Teses de Mestrado ESSa
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Percorrer Teses de Mestrado ESSa por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "10:Reduzir as Desigualdades"
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- Análise das estratégias de comunicação em enfermeiros de um serviço de urgênciaPublication . Jesus, Ângela Patrícia Almeida de; Magalhães, Carlos PiresEste relatório surge no âmbito do 1.º Curso de Mestrado de Enfermagem Médico-Cirúrgica, na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica. A estrutura do relatório está dividida em duas partes. A primeira parte tem como propósito o desenvolvimento de competências, tanto gerais quanto específicas, relacionadas com a prática da Enfermagem Médico-Cirúrgica na área da pessoa em situação crítica. A segunda parte apresenta um estudo de investigação centrado nas estratégias de comunicação que promovem a humanização dos cuidados à pessoa em situação crítica. O objetivo geral deste estudo consistiu em analisar a comunicação no cuidado de enfermagem à pessoa em situação crítica. Foi realizado um estudo descritivo correlacional e transversal, de abordagem quantitativa, permitindo analisar relações entre variáveis sem estabelecer causalidade. Para tal, foi aplicado um questionário a enfermeiros que exercem funções no Serviço de Urgência de uma Unidade Local de Saúde da região Norte de Portugal. A amostra ficou constituída por 50 enfermeiros, que aceitaram participar voluntariamente, após esclarecimento dos objetivos e garantia de anonimato e confidencialidade. Foi utilizado um método de amostragem não probabilística por conveniência, atendendo à acessibilidade dos participantes no contexto da prática clínica. A maioria dos elementos da amostra pertence ao sexo feminino, com idades compreendidas entre os 20 e os 40 anos. Os resultados demonstraram que a maioria dos enfermeiros reconhece a relevância da atualização de conhecimentos na área da comunicação em situações de urgência. Entre as estratégias alternativas de comunicação mais frequentemente assinaladas destacaram-se os gestos, as expressões faciais, a postura e o toque, considerados pelos participantes como meios privilegiados de interação com o doente. A comunicação com a pessoa em situação crítica apresenta-se como um processo desafiador, com intensidade variável, mas raramente inexistente. Verificou-se que as dificuldades comunicacionais são transversais aos enfermeiros, independentemente das suas características profissionais ou académicas, destacando a complexidade inerente à comunicação com o doente com alterações comunicacionais. Destacaram-se diferenças estatisticamente significativas entre o tempo de exercício profissional (Kruskal-Wallis: p<0,001), a experiência profissional em Serviço de Urgência (Kruskal-Wallis: p<0,019) e as estratégias de comunicação. A amostra enquadra-se maioritariamente em profissionais com experiência consolidada, capazes de mobilizar competências técnicas e emocionais de forma integrada. Uma vez que os enfermeiros numa posição intermédia revelam valorizar menos a atitude corporal, poderá refletir a necessidade de se focarem no comprometimento de órgãos vitais num ambiente altamente volátil como o SU, dando prevalência a outras estratégias de comunicação não-verbal de mais fácil aplicação. Conclui-se que a comunicação não verbal assume um papel central no cuidado ao doente impossibilitado de comunicar verbalmente, sendo um recurso essencial para promover a humanização da prática clínica em situações críticas, o que reforça a relação terapêutica e a segurança do doente. Estes resultados evidenciam a importância da valorização e da formação contínua dos profissionais de enfermagem no desenvolvimento de competências comunicacionais adaptadas a contextos de urgência. O ensino clínico proporcionou experiências práticas que reforçam a aplicação de cuidados especializados, centrados nas necessidades da pessoa em situação crítica e nos seus familiares e consolidam uma prática clínica humanizada e competente. As competências relacionadas com a comunicação verbal e não verbal revelaram-se uma componente fundamental do cuidar. Ao longo deste percurso, foi possível prestar cuidados não só à pessoa em situação crítica, mas também à sua família com acompanhamento no decorrer do processo de doença. Esta experiência permitiu a aplicação de cuidados de enfermagem especializados, centrados nas necessidades e fragilidades da pessoa em situação crítica, o que reforçou uma prática clínica humanizada, competente e ajustada às exigências destes contextos complexos.
