Percorrer por autor "Moraes, Karinne Novaes de"
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- Modelação da sobrevivência de Staphylococcus aureus em bifes revestidos com extrato oleoso de sementes de urucum (Bixa orellana L.)Publication . Moraes, Karinne Novaes de; Gonzales-Barron, Ursula; Cadavez, Vasco; Oliveira, Fabiano Alves deOs extratos obtidos a partir das sementes de Bixa orellana L. (urucum) são amplamente utilizados na indústria alimentar como um corante natural. Além disso, a composição química destas sementes tem sido associada à capacidade de retardar a deterioração de alimentos propícios a contaminação microbiana. Assim, a presente tese teve por objetivo geral avaliar o efeito antimicrobiano dos extratos de urucum, em um alimento muito propício à contaminação microbiana, a carne fresca, sobre Staphylococcus aureus, o qual é um patógeno de alta relevância nesta matriz alimentar. Este objetivo foi alcançado pela realização de duas experiências que visaram: (1) realizar uma síntese meta-analítica da capacidade antimicrobiana in vitro dos diversos extratos de urucum sobre S. aureus; e (2) caracterizar, mediante modelos de microbiologia preditiva, a cinética de sobrevivência do S. aureus, durante o período de refrigeração, em bifes de carne bovina revestidos com extrato de sementes de urucum em óleo de coco, embalados em atmosfera normal e a vácuo. Para a modelação meta-analítica do diâmetro de inibição e da concentração mínima inibitória (MIC), referente à capacidade antimicrobiana in vitro destes extratos sobre o patógeno em questão, foi realizada uma revisão sistemática seguida da extração de dados de 17 artigos com informações consideradas relevantes. Para os dados de diâmetro de inibição encontrados nos artigos, aplicaram-se três modelos meta-analíticos com moderadores, e para o MIC realizou-se uma meta-análise de subgrupos sem moderadores. O Modelo 1 que testou os efeitos do solvente, da concentração do extrato e da parte da planta, demonstrou um efeito significativo da concentração do extrato (p<0,001) no diâmetro de inibição, bem como permitiu evidenciar diferenças entre solventes (p<0,001) na sua eficácia na extração de compostos antimicrobianos. Para uma concentração fixa de extrato de folhas de 1,0 mg/ml, a extração em éter de petróleo produz maior diâmetro de inibição (12,71 mm) enquanto a extração em álcali produz o menor diâmetro de inibição (8,954 mm). O Modelo 2 mostrou que para uma concentração de 1,0 mg/ml, o diâmetro de inibição provocado pelo extrato de folhas foi de 10,97 mm e pelo extrato de sementes foi de 8,725 mm. Desta forma, S. aureus possui maior susceptibilidade aos extratos obtidos a partir de folhas. O Modelo 3 mostrou que os extratos metanólicos produziram halos de inibição 4,823 mm superiores (p<0,001) aos dos extratos etanólicos, e demonstrou que para um mesmo incremento na concentração do extrato, o extrato metanólico produz um incremento superior (+0,734 mm) no diâmetro de inibição do que o extrato etanólico (p=0,004). Os modelos meta-analíticos dos MIC evidenciaram que os extratos metanólicos e etanólicos de urucum têm maior efeito bacteriostático que os extratos obtidos com clorofórmio. O MIC global para os extratos de folhas (1,145 mg/ml; IC 95% 0,334 – 3,921 mg/ml) foi inferior ao MIC global para os extratos de sementes (1,383 mg/ml; IC 95% 0,179 – 10,70 mg/ml). A caracterização da cinética de sobrevivência do S. aureus em bifes refrigerados revestidos com extrato de sementes de urucum em óleo de coco ao 0%, 10%, 20% e 30%, e armazenados sob atmosfera normal ou a vácuo, foi realizada mediante o ajuste do modelo Weibull(σ, β) a cada uma das curvas experimentais obtidas após inoculação superficial do patogênico nos bifes (~5.3 log CFU/cm2). Em termos gerais, quanto maior foi a concentração de urucum extraído, maior foi seu poder bactericida. Exceto para o extrato de urucum a 30%, todas as curvas do S. aureus inoculado nos bifes mantidos em atmosfera normal apresentaram uma fase inicial de resistência à inativação, pelo que os parâmetros de forma β quantificaram a convexidade da curva de inativação com valores maiores a 1,0. Comprovou-se uma maior inativação quando os bifes foram embalados a vácuo, mediante o decréscimo imediato do S. aureus em todas as curvas de sobrevivência, agora côncavas (β<1,0). Uma transformação dos parâmetros Weibullianos σ e β permitiu estimar o tempo necessário para atingir a primeira redução decimal do S. aureus em bifes revestidos com óleo de urucum extraído ao 0%, 10%, 20% e 30%, o qual foi ∞, 14,4 dias (IC 95%: 8,1 – 20,8 dias), 8,3 dias (IC 95%: 6,6 – 10,1 dias) e 2,5 dias (IC 95%: 0,24 – 4,8 dias), respectivamente, quando embalados em atmosfera normal; e significativamente e gradativamente menores quando embalados a vácuo: 10,6 dias (IC 95%: 0,80 – 22 dias), 7,2 dias (IC 95%: 0,11 – 14,3 dias), 2,9 dias (IC 95%: 2,2 – 3,7 dias) e 0,43 dias (IC 95%: 0,05 – 0,81 dias), respectivamente. Este trabalho de investigação permitiu concluir que o extrato de sementes de urucum em óleo de coco apresenta-se como um antimicrobiano promissor que pode ser aplicado como cobertura de carnes de bovino in natura para o controle do S. aureus.
