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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10198/5799

Título: A sexualidade do adolescente: a perspectiva do profissional de enfermagem dos cuidados de saúde primários
Autor: Brás, Manuel
Palavras-chave: Adolescência
Sexualidade
Enfermagem
Cuidados de saúde primários
Issue Date: 2008
Editora: ICBAS
Citação: Brás, Manuel (2008) - A sexualidade do adolescente: a perspectiva do profissional de enfermagem dos cuidados de saúde primários. Porto: Universidade do Porto. Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Tese de Doutoramento em Ciências de Enfermagem
Resumo: A sexualidade humana é algo indissoluvelmente ligado à natureza humana, sendo tão primitiva quanto ela, evoluindo tal como o próprio homem, adaptou-se à sua complexidade e realidade. Por aquela ocorrer regra geral na intimidade, os pontos de referência são raros e com frequência distorcidos. Exactamente por este motivo o comportamento sexual é, pensamos, terreno fértil para a existência de inúmeros tabus. Em pleno século XXI, teima em ser tema de difícil abordagem, pois persiste a existência de um conjunto de factores que condicionam e que também inibem a expressão dos pensamentos e atitudes bem como das próprias práticas (Sousa Brigite Lopes; Ferreira Sandra Jorge 2003; Vaz J. Machado et al., 2007). Optamos por esta temática porque à semelhança de Almeida, (1996:19) “constitui um desafio, uma vez que reflectir sobre esta esfera do conhecimento é quase como apostar numa corrida contra o tempo, principalmente se tivermos consciência das rápidas transformações das vivências, dos conceitos e dos discursos que se prendem quer com a sexualidade quer com a adolescência”. A informação sexual dos adolescentes é regra geral reduzida e não raras vezes incorrecta. Muita da informação que os jovens conseguem, é adquirida através do grupo de amigos, irmãos mais velhos e meios de comunicação social. A escassa informação que possuem, tem frequentemente muitas lacunas o que vem aumentar as dificuldades dos jovens no tocante à sua própria sexualidade (Miguel Nuno, 1994; Andrade Isabel, 1996; Marques António et al., 2000; Macpherson Ann, 2001; Sampaio Daniel, 2006; Vaz J. Machado et al., 2007). Desta forma procuramos perspectivar o desenvolvimento sexual do jovem adolescente, inserido no contexto geográfico, histórico e cultural português e, particularmente, a importância que os profissionais de enfermagem dos cuidados de saúde primários, concedem à sexualidade dos jovens adolescentes, com quem diariamente privam no âmbito da sua actividade profissional. Sexualidade e educação sexual são dois aspectos que o profissional de enfermagem dos cuidados de saúde primários, deve ter em linha de conta. As necessidades de saúde dos adolescentes revestem-se de características muito peculiares, que são eco do processo de crescimento e desenvolvimento com que se entrelaçam. A conquista de conhecimentos, a reorganização da identidade pessoal representa necessidades cognitivas que paralelamente às motivações de carácter estético, afectivo e sexual merecem especial atenção e apreço (Andrade Isabel, 1996; Prazeres Vasco, 1998; Marques António et al., 2000, Macpherson Ann, 2001; Sampaio Daniel, 2006; Vaz J. Machado et al., 2007). As exigências de saúde têm nestas idades expressões ímpares, mercê do meio e da conjuntura de vida de cada jovem. As suas condutas envolvem muitas vezes riscos de cariz biológico, psicológico e social. Estes aspectos justificam que as acções dinamizadas pelos profissionais de enfermagem dos cuidados de saúde primários na promoção da saúde infanto-juvenil sejam presididas, pela valorização das componentes psicossocial das necessidades de cariz biológico ou vice-versa (Andrade Isabel, 1996; Prazeres Vasco, 1998; Grande Nuno, 1999; Marques António et al., 2000; Macpherson Ann, 2001; Sampaio Daniel, 2006; Vaz J. Machado et al., 2007). Com o objectivo de procurar identificar conhecimentos, comportamentos atitudinais, opiniões e valores dos profissionais de enfermagem dos cuidados de saúde primários, face à sexualidade dos adolescentes em Portugal, desenvolvemos um estudo de cariz misto (quantitativo e qualitativo) e transversal, em 1735 profissionais de enfermagem de 226 Centros de Saúde das 18 Sub-Regiões de Saúde do Continente e das 2 Secretarias Regionais de Saúde das Regiões Autónomas da Madeira e Açores. A análise dos resultados obtidos sugere que, a idade média dos enfermeiros inquiridos é de 39 anos (o que corresponde à moda). Pela análise da mediana, observamos que (50%) dos enfermeiros tem entre 22 e 37 anos e os outros (50%) têm entre 37 e 68 anos de idade. Dos inquiridos, (93,3%) são do sexo feminino, enquanto que (6,7%) são do sexo masculino. Dos inquiridos podemos ver que (7,5%) provêm das ilhas e (92,5%) do continente. A habilitação académica mais frequente nos enfermeiros inquiridos é a licenciatura em (47,1%). A maioria dos enfermeiros (79,9%) frequentou o ensino público, enquanto que (20,1%) frequentaram o ensino privado. 