- Avaliação da capacidade funcional e qualidade de vida da pessoa com Doença Parkinson - Estudo exploratórioPublication . Pinheiro, Mónica Felícia Fernandes; Novo, André; Loureiro, Maria de Fátima de SequeiraA Doença de Parkinson tem impacto progressivo na capacidade funcional e qualidade de vida. Em Portugal, a prevalência estimada aumentou de 180 casos/100.000 habitantes em 2017 para cerca de 480/100.000 em 2024, realçando a importância do estudo. Objetivo: Avaliar a capacidade funcional e qualidade de vida das pessoas com doença de Parkinson. Métodos: Estudo exploratório quantitativo com amostragem não probabilística por “bola de neve”. Foram aplicados os questionários Parkinson’s Disease Questionnaire-39 e Escala de Fadiga de Parkinson-16, bem como testes funcionais: Prova de Marcha de 6 Minutos, Escala de Equilíbrio de Berg, Teste de Sentar e Levantar, Escala de Hoehn e Yahr e Teste Timed Up and Go. Critérios de inclusão: diagnóstico confirmado, estágio ≤3 na Escala de Hoehn e Yahr, idade >18 anos, período “ON” da medicação dopaminérgica e capacidade para responder aos questionários. Resultados: A amostra foi composta por 10 indivíduos (9 homens e 1 mulher) com idade média de 62 anos, os quais apresentavam mobilidade e força muscular reduzidas. Observaram-se correlações significativas entre a pior qualidade de vida e os seguintes fatores: menor capacidade de marcha (ρ = -0,857; p = 0,002), maior fadiga (ρ = 0,854; p = 0,002) e maior tempo gasto no teste de sentar-levantar cinco (ρ = 0,924; p < 0,001). Adicionalmente, a capacidade de marcha apresentou uma correlação positiva com o equilíbrio (ρ = 0,753; p = 0,012) e correlações negativas com a fadiga (ρ = -0,705; p = 0,023) e com o tempo no teste de sentar-levantar (ρ = -0,782; p = 0,008). Conclusão: Os resultados sugerem uma forte associação entre a capacidade funcional e a qualidade de vida na Doença de Parkinson. Com base nestes achados, recomenda-se a implementação de intervenções de enfermagem de reabilitação com foco na melhoria da marcha, equilíbrio, força muscular e gestão da fadiga e a importância de integrar estas intervenções na prática clínica, com recurso a instrumentos de avaliação validados. Apesar da dimensão da amostra, os dados obtidos alinham-se com a evidência existente.
- Avaliação da dispneia em doentes ventilados mecanicamente num Serviço de Medicina IntensivaPublication . Lopes, Joana Isabel Moura; Mendes, Eugénia; Matos, TâniaA dispneia é um sintoma multifatorial, e só pode ser descrito pela pessoa que o está a experienciar. Em doentes incapazes de verbalizar desconforto, seja por alteração do estado de consciência, seja por uso de ventilação mecânica invasiva, a avaliação correta da dispneia torna-se um desafio para os profissionais de saúde envolvidos. A utilização de escalas adaptadas à avaliação da dispneia torna-se fundamental para a prevenção de situações potencialmente traumáticas, tal como a sensação de “air hunger”- “fome de ar”. Objetivos: Demonstrar a existência de dispneia em doentes mecanicamente ventilados nesta população do SMI; compreender a correlação entre a dispneia e fatores sociodemográficos e clínicos; demonstrar a importância do uso de ferramentas para a avaliação da dispneia com o intuito principal de promover conforto e segurança ao doente no SMI. Métodos: Estudo quantitativo descritivo onde foi utilizada a RDOS (Respiratory Distress Observation Scale) para avaliação da dispneia. Foi também criada uma grelha de registo de dados clínicos e sociodemográficos. Resultados: Com a aplicação da RDOS, observou-se que os valores obtidos variaram entre um mínimo de 0 e 8 pontos, obtendo uma média de 3,1 pontos com um desvio padrão de 2,4 pontos. Concluiu-se que 44,4% dos doentes incluídos no estudo não apresentou dispneia, 16,7% dispneia ligeira, 27,8% dispneia moderada e 11,1% dispneia severa, correspondendo a uma taxa de doentes com dispneia de 55,6%. Conclusão: Com este projeto de investigação, podemos concluir que os doentes com dispneia severa são doentes com um perfil idoso e com antecedentes cardiovasculares prévios. Os doentes com categoria de admissão cirúrgica de urgência, os doentes com maior sedação, e com RASS (Richmond Agitation and Sedation Scale) compreendido entre -2 e -1 apresentam valores de dispneia moderada. Os doentes com dispneia ligeira são sobretudo admitidos ao Serviço de Medicina Intensiva com categoria diagnóstica médica. Por fim, os doentes sem dispneia têm idade inferior a 71 anos, sem antecedentes cardiovasculares, sem sedação e com RASS 0.
