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Advisor(s)
Abstract(s)
Antecedentes/Objetivos: Avaliar as tendências temporais da prevalência
de laceração perineal severa (LPS) reportada em Portugal nos
últimos 14 anos.
Métodos: Estudo de coorte retrospetivo baseado em admissões por
motivo de parto em hospitais públicos portugueses entre 2000 e
2013. Informação sobre 654.317 partos vaginais não instrumentados
e de feto único foi obtida na base de dados hospitalar da Administração
Central dos Serviços de Saúde (ACSS). A classificação dos casos
foi obtida através dos códigos de diagnóstico/procedimentos da 9ª
Classificação Internacional de Doenças. Foi calculada a prevalência de
LPS por 1000 partos vaginais não instrumentados para cada período
de dois anos (2000-01 a 2012-13). Foram considerados potenciais fatores
de risco: mulheres primíparas de idade avançada, prévia cesariana,
parto induzido, distocia, apresentação não cefálica e feto
grande para idade gestacional; a proporção de mulheres com estes
diagnósticos foi calculada. Foi feita análise estratificada de acordo
com o uso de episiotomia (sim versus não). Modelos multivariados de
regressão de Poisson foram ajustados para avaliar se os fatores de risco
explicam as tendências temporais de LPS obtendo-se o risco relativo
(RR) ajustado e respetivo intervalo de confiança a 95% (IC95%) em
cada grupo de acordo com o uso de episiotomia.
Resultados: Durante o período de estudo, a prevalência de episiotomia
diminuiu de 80,0% para 64,4% (p < 0,001). Observou-se aumento
significativo da prevalência de LPS de 2,0 para 4,5 por 1.000 (p <
0,001). Em mulheres sem episiotomia a prevalência de LPS aumentou
de 6,0 para 11,8 por 1000 entre 2000-01 e 2008-09 diminuindo depois
para 8,1 por 1000 em 2012-13. Nas mulheres com episiotomia
verificou-se um aumento gradual da prevalência de LPS de 1,0 para
2,5 por 1.000. Após ajustar para fatores de risco, a tendência crescente
no risco de LPS manteve-se; O aumento foi de 30% (RR = 1,30;
IC95%: 1,04-1,61) em mulheres sem episiotomia, mas em mulheres
com episiotomia o risco de LPS duplicou (RR = 2,45; IC95%: 1,86-3,24).
Conclusiones/Recomendaciones: Em Portugal, diminuiu a prevalência
de episiotomia e aumentou em simultâneo a prevalência de
LPS. Este aumento é muito mais evidente em mulheres com episiotomia
e não é explicado pelos fatores de risco. Os resultados sugerem
alterações na prática clínica e maior cuidado no diagnóstico e registo
de LPS após o parto vaginal não instrumentado.
Description
Keywords
Laceração perineal severa Episiotomia Saúde materna, Tendências temporais
Citation
Teixeira, Cristina; Barros, Henrique (2016). Prevalência de laceração perineal severa de acordo com o uso de episiotomia: tendência temporais em Portugal. Gaceta Sanitária. ISSN 0213-9111. p. 65-66
Publisher
Elsevier