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- Valores humanos emergentes em obras de literatura clássica de potencial receção infantilPublication . Guerreiro, Carla Alexandra do Espírito Santo; Santos, Lídia Machado dos; Vaz, Paula Marisa FortunatoO presente estudo insere-se num projeto de investigação conjunto que envolve docentes de duas instituições de ensino superior, uma Portuguesa e outra Brasileira, a decorrer entre fevereiro e junho de 2017. Neste contexto, pretende-se, primeiramente, perceber que valores humanos emergem de um conjunto de obras de literatura clássica de potencial receção infantil previamente selecionadas. Assim, fez-se uma escolha apurada de um conjunto de obras de literatura para a infância de cariz clássico, mais especificamente, dos contos de Hans Christian Andersen, a saber: “As flores da Idinha”; “O abeto” e “O rouxinol”. No contexto de uma metodologia qualitativa, procedeu- se a uma análise minuciosa destas obras ao nível literário, estilístico, bem como ao nível dos valores humanos emergentes nos mesmos. Os contos foram posteriormente trabalhados através de duas estratégias narrativas - a representação e a leitura oral - por parte dos alunos do 2.o ano da Licenciatura em Educação Básica, com um público constituído por crianças dos 3.o e 4.o anos de escolaridade de um agrupamento de escolas do norte de Portugal. Após este trabalho, decorreu a exploração de cada conto através do estabelecimento de um diálogo alargado moderado pelos alunos da referida licenciatura e uma das investigadoras. Neste diálogo realizou-se o registo áudio, devidamente autorizado, das respostas dos alunos às questões levantadas, que foram previamente delineadas com o objetivo de auscultar as perceções dos alunos acerca dos contos, nomeadamente, no que concerne aos valores subjacentes. Trazem-se agora à discussão os resultados preliminares deste estudo.
- Estratégias de promoção da oralidade e escrita na educação pré-escolarPublication . Guerreiro, Carla Alexandra do Espírito Santo; Santos, Lídia Machado dos; Castanheira, LuisO projeto que apresentamos, embora não esteja concluído, encontra-se em fase adiantada de execução e integra crianças com idades compreendidas entre os três e os seis anos de idade que frequentam instituições de Educação Pré-escolar na cidade de Bragança (Nordeste de Portugal) sendo dinamizado pelos alunos da Unidade Curricular de Iniciação à Prática Profissional II (IPPII), do 3.º ano da Licenciatura em Educação Básica, da Escola Superior de Educação (ESE) do Instituto Politécnico de Bragança. Através da sua implementação, pretendemos alcançar duas ordens de objetivos: 1.ª consciencializar os alunos da Licenciatura em Educação Básica de questões essenciais, tais como a importância do Livro e da Literacia e do relevo que deve assumir a consciência fonológica em contexto de Educação Pré-escolar; 2.ª que as crianças destinatárias diferenciassem o desenho da escrita (código icónico vs. código escrito); conhecessem a direcionalidade da escrita; identificassem diferentes caraterísticas das convenções gráficas; reconhecessem a correspondência entre fonema/grafema da sua língua materna - o Português e conseguissem aplicar novo vocabulário em diferentes contextos situacionais, entre outros aspetos. O projeto foi operacionalizado através da criação de situações significativas e contextualizadas do uso da leitura, da escrita e da imagem, recorrendo a situações de jogo e brincadeira e a situações de exploração individual e interação interpares e educador-criança. Para aferir os resultados, além das observações e registos fotográficos e escritos dos alunos da ESE dinamizadores do Projeto, delinearam-se instrumentos de registo - grelhas- que permitiram aos alunos dinamizadores do mesmo e aos supervisores do estudo aferir se os objetivos definidos tinham sido alcançados e qual o seu grau de consecução. Através da implementação do projeto, esperamos conseguir validar a tese da importância de planificar e desenvolver atividades promotoras de situações de oralidade e da escrita, com base no livro de potencial receção infantil.
