Percorrer por autor "Meneguzzo, Maria Fernanda"
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- Efeitos de Incêndios Rurais nas Propriedades Químicas de Solos do Parque Natural do Alvão, Norte de PortugalPublication . Meneguzzo, Maria Fernanda; Fonseca, Felícia; Aguiar, Carlos; Soares, André BrugnaraOs incêndios rurais, definidos como qualquer fogo não planeado que ocorre em espaços rurais, incluindo áreas florestais, agrícolas, agroflorestais e matos, provocam perturbações frequentes nas regiões mediterrâneas, impactando consideravelmente as propriedades químicas dos solos de montanha. Este estudo avaliou o efeito do fogo sobre atributos químicos do solo no Parque Natural do Alvão (PNAL), Norte de Portugal, comparando diferentes condições de cobertura vegetal e perturbação (tratamentos): (1) pastagem herbácea de montanha (PM), (2) urzal/tojal (UT), (3) urzal (U) e (4) áreas afetadas por incêndios severos (IS), em três profundidades de amostragem (0–5 cm, 5–10 cm e 10–20 cm). As análises de laboratório incluíram matéria orgânica, pH em H₂O, fósforo e potássio extraíveis, bases de troca, capacidade de troca catiónica efetiva (CTCe), acidez de troca, alumínio de troca, boro e manganês. Os resultados mostram que o tratamento UT apresenta os maiores teores de matéria orgânica, CTCe, potássio, cálcio e manganês, sobretudo na camada superficial (0–5 cm). O aumento destes atributos poderá estar associado à acumulação de cinzas e à maior disponibilidade de nutrientes após o fogo. Os valores de pH do solo variaram de ácido a subácido em todos os tratamentos, sem apresentar diferenças estatisticamente significativas entre os tratamentos nas camadas mais profundas. O fósforo extraível foi mais elevado no tratamento PM, o que pode refletir diferenças na dinâmica da matéria orgânica e dos nutrientes entre as coberturas vegetais. Em todas as profundidades, a acidez e o alumínio trocáveis permaneceram elevados, o que indica que as condições de fitotoxicidade potencial persistiram após o incêndio. Na camada de 10–20 cm, a menor influência do calor direto das chamas resultou em alterações químicas menos expressivas. As mudanças observadas parecem estar principalmente relacionadas com processos de redistribuição de nutrientes e com modificações na dinâmica do carbono orgânico do solo induzidas pelo fogo. Os resultados demonstram a importância da adoção de estratégias de gestão pós-fogo adaptadas às condições locais, incluindo a utilização do fogo prescrito como ferramenta potencial de gestão da vegetação e medidas de correção da acidez do solo, de modo a favorecer a recuperação da fertilidade química e a regeneração da vegetação.