- Avaliação da Terapêutica Farmacológica e da Qualidade de Vida em Doentes com Artrite ReumatóidePublication . Patrocínio, Cátia Sofia Francisco; Pereira, Olívia R.; Lameiras, Emanuel Onofre SerraA Artrite Reumatóide (AR) é uma doença inflamatória com impacto significativo na qualidade de vida (QV) dos doentes. A sua cronicidade e incapacidade exige terapêuticas eficazes, acompanhamento regular e medidas complementares de autocuidado. Neste contexto, a terapêutica farmacológica tem um papel importante e é essencial compreender de que forma fatores como a adesão e satisfação com o tratamento, a atividade da doença e a dor se refletem no bem-estar destes doentes. Objetivo: Avaliação da terapêutica farmacológica e da qualidade de vida em doentes com AR, considerando fatores como adesão e satisfação com o tratamento, bem como a atividade da doença e a dor. Metodologia: Foi realizado um estudo exploratório, transversal e descritivo-correlacional, aos doentes com AR acompanhados nas consultas de Reumatologia da Unidade Local de Saúde do Nordeste E.P.E. (ULSNe), selecionados por conveniência, de acordo com a disponibilidade demonstrada nas consultas e o tempo definido para a recolha de dados. Foram recolhidos dados sociodemográficos e dados relativos à terapêutica medicamentosa. Para a avaliação da adesão ao tratamento, foi aplicada a escala MAT; a satisfação com o tratamento foi avaliada através da aplicação do questionário validado TSQM e foram recolhidos dados terapêuticos que permitiram a caracterização da terapêutica e a aplicação do ICFT. A qualidade de vida foi avaliada com recurso à aplicação do questionário EQ-5D-3L. Por fim, os dados sobre a atividade da doença e a intensidade da dor foram fornecidos pela equipa médica, obtidos através do DAS28 PCR e EVA, respetivamente. Para o tratamento estatístico dos dados foi utilizado o software IBM de tratamento de dados Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 30.0.0. O estudo foi aprovado pela Comissão de Ética da ULSNe e foram atendidos os princípios éticos para a investigação definidos na Declaração de Helsínquia e suas adendas. Resultados: Foram inquiridas 61 pessoas (de um total de 270 doentes), em que a maioria é do sexo feminino, a média de idades é de 65 anos (DP= 12,3) e o 1.º ciclo é o nível de escolaridade mais frequente. Os medicamentos mais utilizados relacionados diretamente com a doença são os medicamentos antirreumáticos modificadores da doença (DMARDs) como o metotrexato, seguidos dos anti-anémicos como o ácido fólico, dos medicamentos que atuam diretamente no osso e no metabolismo do cálcio (este grupo inclui bifosfonatos, cálcio e vitamina D), dos glucocorticóides e dos anti-inflamatórios não esteróides (AINEs). Na análise das correlações de Spearman, observou-se que a satisfação com o tratamento está associada a maior adesão terapêutica e melhor qualidade de vida, sobretudo quando os doentes percecionam maior eficácia e conveniência da terapêutica. Por outro lado, níveis mais elevados de dor e maior atividade da doença associaram-se a pior qualidade de vida. Conclusão: Neste estudo, a satisfação com o tratamento é um fator importante para a adesão à terapêutica e qualidade de vida, enquanto a dor e a atividade da doença permanecem determinantes negativos do estado de saúde.
