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Abstract(s)
Muitas populações habitam em regiões montanhosas, convivendo ao longo de várias gerações com os perigos associados à seca, erosão, incêndios florestais e deslizamentos de terra [1]. Atualmente, apesar de a maioria das populações ter percepções mais favoráveis sobre as consequências dos perigos naturais, em boa verdade continuamos a ter um número crescente de pessoas que visitam, viajam e/ou habitam regiões montanhosas cuja vulnerabilidade vai aumentando e vão ficando expostas a níveis crescentes de risco [1].
A compreensão dos perigos e desastres assenta no conhecimento mútuo das dimensões humana e biogeofísica [2], bem como do modo como estas impactam o ecossistema. As regiões montanhosas são ativas geofísica e hidrologicamente, suportam uma vasta diversidade paisagística e integram diversos ecossistemas e muitas espécies de fauna e flora. Devido à heterogeneidade das regiões montanhosas, existem diversos perigos naturais, que se destacam pela fragilidade de seus ecossistemas, pela baixa densidade populacional, pelo crescente abandono do território e pela composição dos seus sistemas sociais.
A adicionar a todas essas características, diversos estudos têm identificado as alterações climáticas como um dos fatores mais determinantes na frequência e intensidade dos desastres [3]. Desta forma, a gestão dos riscos naturais e a adaptação às alterações climáticas são essenciais para a proteção dos ecossistemas e das populações.
No sudoeste da Europa existem áreas montanhosas que abrangem parte do espaço territorial de Portugal, Espanha, Andorra e França [4]. As principais cadeias montanhosas são a Ibéria, os Pirinéus, os maciços franceses e os Alpes.
Portanto, o principal objetivo deste documento é fornecer uma visão geral do estado da arte dos perigos naturais na região montanhosa do SUDOE e das estratégias atuais usadas para lidar com desastres, bem como destacar alguns dos efeitos das alterações climáticas. Este documento encontra-se estruturado em duas partes principais: i) revisão da base de dados EM-DAT para identificar os principais desastres nos países que integram a região SUDOE; ii) análise de projetos disponíveis em bases de dados de programas de financiamento europeu. Além disso, também foram utilizadas ferramentas de apoio à busca de termos e definições diretamente relacionadas com o nosso foco de estudo. Com base nesses projetos, destaca-se o facto de 72% dos projetos selecionados envolverem parceiros de mais do que um país.
Constatamos que os desastres na região aumentaram aproximadamente 26% nas últimas quatro décadas, sendo os desastres meteorológicos os mais representativos, com 16, 33 e 87 eventos registados em Portugal, Espanha e França, respetivamente. A onda de calor foi o evento mais mortífero no período estudado, sendo responsável por 95% das mortes em Espanha, 76% em Portugal e 68% em França. No entanto, em Andorra, as avalanches de neve foram o fenómeno que mais contribuiu para a mortalidade no país, com 18 mortes desde 1975.
Além disso, os incêndios florestais têm merecido especial atenção, pois a maioria das boas práticas abordam esse tipo de perigo por meio de queimadas prescritas, pastoreio de animais e deteção precoce de incêndios florestais.
Description
Keywords
Montanhas Desastres naturais Incêndios florestais Erosão
Pedagogical Context
Citation
Fandiño, Isabella; Cipoli, Yago; Furst, Leonardo; Komac, Benjamin; Terrádez, Juan; Feliciano, Manuel (2023). Riscos naturais e gestão de riscos de desastres em regiões montanhosas do sudoeste da Europa: Projeto MONTCLIMA
