Browsing by Author "Monteiro, Diana Aurora Moreira"
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- Valorização de biomassa algal resultante de processos de biorremediaçãoPublication . Monteiro, Diana Aurora Moreira; Fernandes, ConceiçãoA biorremediação de efluentes através de microalgas ganha cada vez mais relevo, dada a comprovada eficácia do processo. Porém, a biorremediação, por norma, tem como objetivo remediar o efluente, obstante das transformações que resultam na biomassa. Assim, a possibilidade de obter biomassa utilizando efluentes com elevada carga orgânica e concomitantemente efetuando um processo de biorremediação, insere-se nas diretrizes atuais de gestão de resíduos que permitem minimizar o impacto ambiental, promovendo mais-valias. Neste contexto surge o objetivo principal deste trabalho que visa caracterizar e comparar, do ponto de vista físico-químico e toxicológico, a biomassa resultante de processo de biorremediação de águas ruças de duas (AR-2) e três fases (AR-3). Os ensaios foram desenvolvidos em culturas batch utilizando células imobilizadas de Chlorella vulgaris, tendo-se avaliado a biomassa resultante de diferentes concentrações de AR (35%, 50% e 60% nas AR-2; 20% nas AR-3). Nos ensaios com AR-2 foi ainda avaliada a biomassa resultante de dois tratamentos sucessivos (2º ciclo da biomassa) e a resultante da otimização do processo, quer pelo uso de fotobiorreator de coluna de bolhas, quer pelo biotratamento do efluente sem preservação, por oposição à conservação por acidificação e congelação. Nos ensaios com AR-3 foi ainda avaliada a biomassa resultante de um segundo tratamento do efluente (2º tratamento). A caracterização físico-química da biomassa foi realizada, comparativamente com os controlos (T0 e controlo negativo), pela variação do volume de esferas inoculadas e pelos teores de clorofila total, clorofila a e b (Chl a e Chl b), carotenoides, e proteínas totais. A variação dos compostos fenólicos foi avaliada na biomassa e no efluente (Folin-Ciocalteau e HPLC). Também os testes de ecotoxicidade foram realizados na biomassa e no efluente, respetivamente com a Daphnia magna (biomassa) e Artémia salina (efluente). Os resultados mostraram que a biomassa resultante das biorremediações apresenta potencialidade para futura utilizações, em especial as resultantes dos ensaios realizados em AR-2 (35% 2º ciclo e 50% com uso de coluna de bolhas). Estas séries apresentaram aumentos, quer a nível proteico, quer a nível de pigmentos, com especial destaque para os carotenoides. Os ensaios com AR-3 (20%) não se mostraram convidativos no que respeita ao teor de pigmentos, contudo o incremento do seu teor de proteínas apresenta potencial. Ao nível dos compostos fenólicos registou-se uma diminuição no efluente após a biorremediação, demonstrando o potencial das microalgas para este efeito e a não incorporação destes compostos na biomassa final. Os resultados obtidos na ecotoxicidade vêm de acordo com os anteriores, uma vez que após a biorremediação, o efluente diminuiu a sua toxicidade e a biomassa aumenta a sua. Apesar da biomassa resultante apresentar alguma toxicidade, tal não inviabiliza a sua valorização. Assim, esta biomassa apresenta-se com um enorme potencial de utilizações, porém com necessidade de um estudo mais aprofundado.