- Barreiras à Comunicação entre Enfermeiros e Doentes em Contexto de Urgência: Perceções e Estratégias para a sua SuperaçãoPublication . Miranda, Sónia Patricia da Mota; Baptista, GoreteO presente relatório de estágio surge no âmbito do Mestrado em Enfermagem Médico-Cirúrgica na área de Enfermagem à Pessoa em Situação Crítica, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Bragança. O documento encontra-se estruturado em duas partes fundamentais que refletem o percurso de desenvolvimento de competências avançadas e a investigação científica. A primeira parte consiste numa análise crítico-reflexiva das atividades desenvolvidas ao longo dos três Estágios, realizados no Serviço de Hemodiálise, no Serviço de Urgência e no Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Pedro Hispano (Unidade Local de Saúde de Matosinhos). Esta secção evidencia a aquisição e consolidação de competências comuns e específicas do Enfermeiro Especialista, com especial foco na prestação de cuidados de elevada complexidade à pessoa em situação crítica, na gestão da melhoria contínua da qualidade e na promoção de um ambiente terapêutico seguro. A segunda parte apresenta um estudo de investigação transversal, descritivo e de abordagem mista, intitulado "Barreiras à Comunicação entre Enfermeiros e Doentes em Contexto de Urgência: Perceções e Estratégias para a sua Superação", estruturado sob a forma de artigo científico. O estudo, que envolveu a participação de 78 enfermeiros através de questionários e 7 entrevistas semiestruturadas, teve como objetivo identificar os fatores que dificultam a comunicação neste contexto exigente e as estratégias sugeridas para mitigar esta problemática. Os resultados revelaram que as principais barreiras são de natureza organizacional (elevada carga de trabalho e interrupções), ambiental (ruído e falta de privacidade) e profissional (stress e falta de formação específica). O estudo conclui destacando a necessidade de intervenções organizacionais e de investimento na formação em competências comunicacionais para assegurar a qualidade e a humanização dos cuidados de enfermagem.
- Conhecimento e dificuldades dos enfermeiros sobre as precauções básicas de controlo de infeçãoPublication . Coelho, Juliana Raquel da Silva; Baptista, GoreteEnquadramento: A pessoa em situação crítica apresenta um elevado grau de vulnerabilidade, exigindo cuidados diferenciados e uma vigilância contínua por parte dos profissionais de saúde. O enfermeiro especialista em enfermagem médico-cirúrgica na área da pessoa em situação crítica desempenha um papel fundamental na prestação de cuidados seguros e baseados na evidência, contribui para a prevenção de complicações, gestão da instabilidade clínica e promoção da qualidade dos cuidados. Paralelamente, as infeções associadas aos cuidados de saúde constituem um problema relevante de segurança do doente e as precauções básicas de controlo de infeção são uma das principais estratégias para a sua prevenção. Objetivos: Este relatório tem como objetivo analisar o desenvolvimento das competências, comuns e específicas do enfermeiro especialista em enfermagem médico-cirúrgica na área da pessoa em situação crítica, ao longo dos três estágios. Adicionalmente, foi realizado um estudo de investigação que visa analisar o conhecimento, as perceções e os fatores condicionantes que influenciam a adesão dos enfermeiros às PBCI. Métodos: O percurso nos três locais de estágio incluiu a realização de 750 horas em diferentes contextos: Serviço de Controlo de Infeção e Resistência aos Antimicrobianos, Serviço de Medicina Intensiva e Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica. O desenvolvimento das competências realizou-se através de reflexão crítica sustentada na evidência e nos referenciais da Ordem dos Enfermeiros. Paralelamente, foi realizado um estudo de investigação de natureza quantitativa, descritiva, correlacional e transversal, dirigido a enfermeiros de um serviço de urgência, com o objetivo de analisar o nível de conhecimento, as perceções e os fatores condicionantes que influenciam a adesão dos enfermeiros às PBCI no Serviço de Urgência de uma Unidade Local de Saúde do Norte de Portugal. Resultados: O percurso de estágio permitiu-me desenvolver competências nas três áreas específicas da especialidade médico-cirúrgica na área da pessoa em situação crítica. A participação em projetos de melhoria continua, auditorias e atividades formativas contribuiu para a consolidação da prática baseada na evidência e para o desenvolvimento das competências. Os resultados do estudo de investigação evidenciaram a existência de algumas lacunas de conhecimento e dificuldades na adesão das precauções básicas de controlo de infeção, o que reforça a importância da formação contínua e da sensibilização dos enfermeiros para esta temática. Conclusão: O percurso desenvolvido ao longo do estágio revelou-se fundamental para a aquisição e consolidação de competências especializadas na área da enfermagem à pessoa em situação crítica. A integração entre prática clínica, reflexão crítica e produção de conhecimento científico contribuiu para o desenvolvimento de uma prática profissional mais autónoma, segura e fundamentada. Os resultados obtidos reforçam a importância da formação contínua e da implementação de estratégias institucionais que promovam a adesão às boas práticas de controlo de infeção e contribuam para a melhoria da qualidade e segurança dos cuidados de saúde.