- Oficina(s) de escrita com a biblioteca escolar: análise críticaPublication . Santos, Lídia Machado dos; Falcão, CecíliaO presente estudo insere-se num conjunto de ações em curso na Biblioteca do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, de Bragança, com alunos a frequentar o segundo Ciclo do Ensino Básico no âmbito da disciplina de Português, assumindo a importância de práticas articuladas de leitura e escrita e do trabalho colaborativo em ambiente escolar. Aplica-se uma metodologia qualitativa, apurada na observação direta e assente na leitura e apreciação dos textos resultantes de sessões já concretizadas, nas quais os alunos foram orientados no sentido de trabalharem em grupo, na biblioteca escolar, com base nos volumes 1 e 2 de Maggy, a Fada, anteriormente lidos em sala de aula. O trabalho oficinal decorrido enquadra-se nos propósitos do Programa Nacional de Promoção do Sucesso Escolar (integrado numa medida concreta em aplicação no Agrupamento denominada “Crescer a Ler: A arte de compreender o mundo”). A transversalidade de linguagens e propósitos interpretativos enunciada nesta medida motiva a escolha de textos ficcionais que acolhem um universo fantástico (“modern fantasy”) bem apreciado nestas idades. Tal proximidade textual é potenciada pelas necessárias sinergias em ambiente educativo, cruzando vários atores que intervêm no desenvolvimento de hábitos de leitura e escrita progressivamente autónomos. Neste contexto, os objetivos delineados assentam na necessidade e importância das práticas promotoras do desenvolvimento de competências de leitura, mas também na capacidade de interpretação e consequente escrita em alunos que manifestam dificuldades nesses campos e que, portanto, carecem de treino que integre leitura, interpretação e escrita orientada. Assim sendo, assumem-se os seguintes objetivos: a) evidenciar uma prática concreta de intervenção oficinal de leitura/escrita com alunos de 2.º Ciclo do Ensino Básico; b) dar conta da interação entre autor, professor e biblioteca escolar; e c) trazer à discussão os resultados preliminares da análise crítica feita aos primeiros grupos de trabalho e à sua atuação. Nesta análise, uma vez que o trabalho se pauta por três etapas diferentes, fazendo jus à ideia de retoma/circularidade, enfatiza-se: a leitura atenta dos contos mencionados, a capacidade de interpretação na oficina por parte dos alunos e a sua consequente concretização dentro do tempo estipulado, bem como o desenvolvimento de diferentes fases de (re)textualização.
- I Encontro Internacional de Língua Portuguesa e Relações Lusófonas: LUSOCONF2018: livro de atasPublication . Santos, Lídia Machado dos; Araújo, Carla Sofia; Teixeira, Carlos; Falcão, Cecília; Fernandes, Paula Odete; Gonçalves, VítorA Língua Portuguesa une milhões de seres humanos dispersos pelo mundo. De acordo com Simons e Fennig (2018), em Ethnologue: Languages of the World (21.ª edição, versão online: http://www.ethnologue.com), a Língua Portuguesa (LP) é atualmente falada por 236 512 000 indivíduos, sendo língua materna para 222 708 500 e língua segunda para 13 803 500 indivíduos. Estes dados provam que o Português é uma das línguas mais faladas do e no mundo, entre as 7097 línguas atualmente vivas. Seja qual for a leitura que se faça do passado, a verdade é que esta partilha da mesma língua, elemento fundamental da construção da nossa história e fator primordial da afirmação da nossa identidade, não pode deixar de ser uma oportunidade com futuro. A comunidade dos países falantes de LP é uma realidade incomparável a qualquer outra. Das línguas que se repartiram pelo mundo, aquando da primeira mundialização ocorrida na passagem do século XV para o XVI (o mais fascinante momento da história recente da humanidade), o Português é a única que cumulativamente apresenta as seguintes caraterísticas: • está presente nos blocos continentais de leste a oeste; • não há, na CPLP, países com fronteiras partilhadas; • todos esses países têm uma significativa orla marítima. É uma língua verdadeiramente repartida pelo mundo, impondo-nos o respeito ético pela diversidade e a compreensão de que essa diversidade só nos engrandece. O português é uma língua internacional, mas isso de modo algum implica que seja uma língua culturalmente desenraizada… bem pelo contrário. Pertencendo a países banhados por vários oceanos, é uma língua líquida. Olavo Bilac, no soneto «Língua Portuguesa», cantou o seu aroma a “oceano largo”. Irmanando a nossa voz à voz poética, todos podemos declarar o nosso amor a esta língua: “Amo o teu viço agreste e o teu aroma / De virgens selvas e de oceano largo”. Vêm-nos à memória as palavras de Vergílio Ferreira quando, em «A voz do mar» (texto lido pelo autor em 1991), afirmou: “Da minha língua vê-se o mar. Na minha língua ouve-se o seu rumor como na de outros se ouvirá o da floresta ou o silêncio do deserto. Por isso a voz do mar foi em nós a da nossa inquietação”. Que se valorize, pois, o dinamismo da língua e não a sua inércia. Um dinamismo evidente nas suas cantantes possibilidades fonológicas, nas suas castiças variações morfológicas e lexicais, na flutuação da sua sintaxe, nas riquezas da sua semântica e na sua plasticidade pragmática. Já todos ouvimos a frase de Bernardo Soares: “A minha pátria é a língua portuguesa” e conhecemos várias glosas, como a de Mia Couto: “A minha pátria é a minha língua portuguesa”. Vamos aventurar-nos e dizer que “Nós somos a pátria da língua portuguesa”. Por isso, ela irá onde nós formos. É em nós que ela vive. Sem quixotescos idealismos e sem percutir a pérfida corda do patriotismo exacerbado, podemos, e acreditamos que devemos defender a Língua Portuguesa como língua internacional na arte e na ciência, na cultura e nos negócios e em todas as áreas das relações internacionais. Os ventos não estão propriamente de feição e nós não os podemos controlar… mas podemos ajustar as velas e acreditar que ainda há ilhas desconhecidas e que a aventura vale a pena. Em 2018, o LUSOCONF lançou-se à (a)ventura. Ele irá onde todos nós o levarmos. Haja coragem e engenho e que os ventos lhe sejam favoráveis!
