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Orientador(es)
Resumo(s)
Ainda que o conceito de sustentabilidade não seja recente, ganhou relevância maior na última parte do século XX (Larrinaga & Bebbington, 2021), em que se começou a assumir a necessidade de entrar em rutura com os objetivos económicos e industriais que frequentemente priorizavam a perspetiva económica sobre as preocupações ambientais e sociais. Ainda que intrinsecamente ligada a várias particularidades da sociedade e da economia, só à medida que os efeitos perigosos da industrialização e do consumo excessivo se tornaram mais evidentes é que foi crescendo a consciencialização para a necessidade de tomar medidas para a promover (Longyu, Linwei, Fengmei, & Lijie, 2019). Os grandes desafios globais, que têm na sua base as mudanças climáticas, a degradação ambiental, as desigualdades socioeconómicas ou a escassez de recursos, destacam a necessidade urgente de adotar abordagens sustentáveis em todas as esferas da vida humana (Nascimento, 2014).
Ao longo das últimas décadas vêm-se observando mudanças constantes na sociedade, com particular destaque para os diversos problemas ambientais e sociais criados pelas empresas (Larrinaga & Bebbington, 2021) e, de entre muitas outras razões, na sua origem encontra-se, fundamentalmente, a ineficiência na utilização de recursos naturais para satisfazer as necessidades de uma população com um elevado nível de consumo (Vieira, Silva, Junior, & Mattos, 2020). A sustentabilidade busca um equilíbrio entre os aspetos ambientais, sociais e económicos das nossas atividades, reconhecendo que esses aspetos estão interligados e se influenciam mutuamente. Na sua essência, busca estabelecer um equilíbrio entre as necessidades presentes e futuras, assegurando que tanto as gerações atuais como as gerações vindouras possam desfrutar de um planeta saudável, sociedades justas e economias prósperas (Buallay, 2020).
É uma abordagem multifacetada e que requer ações em diversos campos e setores capazes de contribuir para um meio ambiente mais saudável e para promover a equidade social e a prosperidade económica a longo prazo (Tettamanzi, Venturini, & Murgolo, 2022). No contexto ambiental, a sustentabilidade promove a conservação dos recursos naturais, a proteção da biodiversidade e a mitigação dos impactos negativos das atividades humanas no meio ambiente. Isso envolve a adoção de práticas responsáveis de uso da terra, gestão eficiente de resíduos, redução da poluição e a transição para fontes de energias renováveis, com vista a preservar os ecossistemas e minimizar as mudanças climáticas (Kurpierz & Smith, 2020). No âmbito social, a sustentabilidade aborda questões de justiça, equidade e inclusão, com o objetivo de garantir que todas as pessoas, independentemente de sua origem, género, raça ou classe social, tenham acesso a condições de vida dignas, educação de qualidade, cuidados de saúde adequados e oportunidades de emprego. A promoção da igualdade de direitos, o respeito à diversidade cultural e o empoderamento das comunidades são aspetos cruciais da sustentabilidade social (Villiers & Sharma, 2020). No campo económico, a sustentabilidade implica repensar o modelo de desenvolvimento tradicional, tendo em conta não apenas o crescimento económico puro, mas também os impactos sociais e ambientais derivados dessas atividades económicas (Buallay, 2020). A busca por uma economia mais sustentável envolve práticas de produção e consumo responsáveis, investimentos em tecnologias limpas, incentivos para a inovação e a criação de oportunidades de negócios que contribuam para o bem-estar coletivo a longo prazo (Longyu, Linwei, Fengmei, & Lijie, 2019).
Para lidar com os desafios globais emergentes e garantir um planeta próspero e saudável para todos, o progresso nesse sentido é crucial, pelo que são cada vez mais os investidores e partes interessadas atentos à forma como as empresas lidam com a sustentabilidade (Villiers & Sharma, 2020). Por outro lado, considerando o potencial de estabilidade a longo prazo e os efeitos positivos na sociedade e no meio ambiente, empresas que demonstram práticas sólidas no âmbito dos diferentes pilares da sustentabilidade podem ser mais atraentes para os investidores (Shalhoob & Hussainey, 2022). É neste âmbito que se desenvolve este trabalho, tendo como objetivo analisar os desafios da sustentabilidade e, mais especificamente, analisar a estrutura de relato da sustentabilidade das empresas cotadas na Euronext Lisboa que integram o PSI-20 e, nesse âmbito, identificar o nível de compreensão acerca dos seus impactos ambientais, como estão a relatá-los e que fatores influenciam a sua divulgação, para o efeito, foi realizada uma análise documental, com recurso a fontes de dados secundárias, mais especificamente os relatórios e divulgações emanadas por essas empresas, para se identificar a sua estrutura de relato, em termos de evolução e tipologia ao longo de 5 anos, para os anos de 2017 a 2021, inclusive.
Os resultados mostram que as empresas portuguesas ainda não atingiram todo o potencial dos relatórios de sustentabilidade e têm muito a melhorar para produzir relatórios competitivos, apesar da adesão geral a essa prática. O relato de sustentabilidade em Portugal está em desenvolvimento, com empresas elaborando relatórios para comunicar seu desempenho financeiro, social e ambiental aos stakeholders. No entanto, a pesquisa sobre o estado atual desse relato é escassa. As conclusões sugerem que, embora haja uma tendência crescente no relato de sustentabilidade, isso é mais evidente em grandes empresas ou aquelas focadas especificamente na sustentabilidade. A divulgação de informações tende a ser mais qualitativa, indicando que muitas empresas encaram o relato como uma ferramenta de marketing, em vez de um meio para demonstrar práticas de criação de valor a longo prazo. Isso sugere uma preocupação mais com informar do que com convencer os stakeholders sobre seus investimentos em sustentabilidade.
Descrição
Palavras-chave
Sustentabilidade PSI GRI Responsabilidade Ambiental Divulgação Voluntária
Contexto Educativo
Citação
Gomes, Nuno; Pires, Amélia M.M. (2024). O relato da sustentabilidade nas empresas do PSI 20. In I Jornadas AFROCIÊNCIAS. ISBN: 978-972-745-336-8