- Conhecimentos e fatores de risco para o desenvolvimento do cancro da boca, faringe e laringe em estudantes universitários da Guiné-BissauPublication . Correia, Elisio João da Silva; Almeida-de-Souza, Juliana; Podestá, Olívia Galvão deOs cancros da boca, laringe e faringe são neoplasias com fatores de risco semelhantes, que incluem o contacto com o fumo do tabaco, o álcool das bebidas alcoólicas ou agentes infeciosos como o vírus do papiloma humano (HPV). O consumo de alimentos antioxidantes, uma boa higiene oral, hábitos de atividade física e controlo do peso são considerados fatores protetores destes cancros. O conhecimento destes fatores, protetores e de risco, são importantes para a prevenção destas neoplasias. Esta dissertação tem como o objetivo identificar os conhecimentos e os fatores de risco para o desenvolvimento destas patologias em estudantes universitários da Guiné-Bissau, bem como propor uma escala de pontuação teórica para sensibilizar para o risco de cancro da boca, laringe e faringe e estudar as associações da escala do risco com os conhecimentos. Para atingir os objetivos propostos, foi realizado um estudo observacional-transversal, descritivo, quantitativo e analítico, por meio de um questionário online junto dos estudantes inscritos na Universidade Lusófona da Guiné-Bissau, em Bissau. Um total de 288 estudantes integraram a amostra, com uma idade média de 24,7 anos e a maioria (99,7%) de nacionalidade guineense. A maior parte dos estudantes referiu espontaneamente que hábitos tabágicos (52,4%) e hábitos alcoólicos (41%) são fatores de risco para o cancro da boca, laringe e faringe. Numa questão fechada, os estudantes disseram que “Sim, tenho a certeza” que hábitos tabágicos (62,5%), hábitos alcoólicos (56,6%), hábitos de higiene oral (37,2%) e hábitos alimentares não saudáveis (34,7%) são fatores de risco para estas patologias. O principal fator de risco de desenvolverem cancro da boca, laringe e faringe nestes estudantes são o elevado risco de contágio com vírus do papiloma humano (HPV), uma vez que 90,6% não tomaram a vacina contra o HPV, a maioria pratica sexo oral sem preservativo (67,4%) e muito têm múltiplos parceiros para esta prática (38,5%). Outros fatores de risco elevados nesta amostra é não realizar visitas anuais ao dentista (65,6%), não cumprir as recomendações de atividade física moderada a vigorosa da Organização Mundial de Saúde (47,8%), não consumir alimentos protetores diariamente, como hortícolas (22,9%), frutas (21,2%), frutas cítricas (31,3%) e café (5,2%). Uma escala teórica para a sensibilização dos fatores de risco de cancro da boca, laringe e faringe com 7 dimensões e pontuação máxima de 70 pontos foi proposta. A mediana do risco calculada foi de 20,5 pontos. A maioria dos estudantes (77,4%) foi categorizado com um risco baixo (0 a 23,6 pontos), no entanto 22,6% dos alunos tiveram um risco intermédio. Os estudantes que relatam mais conhecimentos espontâneos também são os que apresentam um menor risco, avaliada através da pontuação da escala teórica total (Rho=-0,268, p<0,001) e parciais para hábitos tabágicos (Rho=-0,221, p<0,001) e hábitos alimentares saudáveis (Rho=-0,200, p<0,001). A maior parte dos estudantes universitários da Guiné-Bissau desta amostra têm conhecimentos limitados dos fatores de risco para o cancro da boca, laringe e faringe. Os principais fatores de risco são o elevado risco de contágio com o HPV. Estes estudantes ainda podem melhorar os seus hábitos de higiene oral, alimentares e de atividade física. Aqueles estudantes que demonstraram ter maiores conhecimentos espontâneos, tiveram menores pontuações na escala do risco proposta, tanto para o total quanto para os parciais de hábitos tabágicos e de hábitos alimentares saudáveis. Medidas de Saúde Pública que promovam melhores hábitos de higiene oral e alimentares, bem como que reduzam o risco de contágio com o HPV são necessárias nesta população para potenciar um menor risco de desenvolver a doença. Ainda, mais estudos para a escala de avaliação do risco de cancro da boca, laringe e faringe seria importante, de forma a implementar como medida de sensibilização para o risco.
