Teses de Mestrado ESSa
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Browsing Teses de Mestrado ESSa by Sustainable Development Goals (SDG) "10:Reduzir as Desigualdades"
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- Avaliação da capacidade funcional e qualidade de vida da pessoa com Doença Parkinson - Estudo exploratórioPublication . Pinheiro, Mónica Felícia Fernandes; Novo, André; Loureiro, Maria de Fátima de SequeiraA Doença de Parkinson tem impacto progressivo na capacidade funcional e qualidade de vida. Em Portugal, a prevalência estimada aumentou de 180 casos/100.000 habitantes em 2017 para cerca de 480/100.000 em 2024, realçando a importância do estudo. Objetivo: Avaliar a capacidade funcional e qualidade de vida das pessoas com doença de Parkinson. Métodos: Estudo exploratório quantitativo com amostragem não probabilística por “bola de neve”. Foram aplicados os questionários Parkinson’s Disease Questionnaire-39 e Escala de Fadiga de Parkinson-16, bem como testes funcionais: Prova de Marcha de 6 Minutos, Escala de Equilíbrio de Berg, Teste de Sentar e Levantar, Escala de Hoehn e Yahr e Teste Timed Up and Go. Critérios de inclusão: diagnóstico confirmado, estágio ≤3 na Escala de Hoehn e Yahr, idade >18 anos, período “ON” da medicação dopaminérgica e capacidade para responder aos questionários. Resultados: A amostra foi composta por 10 indivíduos (9 homens e 1 mulher) com idade média de 62 anos, os quais apresentavam mobilidade e força muscular reduzidas. Observaram-se correlações significativas entre a pior qualidade de vida e os seguintes fatores: menor capacidade de marcha (ρ = -0,857; p = 0,002), maior fadiga (ρ = 0,854; p = 0,002) e maior tempo gasto no teste de sentar-levantar cinco (ρ = 0,924; p < 0,001). Adicionalmente, a capacidade de marcha apresentou uma correlação positiva com o equilíbrio (ρ = 0,753; p = 0,012) e correlações negativas com a fadiga (ρ = -0,705; p = 0,023) e com o tempo no teste de sentar-levantar (ρ = -0,782; p = 0,008). Conclusão: Os resultados sugerem uma forte associação entre a capacidade funcional e a qualidade de vida na Doença de Parkinson. Com base nestes achados, recomenda-se a implementação de intervenções de enfermagem de reabilitação com foco na melhoria da marcha, equilíbrio, força muscular e gestão da fadiga e a importância de integrar estas intervenções na prática clínica, com recurso a instrumentos de avaliação validados. Apesar da dimensão da amostra, os dados obtidos alinham-se com a evidência existente.
- Avaliação da dispneia em doentes ventilados mecanicamente num Serviço de Medicina IntensivaPublication . Lopes, Joana Isabel Moura; Mendes, Eugénia; Matos, TâniaA dispneia é um sintoma multifatorial, e só pode ser descrito pela pessoa que o está a experienciar. Em doentes incapazes de verbalizar desconforto, seja por alteração do estado de consciência, seja por uso de ventilação mecânica invasiva, a avaliação correta da dispneia torna-se um desafio para os profissionais de saúde envolvidos. A utilização de escalas adaptadas à avaliação da dispneia torna-se fundamental para a prevenção de situações potencialmente traumáticas, tal como a sensação de “air hunger”- “fome de ar”. Objetivos: Demonstrar a existência de dispneia em doentes mecanicamente ventilados nesta população do SMI; compreender a correlação entre a dispneia e fatores sociodemográficos e clínicos; demonstrar a importância do uso de ferramentas para a avaliação da dispneia com o intuito principal de promover conforto e segurança ao doente no SMI. Métodos: Estudo quantitativo descritivo onde foi utilizada a RDOS (Respiratory Distress Observation Scale) para avaliação da dispneia. Foi também criada uma grelha de registo de dados clínicos e sociodemográficos. Resultados: Com a aplicação da RDOS, observou-se que os valores obtidos variaram entre um mínimo de 0 e 8 pontos, obtendo uma média de 3,1 pontos com um desvio padrão de 2,4 pontos. Concluiu-se que 44,4% dos doentes incluídos no estudo não apresentou dispneia, 16,7% dispneia ligeira, 27,8% dispneia moderada e 11,1% dispneia severa, correspondendo a uma taxa de doentes com dispneia de 55,6%. Conclusão: Com este projeto de investigação, podemos concluir que os doentes com dispneia severa são doentes com um perfil idoso e com antecedentes cardiovasculares prévios. Os doentes com categoria de admissão cirúrgica de urgência, os doentes com maior sedação, e com RASS (Richmond Agitation and Sedation Scale) compreendido entre -2 e -1 apresentam valores de dispneia moderada. Os doentes com dispneia ligeira são sobretudo admitidos ao Serviço de Medicina Intensiva com categoria diagnóstica médica. Por fim, os doentes sem dispneia têm idade inferior a 71 anos, sem antecedentes cardiovasculares, sem sedação e com RASS 0.
