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A Escultura da Ordem Franciscana da Diocese De Bragança-Miranda (Tese de Doutoramento) | 95.29 MB | Adobe PDF |
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Na História da Arte Portuguesa permanecem vários capítulos pouco estudados. A escultura constitui, inquestionavelmente, um dos núcleos menos abordado. As contingências que provocam esta limitação são diversas, de entre elas destaca-se a ausência documental relativa à escultura ou o escasso prestígio da produção escultórica relativamente a outras práticas artísticas. No território periférico em estudo - a Diocese
de Bragança-Miranda; esta carência é ainda mais profundamente sentida. A inexistência de estudos relativos à escultura local é acrescida pela escassez documental que às esculturas se refere. A escassez documental contrasta com a abundante presença e continuada preservação das esculturas. Entre as diversas categorias artísticas é a escultura que mais se destaca nos espaços em estudo. A limitação do estudo aos espaços
franciscanos prende-se com facto de se tratar da ordem religiosa com mais presença no território.
A Ordem de São Francisco chegou a Portugal pouco tempo após a sua fundação, em Itália, em 1209. No território em estudo, os Frades Menores chegaram a Bragança onde se fundou a primeira casa ainda durante o século XIII, documentalmente registada pela primeira vez em 1271. As Clarissas fundaram casa, também em Bragança, na segunda metade do século XVI, após bênção episcopal do local em 1569 o convento foi ocupado em 1598. Durante o conflituoso século XVII foi fundado o convento da Ordem Terceira
Regular na vila de Mogadouro em 1618 mas as obras prolongaram-se até 1689. Na segunda metade do século XVIII, após licença obtida em 1740, em 1752 foi fundado o Seminário Apostólico, em Vinhais. Entre 1762 e 1780 a Ordem Terceira Secular fabricaria o seu próprio templo, também na vila de Vinhais. Outros espaços franciscanos existiram no território da diocese porém não resistiram até à contemporaneidade. A
intensa presença da ordem franciscana na Diocese de Bragança-Miranda enquanto agentes socializadores constitui uma das linhas definidoras do âmbito de estudo. As esculturas, assim como as restantes representações figurativas, ilustravam os princípios doutrinários e constituíam, numa sociedade maioritariamente iletrada, um poderoso veículo de transmissão de conceitos. A par das emanações eclesiásticas gerais e as particulares da ordem de São Francisco, também a devoção popular foi definindo as
devoções e as invocações taumatúrgicas que envolvem as esculturas em estudo. Muitas das identificações das figuras representadas nas esculturas estavam já esquecidas, os quase duzentos anos que nos separam da extinção das ordens religiosas criaram uma rutura na memória dos coletivos que as esculturas refletem. O reavivar da memória coletiva que se pretende com este estudo sugere um conjunto de abordagens diversas
cuja relação permita perceber a importância que a escultura teve. Quem foram os seus destinatários? Que oficinas as realizavam? Em que materiais se produziam? Quais as principais caraterísticas formais e técnicas? Que modelos artísticos tiverem mais aceitação? Que cultos e devoções foram mais amplificados? Que tipologias iconográficas se privilegiaram? Que princípios doutrinários se valorizavam? Que relação existia entre a produção escultórica dos diferentes espaços franciscanos da Diocese? Que relevância tinham as esculturas no espaço sagrado? Que papel desempenhavam nos rituais? Qual a sua função nas intercessões sociais em que participavam? A estas e outras questões tentamos responder neste trabalho. Propusemonos
para isso a inventariar todos os objetos escultóricos ao culto e em guarda nos espaços franciscano da Diocese de Bragança-Miranda. De modo a podermos analisar formalmente as situações de originalidade, o peso dos tradicionalismos e as influências exteriores com importância na caracterização das esculturas. A posterior análise iconográfica das figuras permitiu-nos perceber as narrativas e avaliar as intenções e os testemunhos ideológicos expressos nos objetos artísticos. Neste sentido, acompanhamos um tempo pautado pela espiritualidade que definiu os comportamentos sociais e as narrativas doutrinárias que ainda hoje as obras artísticas ilustram. O estudo da escultura da Ordem Franciscana na Diocese de Bragança-Miranda propiciou um caminho essencial para entender a arte sacra transmontana nas suas aproximações aos valores difundidos pelo território português e, simultaneamente, nas suas peculiaridades de espaço interior de
fronteira.
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Escultura Conventos Franciscanos Diocese de Bragança-Miranda Iconografia