ESE - Resumos em Proceedings Não Indexados à WoS/Scopus
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Percorrer ESE - Resumos em Proceedings Não Indexados à WoS/Scopus por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Ciências Sociais"
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- Fronteiras identitárias: o território da(s) alma(s) dividida(s)Publication . Mesquita, Elza; Freire-Ribeiro, Ilda; Pereira, Ana; Alves, Deisiane; Cancian, Queli GhilardiAs fronteiras geográficas são linhas visíveis nos mapas, mas a(s) fronteira(s) interna(s) dos indivíduos que habitam essas regiões de contacto cultural constituem territórios muito mais complexos e fluídos. Esses personagens vivenciam o que Homi K. Bhabha (1998) chamou de third space, o terceiro espaço - um lugar de negociação identitária onde as culturas se encontram, se misturam e se transformam, gerando novas formas de subjetividade que não pertencem inteiramente a nenhuma das culturas originais. A análise das fronteiras internas de personagens em regiões de contacto cultural revela um território psicológico complexo, no qual as identidades se fragmentam, se reconstroem e se hibridizam constantemente. O estudo que se apresenta realiza uma exploração teórica sobre várias dimensões dessa experiência fronteiriça: desde os dilemas linguísticos que servem como campos de batalha identitários até às estratégias criativas de “code-switching existencial” que permitem aos personagens navegar em múltiplos mundos culturais. Por exemplo, a literatura chicana/latina oferece exemplos particularmente ricos dessa condição, com autores como Gloria Anzaldúa (2012), Junot Díaz (2009) e Sandra Cisneros (2022) ao criarem personagens que transformam a fragmentação identitária não em déficit, mas numa vantagem epistemológica. Esses personagens desenvolvem o que Anzaldúa (2012) chama de “mestiza consciousness” - uma consciência capaz de sustentar contradições e ambiguidades. Outro aspeto fundamental a considerar é como o ambiente geográfico espelha a geografia interior desses personagens. As paisagens indefinidas das fronteiras físicas refletem a própria indefinição identitária, enquanto a memória funciona como território alternativo em que diferentes temporalidades culturais coexistem. A análise teórica também examina as implicações psicológicas profundas dessa experiência: a ansiedade da autenticidade, o paradoxo de ser simultaneamente insider e outsider em ambas as culturas, e como essa condição pode desenvolver recursos psicológicos únicos como maior flexibilidade cognitiva e inteligência cultural sofisticada. Estamos conscientes de que estes personagens fronteiriços nos ensinam que a identidade é um processo dinâmico de constante negociação, e que a sua “incompletude” cultural se revela como uma forma mais complexa e rica de completude humana.
- Uma visão transdisciplinar de inovação pedagógica e inclusão no ensino superiorPublication . Moreira, Benilde; Costa, Jacinta Casimiro daO presente trabalho de investigação tem o objetivo de apresentar o debate emergente de uma visão transdisciplinar de inovação pedagógica, no processo de inclusão de estudantes no espaço do ensino superior. A abordagem do conceito de inclusão tem vindo a ser, sucessivamente, discutido desde a Declaração de Salamanca numa perspetiva de evidenciar as particularidades do indivíduo e sublinhar o valor inerente do direito à educação como um dos mais importantes corolários do livre desenvolvimento da personalidade. Foi definida uma metodologia transdisciplinar acerca de um procedimento analítico de inclusão e inovação pedagógica a partir de duas áreas disciplinares distintas: o direito e a arte. Por um lado, apresentaram-se os principais referentes para o exercício dos direitos humanos realçando os contextos de multiculturalidade e diferenças que se identificam a partir do ensino superior. Por outro lado, a arte apresentou visões diversificadas de trabalho colaborativo atendendo aos atributos específicos de cada indivíduo. Os grupos de trabalho, compostos por professores do ensino superior, apresentaram soluções, a partir de uma visão de argumentos a favor e contra no âmbito de questões como a liberdade religiosa e a identidade pessoal, a partir do tema da raça com o propósito de refletir sobre a autonomia da vontade. Do diálogo apresentado foi possível evidenciar alguns padrões de resistência ao processo de inclusão de estudantes quando se considera o processo regulatório institucional. Porém, a partir da expressão da arte verificou-se uma articulação mais harmoniosa das diferenças individuais.
