Percorrer por autor "Rosa, Jacira Tavares da"
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- Satisfação com o trabalho dos Enfermeiros de Família no Atendimento à População Estrangeira: Estudo Comparativo entre Portugal e Cabo VerdePublication . Rosa, Jacira Tavares da; Anes, EugéniaOs países europeus têm vindo a registar mudanças rápidas no padrão demográfico, sendo atualmente caracterizada por uma sociedade multicultural. Em 2024, Portugal teve um aumento significativo de população residente estrangeira face ao ano de 2023 (AIMA, 2024), com Cabo Verde a representar a 5º maior comunidade estrangeira no país. Por outro lado, dadas as características geográficas e turísticas, Cabo Verde, têm sido um destino escolhido por visitantes de diversas nacionalidades, especial também para os portugueses. Esta mudança impõe significativos adaptações e desafios à prestação de cuidados de saúde à população estrangeiras. Neste contexto, os enfermeiros, especialmente os enfermeiros de família, constituem um elemento fundamental e de proximidade na resposta às necessidades destas populações culturalmente diferentes. Assim torna-se fundamental a orientação das práticas de enfermagem numa precetiva culturalmente competente, sendo este um fator que pode impactar diretamente na satisfação profissional destes profissionais. Objetivos: analisar a relação entre o nível de satisfação com o trabalho dos enfermeiros que exercem funções no âmbito da saúde familiar, face ao atendimento à população estrangeira, comparando os contextos de Portugal e Cabo Verde. Metodologia: estudo quantitativa, de natureza transversal, observacional, descritivo-correlacional. A população-alvo corresponde a enfermeiros que exercem funções em Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) e Unidades de Saúde Familiar (USF), em Portugal e enfermeiros que exercem funções em Cuidados de Saúde Primários, nos Centros de Saúde (CS) e respetivas extensões (Posto de Saúde e Unidade Básica de Saúde), em Cabo Verde. A amostra, de carácter não probabilístico por conveniência e bola de neve (amostragem snowball sampling), constituída por 71 enfermeiros. O instrumento de recolha de dados consistiu num questionário, aplicado via google form, composto por duas partes: uma que avalia a caracterização sociodemográfico e profissional, e outra avalia a escala de satisfação profissional com o trabalho de Pais-Ribeiro (2002). Os dados foram analisados com recurso aos softwares Excel e Jamovi 2.7.6. Foram considerados os pressupostos éticos da declaração de Helsínquia (2013) e Convenção Oviedo (2000). Foi solicitado consentimento informado e obtido parecer favorável da Comissão de Ética do IPB e da Comitê Nacional de Ética e Pesquisa em Saúde de Cabo Verde. Resultados: a amostra foi constituída por n=71 enfermeiros, sendo n= 40 de Portugal e n= 29 de Cabo Verde. A média global de satisfação profissional foi m = 3,18, indicando um nível moderado de satisfação. As médias por país foram semelhantes (Portugal m =3,22; Cabo Verde m= 3,10), revelando satisfação moderada entre os enfermeiros, sem diferenças significativas estatisticamente (p = 0,276). As variáveis sociodemográficas não apresentaram correlação estatisticamente significativa com a satisfação no trabalho (p >0,05). Comparando os dois países, em Portugal a dimensão “relação com colegas”, obteve uma a menor média (m = 2,91), enquanto em Cabo Verde a dimensão com menor média (m = 2,96) foi “reconhecimento profissional pelos outros”. Ambos os grupos consideram barreiras e estratégias semelhantes no atendimento à população estrangeira e afirmaram estar satisfeitos com o nível de cuidados oferecidos á população estrangeira. Conclusão: os enfermeiros de Portugal e Cabo Verde apresentam níveis moderados de satisfação profissional, sem diferença estatisticamente significativas entre os dois países. Apesar das semelhanças gerais, observam-se fragilidades especificas, em Portugal, a dimensão “relação com os colegas” apresentou uma média ligeiramente inferior, enquanto em Cabo Verde a dimensão com menor média foi “reconhecimento pelos outros”. Em ambos os contextos, indicaram barreiras semelhantes no atendimento a populações estrangeira, destacando-se a barreira linguística e cultural, bem como a falta de formação orientada para a competência cultural. Entre as estratégias apontadas para melhorar o atendimento, destacam-se a importância da empatia, do respeito pelas crenças e a comunicação terapêutica eficaz. Mostrando-se globalmente satisfeitos com os cuidados prestados a essa população.