- Avaliação da Terapêutica Farmacológica e da Qualidade de Vida em Doentes com Artrite ReumatóidePublication . Patrocínio, Cátia Sofia Francisco; Pereira, Olívia R.; Lameiras, Emanuel Onofre SerraA Artrite Reumatóide (AR) é uma doença inflamatória com impacto significativo na qualidade de vida (QV) dos doentes. A sua cronicidade e incapacidade exige terapêuticas eficazes, acompanhamento regular e medidas complementares de autocuidado. Neste contexto, a terapêutica farmacológica tem um papel importante e é essencial compreender de que forma fatores como a adesão e satisfação com o tratamento, a atividade da doença e a dor se refletem no bem-estar destes doentes. Objetivo: Avaliação da terapêutica farmacológica e da qualidade de vida em doentes com AR, considerando fatores como adesão e satisfação com o tratamento, bem como a atividade da doença e a dor. Metodologia: Foi realizado um estudo exploratório, transversal e descritivo-correlacional, aos doentes com AR acompanhados nas consultas de Reumatologia da Unidade Local de Saúde do Nordeste E.P.E. (ULSNe), selecionados por conveniência, de acordo com a disponibilidade demonstrada nas consultas e o tempo definido para a recolha de dados. Foram recolhidos dados sociodemográficos e dados relativos à terapêutica medicamentosa. Para a avaliação da adesão ao tratamento, foi aplicada a escala MAT; a satisfação com o tratamento foi avaliada através da aplicação do questionário validado TSQM e foram recolhidos dados terapêuticos que permitiram a caracterização da terapêutica e a aplicação do ICFT. A qualidade de vida foi avaliada com recurso à aplicação do questionário EQ-5D-3L. Por fim, os dados sobre a atividade da doença e a intensidade da dor foram fornecidos pela equipa médica, obtidos através do DAS28 PCR e EVA, respetivamente. Para o tratamento estatístico dos dados foi utilizado o software IBM de tratamento de dados Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 30.0.0. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética da ULSNe e foram atendidos os princípios éticos para a investigação definidos na Declaração de Helsínquia e suas adendas. Resultados: Foram inquiridas 61 pessoas (de um total de 270 doentes), em que a maioria é do sexo feminino, a média de idades é de 65 anos (DP= 12,3) e o 1.º ciclo é o nível de escolaridade mais frequente. Os medicamentos mais utilizados relacionados diretamente com a doença são os medicamentos antirreumáticos modificadores da doença (DMARDs) como o metotrexato, seguidos dos anti-anémicos como o ácido fólico, dos medicamentos que atuam diretamente no osso e no metabolismo do cálcio (este grupo inclui bifosfonatos, cálcio e vitamina D), dos glucocorticóides e dos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). Na análise das correlações de Spearman, observou-se que a satisfação com o tratamento está associada a maior adesão terapêutica e melhor qualidade de vida, sobretudo quando os doentes percecionam maior eficácia e conveniência da terapêutica. Por outro lado, níveis mais elevados de dor e maior atividade da doença associaram-se a pior qualidade de vida. Conclusão: Neste estudo, a satisfação com o tratamento é um fator importante para a adesão à terapêutica e qualidade de vida, enquanto a dor e a atividade da doença permanecem determinantes negativos do estado de saúde.