- O papel dos jogos pedagógicos no desenvolvimento da produção e da interação orais em inglês com crianças do 1.º ciclo do ensino básicoPublication . Santos, Lídia Machado dosO estudo de caso teve como finalidade determinar a utilização dos jogos pedagógicos no ensino das atividades comunicativas (produção e interação orais) numa escola do 1.º ciclo do ensino básico pública portuguesa com alunos de seis e nove anos de idade. O estudo foi preparado com dois grupos a frequentar o 1.º ano e dois grupos a frequentar o 4.º ano de escolaridade (ou seja, dois grupos de controlo e dois grupos experimentais), cujas aulas foram planificadas tendo em conta conteúdos da disciplina de Estudo do Meio e da atividade de Inglês. Para estabelecer esta “articulação”, entre as disciplinas, utilizaram-se, na metodologia, algumas ferramentas do enfoque Cross-curricular e da metodologia Task-Based Language Learning and Teaching, assim como um questionário dirigido a professores, um estudo de caso as aulas gravadas e um protocolo de observação. Concluiu-se, entre outros aspetos, que nem todos os jogos são igualmente úteis no desenvolvimento da produção e da interação orais e verificaram-se valores percentuais de produção e de interação diferentes, de acordo com os grupos estabelecidos.
- Literatura clássica de potencial receção infantil na transmissão de valoresPublication . Guerreiro, Carla Alexandra do Espírito Santo; Santos, Lídia Machado dos; Vaz, Paula Marisa FortunatoO presente estudo insere-se num projeto de investigação internacional mais amplo, a decorrer entre fevereiro e junho de 2017. Neste contexto, os objetivos delineados assentam na necessidade de ver melhor consolidadas perceções que apontam para uma ligação estreita entre a literatura de potencial receção infantil e a construção pessoal de valores. Pretende, então, perceber-se como é que a literatura clássica para a infância veicula valores e contribui para a construção pessoal dos mesmos. Assim, fez-se previamente uma escolha apurada de um corpus textual de cariz clássico. Recorrendo a uma metodologia qualitativa e mais concretamente à análise documental, partiu-se da tipologia de valores apresentada por Schwartz e Sagiv e analisaram-se de forma minuciosa os contos selecionados, mais concretamente os contos dos Irmãos Grimm: ”O Pássaro Dourado”; ”O Pescador e a sua Mulher”; ”Põe-te-Mesa, Asno de Ouro e Cacete-Sai-do-Saco”. Trazem-se agora à discussão resultados preli- minares desta análise, bem como a necessária re exão. Nesta re exão enfatiza-se a importância do conhecimento e da utilização destes contos por parte de futuros educadores de infância e professores do ensino básico na sua prática pedagógica, na promoção de valores e, consequentemente, na educação para o desenvolvimento.
- Grandes obras para pequenos leitores: estética e ética na literatura portuguesa contemporânea de potencial receção infantojuvenilPublication . Guerreiro, Carla Alexandra do Espírito Santo; Santos, Lídia Machado dosEste é um projeto de investigação/ação, desenvolvido em parceria com o Serviço Educativo do Museu do Abade de Baçal, envolvendo os alunos do 2.º ano da Licenciatura em Educação Básica, no âmbito da UC: Literatura para a Infância, tendo previsto como tempo duração, o segundo semestre (fevereiro a julho de 2016). O projeto interdisciplinar, combina as áreas de Expressão dramática com a de Literatura de potencial receção infantojuvenil e tem por objetivo dar a conhecer aos alunos (futuros Educadores e Professores do 1.º Ciclo) obras escritas por autores de referência do panorama literário lusófono, que se distinguem na literatura para adultos, mas cuja qualidade do corpus textual de potencial receção infantojuvenil, nos merece particular atenção. Falamos concretamente de: valter hugo mãe, Ondjaki, José Eduardo Agualusa e Mia Couto. O nosso objetivo é proporcionar-lhes trabalhar as obras, do ponto de vista literário e artístico, transformando os textos narrativos em textos dramáticos que serão levados a cena, no mês de junho, em várias instituições escolares do 1.º Ciclo do Ensino Básico da cidade de Bragança. Com este projeto, pretendemos também dar a conhecer a escrita (estética) e as mensagens (ética) presentes nas obras dos autores supramencionados, permitindo às crianças expressar as suas opiniões, após as atividades desenvolvidas, através de uma variedade de registos.
