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Abstract(s)
As profundas transformações demográficas ocorridas em Portugal, caracterizadas pela maior longevidade da população e o progressivo agravamento das doenças crónicas tem resultado num aumento significativo do número de pessoas em situação de dependência, exigindo cuidados prestados em contexto domiciliário. Neste âmbito, os cuidadores informais assumem um papel fulcral na continuidade desses cuidados; contudo, a natureza prolongada e exigente desta função pode repercutir-se negativamente na sua saúde física e no seu bem-estar psicológico.
Objetivo: Avaliar o nível de sobrecarga e a prevalência de lesões músculo-esqueléticas no cuidador informal.
Métodos: Estudo exploratório, transversal de abordagem quantitativa, numa amostra de cuidadores informais principais de pessoas com dependência, com avaliação das caraterísticas sociodemográficas dos cuidadores, as caraterísticas do cuidar, a prevalência de lesões músculo-esqueléticas com o Questionário Nórdico de Sintomas Músculo-Esqueléticos (QNM), da sobrecarga com o Questionário de Avaliação de Sobrecarga do Cuidador (QASCI) e da perceção da qualidade de vida relacionada com a saúde com o SF-36.
Resultados: Integraram o estudo 25 cuidadores, com idades entre os 28 e 96 anos, predominantemente do sexo feminino, casados ou em coabitação. A maioria estava em situação de reforma ou pré-reforma, apresentando baixos níveis de escolaridade e 60% relatavam problemas de saúde física, com maior prevalência na região lombar, pescoço e joelhos. Os cuidadores dedicavam, em média, 16,5 horas diárias aos cuidados, com uma duração média de cuidados de 6,66 anos. Priorizaram atividades de apoio prático, como auxílio na higiene, suporte financeiro e formação, enquanto atividades sociais e de lazer eram menos valorizadas. A análise revelou comprometimento na funcionalidade e na saúde geral, associado a uma maior sobrecarga emocional e financeira, especialmente com o envelhecimento. Ser o único cuidador foi associado a piores indicadores de saúde e maior prevalência de dor. As correlações identificadas indicaram que maior sobrecarga e dor estavam relacionadas a uma pior saúde geral e menor vitalidade.
Conclusão: Os resultados destacam a importância de apoios estruturais para o bem-estar dos cuidadores. É adequado o desenvolvimento de intervenções que os capacitem de conhecimentos e visem o treino de habilidades para o desempenho do seu novo papel, pois assegurar a integridade física e emocional do cuidador informal, garante não só o seu bem-estar e como também a qualidade dos cuidados prestados. Assim, a criação de planos de intervenção pelos EEER, deve privilegiar intervenções dirigidas aos cuidadores para a aprendizagem das competências essenciais para assegurar os cuidados ao doente dependente no seu domicílio e em contexto familiar.
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Keywords
Cuidador informal Sobrecarga Qualidade de vida Pessoas acamadas