67,3% dos enfermeiros inquiridos considera que a sua Escola não lhe proporcionou formação adequada sobre sexualidade e que esta não é significativamente independente da Sub-região de Saúde. Os enfermeiros especialistas ou chefes tem uma idade entre 36 e 55 anos e entre 16 a 40 anos de profissão, tem especializações e/ou mestrado e filhos adolescentes. A esmagadora maioria dos enfermeiros (89,9%) diz lidar habitualmente com adolescentes, também depreendemos que lidar habitualmente com adolescente não é significativamente independente da Região de Saúde onde o enfermeiro exerce actividade (2=23,254; g.l.=6; P <0,001***). Dos enfermeiros inquiridos (85,2%), referem que o grupo etário que mais procura os serviços de saúde por problemas de índole sexual é o de jovens maiores de 15 e menores de 20 anos do sexo feminino (85,9%) sendo que estes variam de Região para Região de Saúde. A contracepção é para a esmagadora maioria dos enfermeiros (95,0%), o assunto mais frequentemente colocado pelos adolescentes. Dos inquiridos 88,5% não possui formação específica sobre sexualidade, também este tipo de formação difere de umas para outras Sub-regiões de Saúde (2=54,054; g.l.=19; P <0,001***). Dos enfermeiros que possuem formação específica sobre sexualidade, (34,7%) adquiriram-na em cursos de formação pós-básica especializada. A maioria dos enfermeiros (62,3%), considera que as crenças e valores dos pais e da sociedade influenciam a liberdade sexual dos adolescentes este tipo de opinião também é diferente segundo as Sub-regiões de Saúde (2=130,99; g.l.=57; P <0,001***). Para os enfermeiros inquiridos os dois principais agentes de socialização do jovem são: a família e o grupo de pares. A maioria dos enfermeiros (86,5%), é de opinião que os amigos são as pessoas com quem os adolescentes falam mais facilmente sobre sexualidade e pensam que eles estão pouco informados sobre a sua sexualidade e bem como sobre métodos contraceptivos. A maior parte dos enfermeiros (77,2%), considera que os adolescentes recorrem habitualmente ao grupo como estratégia de reacção aos seus problemas de índole sexual. Modalmente, (67,1%) dos enfermeiros são de opinião que quando os adolescentes pensam na sexualidade, pensam fundamentalmente na sua própria sexualidade. A maioria dos enfermeiros (55,4%) é de opinião que é preferencialmente à família a quem mais compete a informação, educação e comunicação sobre sexualidade aos jovens adolescentes. A maioria dos inquiridos é de opinião que a idade da primeira relação sexual é cada vez mais precoce, mas no entanto existe uma maior tendência em afirmar que a idade da primeira relação sexual dos rapazes se tem mantido. Das hipóteses de investigação formuladas, verificamos a existência de relação entre: H1 – A formação sobre sexualidade proporcionada pela escola aos inquiridos versus a idade e o tipo de escola frequentada. H2 – O hábito dos inquiridos em lidar habitualmente com os adolescentes versus a idade e categoria profissional. H3 – A formação específica dos enfermeiros inquiridos para lidar com adolescentes versus a idade, categoria profissional, ter filhos adolescentes, hábito e obtenção de informação para lidar com adolescentes. H4 – O possuir formação específica sobre sexualidade por parte dos inquiridos versus a idade, local de residência, habilitações, ter formação de base sobre sexualidade, ter filhos adolescentes, hábito de lidar habitualmente com adolescentes e ter formação específica para lidar com adolescentes. H5 – A opinião dos inquiridos sobre o agente de socialização mais importante nos papéis sexuais do jovem adolescente versus a idade, estado civil, local de residência, habilitações, formação específica para lidar com adolescentes e formação específica sobre sexualidade. H6 – A opinião que os enfermeiros inquiridos têm sobre a informação dos adolescentes acerca da sexualidade versus o local de residência e a existência de conhecimentos sobre sexualidade aquando da iniciação sexual. H7 – A opinião que os enfermeiros têm sobre o esclarecimento dos adolescentes quanto ao uso de métodos contraceptivos versus o local de residência e a sua opinião sobre a informação dos adolescentes acerca da sexualidade. H8 – A opinião dos enfermeiros sobre o valor que os adolescentes dão à primeira relação sexual versus a idade, sexo, habilitações académico-profissionais. H9 – A opinião dos enfermeiros sobre a masturbação na adolescência versus a idade e sexo. H10 – A opinião dos enfermeiros acerca de falar sobre sexualidade aos jovens adolescentes versus a idade, sexo, local de residência, tipo de escola frequentada, formação específica para lidar com adolescentes. H 11 – A opinião dos enfermeiros sobre os grandes problemas dos adolescentes com 10-14 e 15 - 19 anos na esfera da sexualidade versus o local de residência.
Arbitragem científica: yes
URI: http://hdl.handle.net/10198/5799
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