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Composição genética materna das abelhas da Madeira: comparação com as populações dos arquipélagos dos Açores e das Canárias e de Portugal continental

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A Apis mellifera iberiensis é uma das 31 subespécies de abelha melífera e tem como distribuição, tal como o nome indica, a Península Ibérica. Esta subespécie tem sido amplamente estudada na Península Ibérica devido aos seus padrões de diversidade complexos. Apesar de também ter sido introduzida em alguns arquipélagos da Macaronésia (Açores, Canárias e Madeira), estas populações insulares, em especial as da Madeira, têm sido alvo de menos estudos. Um dos marcadores moleculares que tem sido amplamente usado para estudar as diferentes populações de A. m. iberiensis é o ADN mitocondrial, mais especificamente a região intergénica tRNAleu- COX2. Assim, com o uso dessa região, o objetivo deste trabalho foi estudar a composição genética da população da Madeira e compara-la com as populações dos Açores, Canárias e da Península Ibérica. Para tal, um total de 51 colónias foram amostradas e as amostras sujeitas a extração de ADN, seguido de uma Reação em Cadeia da Polimerase (PCR). Pósteriormente, o produto da PCR foi tratado com a enzima de restrição DraI que ao cortar o ADN em locais específicos cria fragmentos com tamanhos diferentes, permitindo diferenciar as variantes genéticas (haplótipo). Cada haplótipo pode pertencer a cinco linhagens distintas: A (Africana), M (Europeia Ocidental), C (Europeia Oriental), O (Médio Oriente) e Y (Etiópia), sendo as duas primeiras nativas da Península Ibérica. Na linhagem Africana ainda é possível distinguir entre as sub-linhagens AI, AII, AIII e Z. No conjunto das 51 colónias amostradas foram detetados sete haplótipos, todos pertencentes à linhagem A. Tal como nas ilhas das Canárias, o haplótipo Africano mais comum na Madeira é o A14’ (41%) enquanto nos Açores é o A14, ambos da sub-linhagem AIII. Outra diferença entre os dois arquipélagos portugueses é que o segundo haplótipo mais frequente na Madeira é o A1 (33%), sub-linhagem AI, enquanto nos Açores este haplótipo é raro. Além disso, não foram detetados haplótipos da linhagem C (que é característica do Leste da Europa e Itália), à semelhança da Península Ibérica onde esta linhagem é praticamente inexistente, sugerindo que a importação de rainhas exóticas para a Madeira tem tido pouca expressão. Pelo contrário, a frequência de colónias da linhagem C é elevada em 3 ilhas dos Açores, nomeadamente: Pico (89%), Faial (75%) e Graciosa (62%). Nas Canárias também foi detetada, mas com uma frequência mais baixa, com Tenerife a ter a maior prevalência da linhagem C (39%). A presença e abundância da sub-linhagem AIII na Madeira, Açores e Canárias sugere que as populações destes arquipélagos têm uma origem comum e provavelmente no norte de Portugal continental, onde esta sub-linhagem é mais frequente sendo muito rara no resto da Península Ibérica. Verificou-se ainda que as populações geneticamente mais próximas da população da Madeira são as de La Gomera e Santa Maria. Estes resultados sugerem que, havendo necessidade de se introduzir enxames no arquipélago da Madeira a origem deveria ser La Gomera ou preferencialmente Santa Maria pois, juntamente com São Miguel, Terceira, São Jorge, Graciosa e Corvo, esta ilha foi recentemente reconhecida pela Comissão Europeia como sendo indemne de varroose. Assim, este estudo para além de revelar a composição genética das colónias da Madeira também realça a importância do uso do conhecimento científico aliado ao desenvolvimento apícola das regiões.

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Keywords

Apis mellifera iberiensis

Pedagogical Context

Citation

Henriques, Dora; Lopes, Ana Rita; Ferreira, Helena; Pinto, M. Alice (2022). Composição genética materna das abelhas da Madeira: comparação com as populações dos arquipélagos dos Açores e das Canárias e de Portugal continental. In Maria Alice Pinto; Maria Emília Silva; João Carlos Azevedo; Miguel Sequeira; Nuno Ribeiro; Paulo Fernandes; Paulo Mateus; Susana Dias (Eds.) 9º Congresso Florestal Nacional. Funchal

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Sociedade Portuguesa de Ciências Florestais

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