- A coexistência e influência recíproca das culturas judaica e católica numa aldeia da raia transmontanaPublication . Guerreiro, Carla Alexandra do Espírito Santo; Santos, Lídia Machado dosA nossa comunicação pretende explorar a coexistência de duas culturas religiosas (judaica e católica) e suas implicações na educação infantil, na aldeia de Lagoaça, distrito de Bragança (Nordeste Trasmontano), nos finais do século XIX. Para além de uma abordagem sociocultural à sociedade rural agrária, do interior norte de Portugal, o texto centrar-se-á especialmente na análise e reflexão sobre alguns dos hábitos culturais mais relevantes da comunidade judaica, constituída pelos judeus expulsos de Castela e Leão pelos reis católicos, Fernando e Isabel, e por aqueles que decidiram permanecer em Portugal após o édito real de D. Manuel I, o qual obrigava todos os judeus e muçulmanos residentes em Portugal a abandonarem o país ou a converterem-se ao cristianismo. Muitos foram os que resolveram permanecer e, mesmo oficialmente convertidos, não deixaram de dar continuidade às suas práticas religiosas dentro de portas, refletindo-se estas na educação dos seus descendentes. Os chamados “cristãos-novos” impregnaram uma dinâmica comercial e cultural a Lagoaça, integraram-se social e culturalmente na comunidade aldeã e conseguiram educar os seus filhos simultaneamente em duas religiões distintas, fazendo a conjugação de crenças, ideais e perspetivas diferentes para serem e se sentirem comunitariamente aceites, por um lado, e também para que as suas raízes não se perdessem no tempo ou diluíssem numa comunidade profundamente católica. A discussão versará sobre a dualidade cultural e religiosa (indissociavelmente presentes no nosso trabalho) na e para a educação infantil na época mencionada e basear-se-á na recolha de relatos orais sobre esta temática, bem como em documentos analisados que relatam a vida da sociedade, no interior do país e particularmente nesta aldeia do nordeste trasmontano, no século XIX. Basear-nos-emos também como sustentáculo teórico, em estudos realizados por especialistas em cultura e religião mosaica na península ibérica, nomeadamente na zona fronteiriça, que nos ajudarão a compreender o caráter complexo e polifacetado da comunidade judaica, do séc. XIX, nomeadamente, no que respeitava à instrução.
- II Encontro Internacional de Língua Portuguesa e Relações Lusófonas: livro de atasPublication . Teixeira, Carlos; Gonçalves, Vítor; Fernandes, Paula Odete; Rodrigues, Alexandra Soares; Guerreiro, Carla Alexandra do Espírito Santo; Santos, Lídia Machado dosO Lusoconf é um Encontro Internacional que tem a língua portuguesa como ponto charneira de múltiplas reflexões acerca do mundo lusófono. Este mundo, dentro de um mundo que a pós-modernidade vai desenhando como uma estrutura reticular, é inevitável e intrincadamente complexo com locais/momentos de turbulência e outros de silêncio. “O silêncio é que fabrica as janelas por onde o mundo se transparenta” – escreveu Mia Couto. Não noa atrevemos a contradizê-lo. Porém, temos de reconhecer a necessidade de uso da palavra e da sua partilha. A necessidade desse mergulho numa outra transparência que é a das palavras. Os textos que se reúnem neste volume constituem uma partilha do nosso saber acerca da língua portuguesa e acerca de múltiplos problemas que se levantam no âmbito das relações lusófonas. Os desafios colocados aos países de língua oficial portuguesa são grandes. A mobilidade de pessoas e particularmente de estudantes é um dos que têm relevância para as instituições de Ensino Superior. Na verdade, a relação entre estes povos tem de ser considerada na sua multiplicidade e, se queremos construir-nos como uma verdadeira comunidade de povos, temos de valorizar a língua portuguesa como um ativo comum e temos, igualmente, de reconhecer a necessidade de erguer outras pontes para além da identidade linguística (em muitos casos bem pouco firme e firmada). E, já agora, convém clarificar que a questão das relações lusófonas não se restringe aos países da CPLP, na medida em que há, em todos os continentes, comunidades de falantes de língua portuguesa, para as quais é necessário consertar um conjunto de ações, sempre inócuas se