestro de carbono na matéria orgânica do solo e o restauro dos ecossistemas da montanha temperada (lameiro e monte), num território com solos profundamente alterados por um regime de fogos de elevada intensidade/severidade, estabilizados num steady state de baixa sequestração de carbono na SOM. A componente ecológica/agronómica do projeto envolve um número significativo e diversificado de ações como sejam a aplicação de calcário magnesiano, a disseminação de sementes através de fenos de boa qualidade, o uso do fogo controlado, a distribuição de manjedouras móveis na montanha, a construção de passagens canadianas, cercas e mangas de maneio, e a reconversão de giestais em lameiros com destroçamento mecânico do coberto arbustivo e estabilização pela herbivoria. Estas ações dirigem-se à diversificação do padrão de perturbação, ao aumento da pressão de pastoreio, à redução da intensidade/severidade do fogo, à restauração da fertilidade do solo e à dispersão das sementes. Admite-se que sejam suficientes para despoletar uma cadeia causal virtuosa que culminará no aumento da produtividade do monte e dos lameiros, no aumento da diversidade biológica, na sequestração de carbono no solo e na produção de riqueza.
- Utilização de bioindicadores na monitorização e certificação da qualidade do olivalPublication . Santos, Sónia A.P.; Patanita, M. Isabel; Sousa, J. Paulo; Fonseca, Felícia; Bento, Albino; Pinheiro, Lara Alina; Gonçalves, C.; Queirós, Anabela; Benhadi-Marín, Jacinto; Guerreiro, Isabel; Carvalho, Filipe Chichorro de; Ferreira, A.; Silva, Pedro Martins; Campos, Mercedes; Pereira, J.A.A intensificação das práticas agrícolas com recurso, na maioria das vezes, a aplicações de pesticidas e a mobilizações e fertilizações frequentes do solo, têm como consequência a degradação dos recursos naturais e a perda de biodiversidade nos agroecossistemas. Por outro lado, os efeitos destas práticas têm sido estudados nas últimas décadas e, devido aos seus impactes negativos, os agricultores têm sido encorajados a promover práticas agrícolas ambientalmente sustentáveis através da proteção e do incremento do estado dos agroecossistemas e da sua biodiversidade. No entanto, os benefícios ambientais gerados por estas políticas não podem ser avaliados sem que se estabeleça uma ferramenta apropriada para monitorizar a alteração das práticas agrícolas. Neste sentido, a monitorização ambiental da qualidade e sustentabilidade dos agroecossistemas pode ser obtida através do estabelecimento de indicadores biológicos como ferramentas de avaliação. Existe no entanto uma falta considerável de espécies indicadoras para avaliação de sustentabilidade. Este trabalho enquadra-se no projeto -‐ PTDC/AGR-PRO/111123/2009: A utilização de indicadores biológicos como ferramentas para avaliar o impacte de práticas agrícolas na sustentabilidade do olival – cujo principal objetivo visa o estabelecimento de espécies de artrópodes que possam ser utilizadas como bioindicadores de qualidade e sustentabilidade. Os grupos taxonómicos que serão alvo deste estudo serão grupos de artópodes (e.g. Araneae, Colembola, Coleoptera e Formicidae) que incluem sobretudo, organismos predadores envolvidos em serviços ecossistémicos de regulação e portanto, importantes na luta natural contra pragas. Para que o objetivo do projeto seja atingido com sucesso serão consideradas as comunidades de artrópodes obtidas a partir de um conjunto de olivais que representam um gradiente crescente de intensidade de uso do solo. Espera‐se que os resultados deste projeto permitam implantar um sistema padronizado, baseado em indicadores biológicos, de certificação do olival biológico, dando uma ideia clara aos agricultures, legisladores e consumidores sobre a qualidade do produto.