- Contributos da reabilitação cardíaca na melhoria da qualidade de vida na pessoa com insuficiência cardíacaPublication . Gomes, Mayara Solange Rodrigues; Gomes, Maria JoséA insuficiência cardíaca é uma condição crónica e progressiva que compromete a função cardíaca e impacta negativamente a qualidade de vida e a autonomia das pessoas. A reabilitação cardíaca, especialmente através do exercício físico, tem demonstrado benefícios significativos na melhoria da capacidade funcional e diminuição da morbimortalidade. No entanto, barreiras como o desconhecimento dos benefícios, fatores psicossociais e limitações dos sistemas de saúde dificultam a implementação e adesão a estes programas. Objetivo: Mapear na evidência científica os contributos da reabilitação cardíaca na melhoria da qualidade de vida na pessoa com insuficiência cardíaca. Métodos: Trata-se de uma revisão de escopo utilizando as diretrizes da JBI (Joanna Briggs Colaboration). As bases de dados utilizadas na pesquisa foram MEDLINE e a Scopus importados para o RAYYAN, a literatura cinzenta foi feita na Open acess and dissertations e a Biblioteca digital brasileira teses e dissertações. Foram considerados estudos em pessoas com Insuficiência cardíaca, com abordagem na reabilitação cardíaca e publicados nos últimos 5 anos em português e inglês. Resultados: Foram identificados 195 estudos no total, após a triagem e seleção 10 estudos foram incluídos na revisão. Os principais resultados encontrados foram, diminuição de internamentos, da morbimortalidade, aumento da autonomia na realização das atividades diárias, melhoria da capacidade funcional e emocional que consequentemente melhoram o bem-estar e a qualidade de vida. Conclusão: Apesar das limitações metodológicas, este trabalho permitiu identificar lacunas significativas no contexto prático da prestação de cuidados principalmente em situações de recursos limitados, apesar da elevada prevalência de doenças cardiovasculares. A investigação reforça a importância do enfermeiro de reabilitação como elemento-chave na promoção da educação para a saúde, adesão ao tratamento, autogestão da doença e melhoria da qualidade de vida da pessoa com insuficiência cardíaca. É urgente investir na formação de profissionais, criação de serviços adaptados à realidade local e desenvolvimento de políticas públicas que integrem a reabilitação cardíaca como componente essencial no cuidado cardiovascular.
- Cuidadores Informais de Pessoas com Demência: Perceção da Funcionalidade Familiar, Coesão, Adaptabilidade e SobrecargaPublication . Henriques, Sara Andreia Pereira Rocha; Brás, Manuel AlbertoO aumento da prevalência das demências constitui atualmente um dos principais desafios de saúde pública à escala global, com repercussões significativas nos sistemas de saúde, nos serviços de apoio social e, particularmente, nas famílias responsáveis pela prestação de cuidados. O exercício do papel de cuidador informal de uma pessoa com Perturbação Neurocognitiva Major associa-se frequentemente a exigências físicas, emocionais, sociais e organizacionais elevadas, suscetíveis de comprometer a funcionalidade familiar, a coesão, a adaptabilidade e o equilíbrio biopsicossocial do cuidador. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que forma as variáveis sociodemográficas, profissionais e clínicas influenciam a dinâmica familiar e a sobrecarga associada ao processo de cuidar. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas, profissionais e clínicas e a perceção da funcionalidade familiar, da coesão, da adaptabilidade e da sobrecarga dos cuidadores familiares de pessoas com demência acompanhadas pelo Serviço de Apoio Domiciliário às Demências de Mogadouro. Metodologicamente, trata-se de um estudo quantitativo, não experimental, descritivo-correlacional e transversal. Recorreu-se a uma amostragem não probabilística por conveniência. A recolha de dados decorreu num único momento temporal, em contexto domiciliário, mediante aplicação de um formulário de caracterização sociodemográfica, profissional e clínica, complementado pelas escalas APGAR Familiar, Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scales II (FACES II) e Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit. Na análise inferencial utilizaram-se testes estatísticos adequados à natureza das variáveis em estudo, assumindo-se um nível de significância estatística de 5% (p<0,05), com recurso ao software IBM SPSS Statistics®, versão 27.0. A amostra integrou 121 cuidadores informais, predominantemente do sexo feminino (66,9%), maioritariamente com idades compreendidas entre os 59 e os 78 anos e casados ou em união de facto (79,2%). Observou-se uma baixa escolaridade numa proporção relevante da amostra, verificando-se que 32,2% dos participantes frequentaram apenas o 1.