Percorrer por autor "Alves, Deisiane"
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- Diálogo entre culturas: a Cultura Indígena como resposta à dominação cultural na interlocução entre Enrique Dussel e Paulo FreirePublication . Alves, Deisiane; Cancian, Queli Ghilardi; Mesquita, ElzaNeste artigo analisamos o entrelaçamento entre cultura e educação, considerando os aspectos históricos que se relacionam a ambas no contexto brasileiro, desde os processos colonizadores, cujos elementos permearam a formação da identidade nacional. Processos estes que invisibilizaram a Cultura Indígena, seus saberes e tradições, elementos aqui destacados, como forma de contar uma outra história. Para tanto, nos embasamos na revisão bibliográfica, a partir da interlocução entre Enrique Dussel e Paulo Freire, ícones dos estudos pós-coloniais e decoloniais, que enfatizaram ao longo de toda sua trajetória, a dominação cultural exercida pelos processos colonizadores e a necessária identificação e libertação desta.
- Diálogo entre saberes no ensino de ciências: astronomia cultural e educação científica humanizadora na formação de estudantes da pedagogiaPublication . Cancian, Queli Ghilardi; Alves, Deisiane; Mesquita, Elza; Gonçalves, VitorA valorização do saber tradicional indígena consiste, em primeira instância, no reconhecimento do seu valor social. Assim, o ensino de ciências, pautado na abordagem da Educação Científica Humanizadora, fundamentada essencialmente pelo ideário de Paulo Freire, consiste na promoção da formação reflexiva do futuro docente. Consequentemente, este estudo procura responder ao seguinte questionamento: Como é que doze estudantes de pedagogia, no ano de 2023, perceberam e diferenciaram a abordagem do saber científico e do saber tradicional indígena? Como objetivo, se estabeleceu a investigação da eficácia da Sequência de Ensino Investigativo, embasada pela Educação Científica Humanizadora, pautada na abordagem da Astronomia Cultural. Trata-se de um estudo de caso que partiu de uma revisão bibliográfica, com abordagem qualitativa, exploratória descritiva, para analisar e discutir os dados coletados à luz da Análise Textual Discursiva. Os resultados evidenciaram insights significativos, considerando a integração dos saberes indígenas no Ensino de Ciências, destacando a necessidade de um ensino que transcenda as barreiras disciplinares e valorize as culturas locais.
- Fronteiras identitárias: o território da(s) alma(s) dividida(s)Publication . Mesquita, Elza; Freire-Ribeiro, Ilda; Pereira, Ana; Alves, Deisiane; Cancian, Queli GhilardiAs fronteiras geográficas são linhas visíveis nos mapas, mas a(s) fronteira(s) interna(s) dos indivíduos que habitam essas regiões de contacto cultural constituem territórios muito mais complexos e fluídos. Esses personagens vivenciam o que Homi K. Bhabha (1998) chamou de third space, o terceiro espaço - um lugar de negociação identitária onde as culturas se encontram, se misturam e se transformam, gerando novas formas de subjetividade que não pertencem inteiramente a nenhuma das culturas originais. A análise das fronteiras internas de personagens em regiões de contacto cultural revela um território psicológico complexo, no qual as identidades se fragmentam, se reconstroem e se hibridizam constantemente. O estudo que se apresenta realiza uma exploração teórica sobre várias dimensões dessa experiência fronteiriça: desde os dilemas linguísticos que servem como campos de batalha identitários até às estratégias criativas de “code-switching existencial” que permitem aos personagens navegar em múltiplos mundos culturais. Por exemplo, a literatura chicana/latina oferece exemplos particularmente ricos dessa condição, com autores como Gloria Anzaldúa (2012), Junot Díaz (2009) e Sandra Cisneros (2022) ao criarem personagens que transformam a fragmentação identitária não em déficit, mas numa vantagem epistemológica. Esses personagens desenvolvem o que Anzaldúa (2012) chama de “mestiza consciousness” - uma consciência capaz de sustentar contradições e ambiguidades. Outro aspeto fundamental a considerar é como o ambiente geográfico espelha a geografia interior desses personagens. As paisagens indefinidas das fronteiras físicas refletem a própria indefinição identitária, enquanto a memória funciona como território alternativo em que diferentes temporalidades culturais coexistem. A análise teórica também examina as implicações psicológicas profundas dessa experiência: a ansiedade da autenticidade, o paradoxo de ser simultaneamente insider e outsider em ambas as culturas, e como essa condição pode desenvolver recursos psicológicos únicos como maior flexibilidade cognitiva e inteligência cultural sofisticada. Estamos conscientes de que estes personagens fronteiriços nos ensinam que a identidade é um processo dinâmico de constante negociação, e que a sua “incompletude” cultural se revela como uma forma mais complexa e rica de completude humana.