faltar o investimento no ensino do Português e uma sustentada estratégia de valorização da língua. Este é um desafio, tal como o é, por exemplo, a educação para o desenvolvimento sustentável. Estes são alguns dos tópicos que se desenvolvem ao longo destes textos. Os desafios são grandes e pode-nos parecer que a seara é sáfara. Importa, porém, ter a força, o engenho e a arte, para transformar dificuldades em oportunidade e para encarar a dissensão como oportunidade de diálogo e de conhecimento, de entendimento e de compromisso. O caminho para a multiculturalidade, responsável, livre, plena e eticamente assumida, é um dos nossos maiores desafios cuja concretização depende da proatividade de todos nós. Apesar das diversas e seguramente justas motivações, há um desígnio comum a unir-nos neste Encontro: o de lutarmos por um mundo de igualdade de oportunidades para que nenhum ser humano sinta culpa do nascer. Não podemos ser indiferentes aos sinais de alastramento de ideologias extremistas que fazem renascer movimentos nazis ou de extrema-esquerda. Estes são movimentos que vão muito para além da questão política – a qual não pode ser menosprezada – por serem fenómenos sociais e culturais de grande amplitude. Nós, que apaixonadamente procuramos o conhecimento e a compreensão do outro que é diferente, temos de ser forças de promoção da vivência democrática e de defesa de um verdadeiro humanismo universalista. Nesta linha, o Lusoconf tem, evidentemente, as suas especificidades. Em primeiro lugar, porque reúne várias áreas de investigação entre as quais o diálogo é tão raro (num mundo onde se supervalorizam as especializações). A leitura dos trabalhos aqui reunidos é prova deste encontro. A especificidade do Lusoconf passa também pelo conseguir trazer até nós representantes institucionais de outros países lusófonos, fortalecendo laços e reavivando a vontade de fazermos mais e melhor. O Lusoconf é ainda singular porque a sua organização, além de envolver as cinco escolas do IPB, é feita em colaboração com a Câmara Municipal de Bragança. Esta é uma parceria que queremos sustentar e ver crescer. Em Traço de União, Miguel Troga escreveu que “O universal é o local sem paredes”. É assim que apresentamos o Lusoconf. E, por falarmos em poetas, recordamos um excerto de um poema do escritor angolano João Melo que, em “Crónica verdadeira da língua portuguesa”, a apresenta assim: suave e discreta, debruçada sobre a varanda do tempo, o olhar estendendo-se com o mar e a memória, deliciando-se comovida com o sol despudorado ardendo nas vogais abertas da língua, violentando com doçura os surdos limites das consoantes e ampliando-os para lá da História. Não sabemos o que nos oferecerá a História. Afinal, os humanos nunca foram bons a prever o futuro. Parafraseando as palavras que o Sr. diretor da ESE escreveu para a página do Encontro, esperamos que o LUSOCONF possa prosseguir a aventura do conhecimento, compreendendo a diferença e a semelhança de ser-se humano, neste mundo que é de todos. A finalizar esta breve nota de apresentação, a Comissão Organizadora agradece a todos os que tornaram possível o LUSOCONF2019 e, em particular, aos conferencistas convidados e a todos os investigadores que nele participaram.
- I Encontro Internacional de Língua Portuguesa e Relações Lusófonas: livro de resumosPublication . Araújo, Carla Sofia; Teixeira, Carlos; Falcão, Cecília; Santos, Lídia Machado dos; Fernandes, Paula Odete; Gonçalves, VítorO I Encontro Internacional de Língua Portuguesa e Relações Lusófonas (LUSOCONF2018) será um tempo e um espaço de partilha e de construção de conhecimento sobre as mais diversas áreas. A lusofonia, porém, é o seu elemento identitário. Vários apontaram a importância da relação entre o conhecimento e a língua. Entre nós, Raúl Brandão foi certeiro: «[…] o que nos vale são as palavras, para termos a que nos agarrar». O LUSOCONF viverá do conhecimento, mas, também, desse particular som e sentido das palavras da língua que nos une e que nos expande. Não uma língua perfeita, mas a língua das nossas relações, a língua com que trocamos conhecimento, a língua com que nos entendemos e entendemos o mundo, a língua que dá voz aos nossos sonhos e à nossa esperança. Até lá!