- Conhecimentos e fatores de risco para o desenvolvimento do cancro da boca, faringe e laringe em estudantes universitários da Guiné-BissauPublication . Correia, Elisio João da Silva; Almeida-de-Souza, Juliana; Podestá, Olívia Galvão deOs cancros da boca, laringe e faringe são neoplasias com fatores de risco semelhantes, que incluem o contacto com o fumo do tabaco, o álcool das bebidas alcoólicas ou agentes infeciosos como o vírus do papiloma humano (HPV). O consumo de alimentos antioxidantes, uma boa higiene oral, hábitos de atividade física e controlo do peso são considerados fatores protetores destes cancros. O conhecimento destes fatores, protetores e de risco, são importantes para a prevenção destas neoplasias. Esta dissertação tem como o objetivo identificar os conhecimentos e os fatores de risco para o desenvolvimento destas patologias em estudantes universitários da Guiné-Bissau, bem como propor uma escala de pontuação teórica para sensibilizar para o risco de cancro da boca, laringe e faringe e estudar as associações da escala do risco com os conhecimentos. Para atingir os objetivos propostos, foi realizado um estudo observacional-transversal, descritivo, quantitativo e analítico, por meio de um questionário online junto dos estudantes inscritos na Universidade Lusófona da Guiné-Bissau, em Bissau. Um total de 288 estudantes integraram a amostra, com uma idade média de 24,7 anos e a maioria (99,7%) de nacionalidade guineense. A maior parte dos estudantes referiu espontaneamente que hábitos tabágicos (52,4%) e hábitos alcoólicos (41%) são fatores de risco para o cancro da boca, laringe e faringe. Numa questão fechada, os estudantes disseram que “Sim, tenho a certeza” que hábitos tabágicos (62,5%), hábitos alcoólicos (56,6%), hábitos de higiene oral (37,2%) e hábitos alimentares não saudáveis (34,7%) são fatores de risco para estas patologias. O principal fator de risco de desenvolverem cancro da boca, laringe e faringe nestes estudantes são o elevado risco de contágio com vírus do papiloma humano (HPV), uma vez que 90,6% não tomaram a vacina contra o HPV, a maioria pratica sexo oral sem preservativo (67,4%) e muito têm múltiplos parceiros para esta prática (38,5%). Outros fatores de risco elevados nesta amostra é não realizar visitas anuais ao dentista (65,6%), não cumprir as recomendações de atividade física moderada a vigorosa da Organização Mundial de Saúde (47,8%), não consumir alimentos protetores diariamente, como hortícolas (22,9%), frutas (21,2%), frutas cítricas (31,3%) e café (5,2%). Uma escala teórica para a sensibilização dos fatores de risco de cancro da boca, laringe e faringe com 7 dimensões e pontuação máxima de 70 pontos foi proposta. A mediana do risco calculada foi de 20,5 pontos. A maioria dos estudantes (77,4%) foi categorizado com um risco baixo (0 a 23,6 pontos), no entanto 22,6% dos alunos tiveram um risco intermédio. Os estudantes que relatam mais conhecimentos espontâneos também são os que apresentam um menor risco, avaliada através da pontuação da escala teórica total (Rho=-0,268, p<0,001) e parciais para hábitos tabágicos (Rho=-0,221, p<0,001) e hábitos alimentares saudáveis (Rho=-0,200, p<0,001). A maior parte dos estudantes universitários da Guiné-Bissau desta amostra têm conhecimentos limitados dos fatores de risco para o cancro da boca, laringe e faringe. Os principais fatores de risco são o elevado risco de contágio com o HPV. Estes estudantes ainda podem melhorar os seus hábitos de higiene oral, alimentares e de atividade física. Aqueles estudantes que demonstraram ter maiores conhecimentos espontâneos, tiveram menores pontuações na escala do risco proposta, tanto para o total quanto para os parciais de hábitos tabágicos e de hábitos alimentares saudáveis. Medidas de Saúde Pública que promovam melhores hábitos de higiene oral e alimentares, bem como que reduzam o risco de contágio com o HPV são necessárias nesta população para potenciar um menor risco de desenvolver a doença. Ainda, mais estudos para a escala de avaliação do risco de cancro da boca, laringe e faringe seria importante, de forma a implementar como medida de sensibilização para o risco.
