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Resumo(s)
Existem poucos de estudos que mensuram, de forma longitudinal, a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) e o impacto da valvopatia no cotidiano dos pacientes. Avaliar esses indicadores, durante o primeiro ano de reabilitação, é particularmente relevante, pois corresponde ao período em que os pacientes vivenciam a fase crítica de adaptação às repercussões físicas, emocionais e sociais da intervenção cirúrgica. Essa análise permite identificar as principais dificuldades enfrentadas, possibilitando o desenvolvimento de estratégias de cuidado mais individualizadas e eficazes pelas equipes multiprofissionais, promovendo a reabilitação cardíaca (RC) desses pacientes (1-2).
Comparar a qualidade de vida relacionada à saúde e o impacto da valvopatia no cotidiano dos pacientes submetidos a cirurgias para troca valvar, no pré-operatório, seis e doze meses após a cirurgia.
Estudo observacional, analítico e longitudinal realizado em um hospital universitário no Brasil. Amostra não probabilística, consecutiva, constituída por pacientes de ambos os sexos, maiores de idade, submetidos a cirurgia de troca valvar cardíaca. Realizado entrevistas individuais e consulta aos prontuários. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, evolução pós-operatória, QVRS e impacto da valvopatia no cotidiano no pré-operatório, seis e doze meses após a cirurgia. A QVRS foi avaliada pelo Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey (SF-36) (3), composto por oito domínios com pontuação de 0 a 100 (maiores valores indicam melhor avaliação). O impacto da valvopatia foi mensurado pelo “Impacto da Doença no Cotidiano do Valvopata – IDCV” (4), com escore geral de 14 a 350 pontos (maiores valores indicam maior percepção negativa). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. Os dados foram analisados descritivamente e para a comparação das medidas da QVRS e impacto da valvopatia nos três momentos, foi utilizado o teste de Friedman. Nível significância adotado foi de 0,05. Participaram 34 pacientes, maioria mulheres, com média de 55 anos, com companheiro, inativas, escolaridade média de 7 anos e renda familiar entre 2 e 3 salários-mínimos brasileiros. A hipertensão arterial foi a comorbidade mais prevalente, seguida por arritmias, dislipidemias e diabetes mellitus. As cirurgias mais realizadas foram implante de próteses metálicas e biológicas, com acometimento predominante das valvas mitral e aórtica. A maioria dos pacientes foi submetida à primeira cirurgia e 79% participaram da escolha da prótese com orientação médica. Foi possível observar o efeito do tempo na avaliação da QVRS dos pacientes nos três períodos. O teste de comparações múltiplas mostrou diferenças estatisticamente significantes nos valores dos domínios “Capacidade Funcional” e “Aspectos Físicos”, refletindo melhora entre o pré-operatório e doze meses. O domínio “Estado Geral de Saúde” mostrou diferença estatisticamente significante, com melhora entre o pré-operatório e seis meses. Para os domínios “Dor”, “Vitalidade” e “Aspectos Emocionais”, apesar do teste de Friedman indicar diferença global significativa, as comparações múltiplas não mostraram diferenças entre os tempos, sugerindo variação geral sem distinção estatística entre períodos específicos. Não houve diferença significante no escore do IDCV. Os resultados obtidos oferecem evidências relevantes para subsidiar o planejamento da RC, orientando a elaboração de estratégias multiprofissionais que considerem as necessidades desses pacientes, contribuindo para reintegração às atividades cotidianas.
Descrição
Palavras-chave
Qualidade de vida Impacto da valvopatia Doença das valvas cardíacas
Contexto Educativo
Citação
Martins, Letícia Mansano; Souza, Matheus Nascimento; Oliveira, Isabela Santana; Dantas, Rosana Aparecida Spadoti; Novo, André; Dessotte; Carina Aparecida Marosti (2025). Valvopatia e qualidade de vida: evolução de pacientes submetidos à cirurgia de troca valvar. In Congresso Internacional de Enfermagem de Reabilitação (CIER). Tomar
Editora
Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação
