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De professora a diretora técnica do laboratório covid-19: uma experiência enriquecedora

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Orientador(es)

Resumo(s)

A COVID-19 foi declarada pela OMS como pandemia internacional, no dia 11 de março de 2020. No entanto já a 13 de janeiro de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) tinha publicado primeiro protocolo RT-PCR para o diagnóstico molecular do coronavírus-2 da síndrome respiratória aguda grave (SARS-CoV-2). Desde 2008 que sou docente na escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Brgança onde leciono unidades curriculares de Biologia Celular Genética Humana e Genómica. Quando em 2020 surgiu a COVID-19, voluntariei-me para ajudar o hospital da região a implementar os testes moleculares à infeção por SARS-CoV-2. Mas as condiçoes do laboratório neste hospital de periferia não permitia a implementação das metodologias com segurança, naquele momento. Assim, eu e outra colega especialista em genética, procedemos à modifição de vários laboratórios de uma ala do Centro de Investigação de Montanha deste instituto para podermos proceder às análises moleculares à COVID-19. Em abril de 2020 o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social lançou um programa de testagem preventiva à COVID-19. Este programa, designado de “Heróis dos Testes”, envolveu universidades, politécnicos e instituições de I&D e teve como principal objetivo o rastreio e a testagem da população, em particular residentes e funcionários de lares de idosos. Grande parte dos “Heróis dos Testes” readaptaram os seus laboratórios de forma a estabelecer níveis elevados de biossegurança, muitos projectos de investigação em curso foram suspensos, questões técnicas, falta de reagentes e consumíveis foram alguns dos problemas a ultrapassar para aumentar a capacidade de testagem. É importante referir que muitos destes laboratórios nunca tinham processado amostras biológicas humanas. No nosso centro de investigação foram recrutados cerca de 30 alunos de Mestrado e Doutoramento que não trabalhavam propriamente em genética molecular. A única permissa para serem recrutados era saberem usar uma Micropipeta! Em tempo record, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge coordenou a certificação dos laboratórios no âmbito da realização de diagnóstico à COVID-19. Eu fui dispensada de lecionar e durante dois anos e fui nomeada diretora técnica do laboratório COVID-19. Treinava equipas, geria stocks e validava resultados. Já tinha trabalhado num laboratório de genética médica mas nunca com a esta dedicação a uma causa e com envolvimento dos alunos, onde veradeiramente pude aplicar “o saber fazer”. Os estudantes adquiriram um entendimento profundo do trabalho rotineiro e responsável durante o tempo que estiveram lá. Toda esta experiência foi muito gratificante porque nos aproximamos dos colegas que trabalhavam no hospital, que realizavam as colheitas de amostras para nós analisarmos. Mais tarde, por “transferência de conhecimento” auxiliamos estes mesmos profissionais, na implementação do laboratório de biologia molecular. Por outro lado, recebemos da unidade de saúde formação para trabalhar com equipamento de proteção individual. Agora, novamente como docente, toda esta esta experiência, permitiu reconsiderar a minha abordagem aos planos de estudo e às metodologias de ensino de uma forma significativa e reconheço também a importância vital da proximidade com a comunidade para o meu desenvolvimento como docente e investigadora.

Descrição

Palavras-chave

Pandemia Docência Competências

Contexto Educativo

Citação

Rodrigues, Carina (2023). De professora a diretora técnica do laboratório covid-19: uma experiência enriquecedora. In Congresso Internacional Movimentos Docentes 2023! ISBN 978-65-6063-003-1, p. 105-105

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