- Contributos da reabilitação cardíaca na melhoria da qualidade de vida na pessoa com insuficiência cardíacaPublication . Gomes, Mayara Solange Rodrigues; Gomes, Maria JoséA insuficiência cardíaca é uma condição crónica e progressiva que compromete a função cardíaca e impacta negativamente a qualidade de vida e a autonomia das pessoas. A reabilitação cardíaca, especialmente através do exercício físico, tem demonstrado benefícios significativos na melhoria da capacidade funcional e diminuição da morbimortalidade. No entanto, barreiras como o desconhecimento dos benefícios, fatores psicossociais e limitações dos sistemas de saúde dificultam a implementação e adesão a estes programas. Objetivo: Mapear na evidência científica os contributos da reabilitação cardíaca na melhoria da qualidade de vida na pessoa com insuficiência cardíaca. Métodos: Trata-se de uma revisão de escopo utilizando as diretrizes da JBI (Joanna Briggs Colaboration). As bases de dados utilizadas na pesquisa foram MEDLINE e a Scopus importados para o RAYYAN, a literatura cinzenta foi feita na Open acess and dissertations e a Biblioteca digital brasileira teses e dissertações. Foram considerados estudos em pessoas com Insuficiência cardíaca, com abordagem na reabilitação cardíaca e publicados nos últimos 5 anos em português e inglês. Resultados: Foram identificados 195 estudos no total, após a triagem e seleção 10 estudos foram incluídos na revisão. Os principais resultados encontrados foram, diminuição de internamentos, da morbimortalidade, aumento da autonomia na realização das atividades diárias, melhoria da capacidade funcional e emocional que consequentemente melhoram o bem-estar e a qualidade de vida. Conclusão: Apesar das limitações metodológicas, este trabalho permitiu identificar lacunas significativas no contexto prático da prestação de cuidados principalmente em situações de recursos limitados, apesar da elevada prevalência de doenças cardiovasculares. A investigação reforça a importância do enfermeiro de reabilitação como elemento-chave na promoção da educação para a saúde, adesão ao tratamento, autogestão da doença e melhoria da qualidade de vida da pessoa com insuficiência cardíaca. É urgente investir na formação de profissionais, criação de serviços adaptados à realidade local e desenvolvimento de políticas públicas que integrem a reabilitação cardíaca como componente essencial no cuidado cardiovascular.
- Desenvolvimento e Validação de um Instrumento de Recolha de Dados sobre a Manipulação de Citotóxicos em Unidades HospitalaresPublication . Freitas, Cristiana Alexandra Rendeiro; Pereira, Olívia R.; Moreira, Fernando Xavier FerreiraA manipulação de fármacos citotóxicos em farmácia hospitalar representa um risco ocupacional relevante, sobretudo para os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) da área da farmácia. Apesar das recomendações internacionais, em Portugal não existe um instrumento validado que permita avaliar práticas, condições de trabalho e medidas de proteção associadas a esta atividade. Objetivo: Desenvolver e validar um Instrumento de Recolha de Dados (IRD) capaz de caracterizar, de forma sistemática, a realidade nacional relativamente à manipulação de citotóxicos e a segurança ocupacional dos profissionais envolvidos. Metodologia: O estudo decorreu em cinco etapas: (I) conceção do questionário com base em revisão bibliográfica e contributo de peritos; (II) análise de conteúdo e clareza das questões; (III) implementação digital; (IV) pré-teste com 31 profissionais; e (V) análise preliminar da fiabilidade através do alfa de Cronbach. Discussão: O IRD revelou consistência interna aceitável (α=0,648) para um instrumento em fase inicial, permitindo identificar lacunas críticas nas práticas hospitalares, como insuficiência de formação, variabilidade no uso de EPI, ausência de protocolos uniformizados e monitorização ambiental irregular. Apesar de algumas limitações, nomeadamente o tempo de preenchimento e a extensão do questionário, o IRD demonstra potencial para uso prático, investigação futura e fundamentação de políticas de segurança. Conclusão: Conclui-se que o IRD constitui uma ferramenta inovadora e pertinente, capaz de apoiar a avaliação da exposição ocupacional e das práticas de manipulação de citotóxicos em Portugal. Recomenda-se a sua aplicação em amostras maiores, complementada por análises fatoriais, de modo a consolidar a sua validade e fiabilidade. O instrumento poderá assumir um papel central na uniformização de práticas, no reforço da formação dos profissionais e no suporte à criação de políticas nacionais de proteção ocupacional.
