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Abstract(s)
No Nordeste transmontano, a cultura do castanheiro (Castanea sativa Mill.) tem grande importância, económica, social, cultural e paisagística. A dinâmica populacional de fungos associados a uma plantação de castanheiros localizada em Bragança foi avaliada mediante a monitorização dos seus corpos de frutificação, os cogumelos. Os resultados evidenciaram uma flora micológica diversificada, tendo sido registadas 73 espécies, pertencentes a 16 famílias e 23 géneros. A frutificação dos cogumelos ocorreu em duas épocas distintas do ano, uma no Outono e outra na Primavera, sendo a primeira aquela onde se observou um maior número de espécies e de carpóforos. A temperatura e precipitação parecem influenciar a diversidade e a abundância das espécies fúngicas existentes no souto. A elevada predominância das espécies micorrízicas, que perfizeram 82% do total registado, sugere que o ecossistema estudado se encontra em equilíbrio e em bom estado de conservação.
O estudo de interacção entre o fungo ectomicorrízico Pisolithus tinctorius (Pers.) Coker & Couch e o fungo saprófita-lenhícola Hypholoma fasciculare (Huds.) P. Kumm., ambos com ocorrência no souto estudado, foi realizado pelo método de cultura dupla. A acção antagonista de H. fasciculare sobre P. tinctorius foi evidenciada pelos mecanismos de “antagonismo à distância”, nos estádios iniciais da interacção, e “interferência de hifas”, nos estádios tardios. A espécie P. tinctorius parece responder à acção antagonista pela formação de um micélio mais compacto e provavelmente pela produção de ácido oxálico.
O estudo da interacção entre raízes de plântulas de C. sativa e o fungo P. tinctorius ou H. fascicular foi efectuado num sistema hidropónico. Em ambos os sistemas, durante as primeiras 48 horas de contacto raiz-fungo, foi verificada a indução de resposta de defesa semelhante à observada em interacções planta-patogénio. Nesta resposta foi observada produção de espécies reactivas de oxigénio (ROS), como peróxido de hidrogénio (H2O2) e anião superóxido (O2•-), cujos níveis parecem ser regulados pela acção coordenada entre as diferentes vias de produção de ROS e a inactivação/activação de enzimas antioxidantes (catalase e superóxido dismutase). A partir das 48 horas após inoculação os mecanismos subjacentes à defesa parecem distinguir-se em função do tipo de interacção, surgindo efeitos deletérios para as plantas inoculadas com H. fasciculare, contrariamente ao verificado em plantas inoculadas com o fungo ectomicorrízico. A agressividade exibida por H. fasciculare sobre C. sativa, poderá estar associada à produção de hidrofobinas produzida pelo fungo, tendo sido identificada e caracterizada a região codificante de uma hidrofobina de classe I.
Este trabalho revela que o solo do souto constitui um meio natural muito complexo onde opera uma grande variedade de interacções entre diferentes organismos. A acção antagonista de H. fasciculare sobre P. tinctorius, a ser verificada em condições naturais, poderá colocar em risco a sustentabilidade e produtividade da cultura do castanheiro, dado o efeito benéfico da micorrização com P. tinctorius no crescimento e nutrição de castanheiros e efeito protector contra patogénicos radiculares. Este risco poderá ainda ser mais ampliado pelo facto do fungo H. fasciculare exibir um comportamento agressivo contra plântulas de castanheiro.
Description
Keywords
Macrofungos Biodiversidade Castanea sativa Pisolithus tinctorius Hypholoma fasciculare Interacção planta-fungo
Citation
Baptista P.C.S. (2007). Macrofungos associados à cultura de castanheiro: aspectos da sua biodiversidade e da interacção de Pisolithus tinctorius e Hypholoma fasciculare com raízes de Castanea sativa Mill. Braga: Universidade do Minho. Tese de Doutoramento em Ciências