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Resumo(s)
A utilização de tecnologias de Inteligência Artificial (IA) no ensino da Língua Portuguesa tem vindo a ganhar importância, sobretudo no 2.º ciclo do ensino básico, onde os alunos consolidam competências basilares de leitura, escrita, oralidade e conhecimento explícito da língua. A IA, quando introduzida de forma crítica e orientada, pode aumentar oportunidades de aprendizagem, diversificar estratégias pedagógicas e contribuir para uma maior autonomia dos estudantes. Este estudo pretende refletir sobre o potencial educativo dessas tecnologias, bem como sobre os desafios éticos e pedagógicos associados à sua utilização. No domínio da leitura, a IA oferece ferramentas capazes de apoiar a
compreensão de textos narrativos, informativos e poéticos, géneros centrais no currículo do 2.º ciclo do ensino básico. Sistemas de IA podem gerar resumos, identificar ideias principais e explicar palavras desconhecidas, auxiliando no acesso a textos mais complexos. Todavia, estes recursos tecnológicos devem ser utilizados como apoio e nunca como substitutos da leitura integral. A comparação entre o texto original e o resumo produzido pela IA constitui uma oportunidade pedagógica para desenvolver literacia crítica, permitindo aos alunos identificar interpretações corretas e incorretas. Deste modo, a IA pode funcionar como um instrumento de mediação que apoia o consolidar de estratégias de leitura. No âmbito da escrita, a IA pode apoiar o desenvolvimento de competências textuais, apresentando sugestões de organização, reformulação de frases e identificação de problemas de coesão e coerência. Para alunos do 2.º ciclo do ensino básico, que se encontram numa fase de consolidação da escrita de textos narrativos, descritivos e de opinião, estas ferramentas podem ajudá-los a refletir sobre as suas escolhas linguísticas. No entanto, torna-se fundamental garantir que a IA não substitui a autoria dos
estudantes. O papel do professor é orientar o uso destas ferramentas para que funcionem como apoio à revisão e não como geradores automáticos de textos completos. A aprendizagem da gramática e da ortografia também podem beneficiar da IA. Ferramentas que identificam erros frequentes, explicam regras de forma personalizada e geram exercícios adaptados ao nível de cada aluno contribuem para uma aprendizagem mais diferenciada. No 2.º ciclo do ensino básico, em que se aprofundam conteúdos
como classes de palavras, funções sintáticas e o uso de tempos verbais, a IA pode ajudar a consolidar conhecimentos através de exemplos contextualizados e atividades interativas, bem como promover a reflexão metalinguística. Apesar das potencialidades, o uso da IA no 2.º ciclo do ensino básico impõe uma abordagem ética e crítica. Nesse sentido, é essencial discutir com os alunos questões como privacidade, fiabilidade da informação e limites da tecnologia. A literacia digital crítica deve ser integrada no ensino da língua, ajudando os estudantes a compreender como a IA funciona, que erros pode cometer e como verificar a qualidade das respostas. O professor desempenha um
papel central na mediação, garantindo que a IA é utilizada de forma responsável e alinhada com os objetivos curriculares. A IA pode contribuir significativamente para o ensino-aprendizagem da Língua Portuguesa no 2.º ciclo do ensino básico, disponibilizando recursos que apoiam a leitura, a escrita, a gramática e a criatividade. Mas, a sua integração na sala de aula de Português deve ser orientada por princípios pedagógicos, éticos e críticos, garantindo que a tecnologia auxilia o pensamento humano, a autonomia e a construção ativa do conhecimento linguístico, mas nunca os substitui.
Descrição
Palavras-chave
Inteligência Artificial
Contexto Educativo
Citação
Araújo, Carla Sofia (2026). Ensino e aprendizagem do Português e Inteligência Artificial. In Roig-Vila, Rosabel; Antolí Martínez, Jordi M.; Onrubia-Martínez, Verónica; Cutillas, Carmen (Eds.) ICON 2026 - 5th International Congress: Education and Knowledge. Barcelona. ISBN 978-84-1079-421-4
Editora
OCTAEDRO