- Efeitos da electroestimulação na pessoa submetida a artroplastia total do joelho: uma scoping reviewPublication . Vieira, Joana Patrícia Serrão Gouveia; Novo, André; Araújo, Tiago Emanuel Soares deO presente trabalho além da descrição e reflexão sobre o percurso de aquisição de competências de Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, contempla uma componente investigativa sobre uma estratégia complementar na reabilitação das pessoas submetidas a artroplastia total do joelho. A artroplastia total do joelho é uma cirurgia comum em ortopedia, que ocorre maioritariamente devido a processos de osteoartrose. O pós-operatório pode ser desafiador, tendo o enfermeiro especialista em Enfermagem de Reabilitação um papel valioso, de forma a colmatar a espectável dor, diminuição da força muscular e dificuldade na execução das atividades de vida diárias no pós-operatório. Objetivo: Mapear as evidências científicas sobre os efeitos da electroestimulação na pessoa submetida a artroplastia total do joelho. Métodos: Realização de uma scoping review tendo em conta a metodologia de Joanna Briggs Institute. Pesquisa nas bases de dados PubMed, Scielo, EBSCOhost e PEDro, tendo em conta os critérios de inclusão. Resultados: Foram identificadas sessenta e três publicações sendo incluídas nesta análise sete. Demostrou-se que a electroestimulação apresenta benefícios principalmente a nível da ativação do quadricípite. Existe também evidência em benefícios a nível circulatório. A maioria dos protocolos utilizam frequências de 50 Hz, sessões 2-3 vezes por semana com duração media de 30 minutos. Conclusão: Conclui-se que a electroestimulação pode ser uma terapia importante para potenciar a recuperação pós-operatória após artroplastia total do joelho, mas existe ainda pouca evidência e padronização dos protocolos.
- Efetividade da electroestimulação neuromuscular na pessoa em situação crítica: uma umbrella reviewPublication . Bartolomeu, Ana Rita Alves; Preto, Leonel; Gaspar, LuísA fraqueza muscular adquirida em cuidados intensivos apresenta-se cada vez mais como um problema clínico, surgindo frequentemente ligado ao aumento da morbilidade e mortalidade em contexto de cuidados intensivos. Classicamente, apresenta-se com um quadro clínico caracterizado por tetraparésia flácida sem atingimento dos nervos cranianos, com reflexos osteotendinosos normais ou hiporrefléxicos e sem alterações de sensibilidade. Neste sentido, emerge a electroestimulação neuromuscular como opção terapêutica para mitigar este problema, mesmo em pessoas em situação crítica que não estão colaborantes nem capacitados para participarem ativamente em programas de mobilização precoce. Objetivo: Analisar a evidência disponível relativamente à efetividade da electroestimulação neuromuscular em pessoas em situação crítica, com particular enfoque na preservação da força muscular, manutenção da massa muscular e redução do tempo de internamento em cuidados intensivos. Métodos: Esta Umbrella Review seguirá a metodologia do Joanna Briggs Institute. Literatura publicada em inglês e português nas bases de dados MEDLINE, CINAHL Complete, Scopus, e PEDro serão consideradas para inclusão. Resultados: Foram elegíveis para esta revisão abrangente oito artigos, nos quais foram identificados os programas de electroestimulação neuromuscular e os resultados ao nível da sua efetividade no ganho de força muscular, massa muscular e diminuição do tempo de internamento em cuidados intensivos. Da análise descritiva realizada, demostrou que o programa de electroestimulação na pessoa em UCI, apresentou resultados ao nível do ganho de força muscular e atenuação da perda de massa muscular, já em relação ao tempo de internamento hospitalar não houve evidência que tenha contribuído para a sua redução. Conclusão: A electroestimulação neuromuscular tem efeitos benéficos na mitigação da perda de força e massa muscular em pessoas em situação crítica, contudo, no que concerne ao tempo de internamento em cuidados intensivos os efeitos revelam-se menos consistentes.
- Eficácia do treino muscular inspiratório no desmame ventilatório de utentes submetidos a ventilação mecânica inavasiva - uma scoping reviewPublication . Reis, Jessica Sofia de Sousa Antunes; Novo, André; Casado, SóniaO Treino dos Músculos Inspiratórios (TMI) tem vindo a ser estudado como estratégia de Reabilitação Respiratória (RR) para facilitar o desmame ventilatório em utentes submetidos a Ventilação Mecânica Invasiva (VMI). A disfunção da musculatura respiratória, em particular do diafragma, é uma complicação frequente nestes utentes e pode prolongar a dependência do ventilador, aumentando o risco de complicações e a duração da estadia em cuidados intensivos. Objetivo: Mapear a evidência científica acerca da eficácia do TMI no desmame ventilatório em utentes submetidos a VMI internados em Unidades de Cuidados Intensivo (UCI), de forma a contribuir para a clarificação do seu papel na prática clínica. Métodos: A presente pesquisa consiste numa scoping review e apoia-se na estrutura metodológica proposta pelo Joanna Briggs Institute (JBI). A pesquisa foi efetuada nas bases de dados PubMed, EBSCOhost, Scopus, SciELO e RCAAP (Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal), segundo critérios de inclusão previamente definidos, ou seja, publicações entre 2015-2025; estudos com disponibilidade integral dos textos e com acesso livre; população-alvo com idade superior a 18 anos, submetidos a VMI em UCI, estudos que investigam o TMI como intervenção principal no desmame ventilatório; idioma português, inglês ou espanhol. Resultados: Foram identificadas num total de 78 publicações, para a análise foram incluídas quatro. Os estudos reconhecem que a intervenção de TMI é segura e benéfica, principalmente na melhoria da força muscular inspiratória e na otimização da função respiratória; contudo, verifica-se que o seu efeito sobre o desmame ventilatório em utentes sob VMI é indireto, não constituindo um fator determinante na redução do tempo de desmame. Conclusão: Embora o TMI possa constituir uma intervenção útil como parte de uma abordagem de RR em utentes ventilados, a sua eficácia específica na redução do tempo de desmame permanece por comprovar, sendo necessários estudos multicêntricos, com protocolos harmonizados e amostras robustas, para clarificar o seu papel e otimizar a sua aplicação clínica.
- Identificação do perfil epidemiológico das vítimas de trauma, relação com o tempo de esperaPublication . Costa, Telma Catarina Alves Fernandes da; Martins, MatildeA realização dos estágios no âmbito do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica, com foco na Pessoa em Situação Crítica, constituiu um pilar essencial no desenvolvimento de competências clínicas, éticas, técnicas e científicas. A integração em contextos complexos como Unidade Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infeções e de Resistência aos Antimicrobianos, Serviço de Urgência Polivalente e Cuidados Intensivos, permitiu a consolidação de saberes teóricos através da prática reflexiva e fundamentada na evidência. Neste âmbito, realizou-se o estudo “Identificação do Perfil Epidemiológico das Vítimas de Trauma num Serviço de Urgência de uma Unidade Local de Saúde (ULS) da região Norte de Portugal e Relação com o Tempo de Espera”, um contributo relevante para a prática baseada na evidência. Com este relatório pretendo, descrever o percurso formativo ao longo dos diversos contextos de estágio e desenvolver uma reflexão crítica sobre as atividades desenvolvidas durante esses momentos de prática. Integráramos ainda uma componente investigativa, que teve como objetivo, identificar o perfil epidemiológico da vítima de trauma num serviço de urgência de uma Unidade Local de Saúde da região Norte de Portugal e relação com o tempo de espera. Estudo transversal descritivo, baseado em 10.760 episódios registados entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2023. A recolha de dados ocorreu entre janeiro e fevereiro de 2024, após autorização institucional e da Comissão de Ética. Os dados, anonimizados, foram analisados com o SPSS®, versão 28.0. Os dados, extraídos do sistema informático SClínico©, referem-se a episódios de urgência por trauma registados numa Unidade Local de Saúde da região Norte de Portugal. Após autorização institucional e parecer favorável da Comissão de Ética. A amostra maioritariamente feminina (52,5%), com idade média de 58,43 anos (DP±26,14), com mais de 75 anos (23,9%) e residentes no distrito de Vila Real (91,3%). O tempo médio de espera desde a triagem até ao primeiro atendimento foi de 28,2 minutos e o tempo de permanência no serviço de urgência de 298,9 minutos. Atribuída prioridade amarela a 70,4%, maioritariamente pequenos traumas (71,5%) e por queda (77,1%). Diferenças significativas nos tempos de espera em função da idade, dia da semana e causa da admissão. Estes resultados destacam a necessidade de um planeamento orientado por dados que considerem a idade, o tipo de trauma e o contexto de admissão para uma gestão mais eficiente e equitativa dos cuidados no serviço de urgência. Os estágios foram condição sine qua non para desenvolver as competências previstas para o enfermeiro especialista e mestre em Enfermagem Médico-Cirúrgica na Área de Enfermagem à Pessoa em Situação Critica. Os resultados obtidos do estudo de investigação indicam o predomínio de idosos em situações de pequeno trauma, o que reforça a importância de estratégias clínicas e organizacionais ajustadas a este perfil populacional.
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