º ciclo do ensino básico e 12,4% não possuíam habilitações literárias. A maioria dos cuidadores era filho(a) da pessoa com demência (46,3%), seguida de cônjuges ou irmãos (36,4%), sendo que 71,1% referiu assumir os cuidados sem partilha com outros elementos da rede familiar ou social. A doença de Alzheimer constituiu a tipologia de demência mais prevalente (42,1%), seguida da demência mista (37,2%). Relativamente à funcionalidade familiar, 43,0% dos cuidadores percecionaram boa funcionalidade familiar, embora 36,4% evidenciassem disfunção familiar moderada. No domínio da coesão familiar predominou a tipologia separada (57,0%) e, relativamente à adaptabilidade, verificou-se predominância das famílias flexíveis (49,6%). A maioria dos cuidadores apresentou níveis elevados de sobrecarga, classificados como sobrecarga intensa (81,8%). Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre funcionalidade familiar e coesão, adaptabilidade, tipologia familiar, grau de parentesco e estádio de declínio cognitivo da pessoa com demência (p<0,05). Os resultados evidenciam que os cuidadores informais de pessoas com demência, predominantemente mulheres, enfrentam níveis substanciais de sobrecarga física, emocional e social, frequentemente agravados pela reduzida partilha dos cuidados e pela progressiva dependência funcional da pessoa cuidada. O agravamento do declínio cognitivo revelou-se um fator determinante na intensificação da sobrecarga e na reorganização da dinâmica familiar. Estes achados reforçam a necessidade de desenvolvimento de intervenções de enfermagem centradas na família, sustentadas numa abordagem sistémica e integrada, orientadas para a capacitação do cuidador informal, o fortalecimento da funcionalidade familiar, a promoção da adaptação ao papel de cuidador e a melhoria da qualidade de vida de todos os intervenientes no processo de cuidado.
- Desenvolvimento e Validação de um Instrumento de Recolha de Dados sobre a Manipulação de Citotóxicos em Unidades HospitalaresPublication . Freitas, Cristiana Alexandra Rendeiro; Pereira, Olívia R.; Moreira, Fernando Xavier FerreiraA manipulação de fármacos citotóxicos em farmácia hospitalar representa um risco ocupacional relevante, sobretudo para os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) da área da farmácia. Apesar das recomendações internacionais, em Portugal não existe um instrumento validado que permita avaliar práticas, condições de trabalho e medidas de proteção associadas a esta atividade. Objetivo: Desenvolver e validar um Instrumento de Recolha de Dados (IRD) capaz de caracterizar, de forma sistemática, a realidade nacional relativamente à manipulação de citotóxicos e a segurança ocupacional dos profissionais envolvidos. Metodologia: O estudo decorreu em cinco etapas: (I) conceção do questionário com base em revisão bibliográfica e contributo de peritos; (II) análise de conteúdo e clareza das questões; (III) implementação digital; (IV) pré-teste com 31 profissionais; e (V) análise preliminar da fiabilidade através do alfa de Cronbach. Discussão: O IRD revelou consistência interna aceitável (α=0,648) para um instrumento em fase inicial, permitindo identificar lacunas críticas nas práticas hospitalares, como insuficiência de formação, variabilidade no uso de EPI, ausência de protocolos uniformizados e monitorização ambiental irregular. Apesar de algumas limitações, nomeadamente o tempo de preenchimento e a extensão do questionário, o IRD demonstra potencial para uso prático, investigação futura e fundamentação de políticas de segurança. Conclusão: Conclui-se que o IRD constitui uma ferramenta inovadora e pertinente, capaz de apoiar a avaliação da exposição ocupacional e das práticas de manipulação de citotóxicos em Portugal. Recomenda-se a sua aplicação em amostras maiores, complementada por análises fatoriais, de modo a consolidar a sua validade e fiabilidade. O instrumento poderá assumir um papel central na uniformização de práticas, no reforço da formação dos profissionais e no suporte à criação de políticas nacionais de proteção ocupacional.
