Percorrer por autor "Manuel, Nelma Matilde Marques de Oliveira"
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- Avaliação de Riscos Ambientais nas Operações Portuárias: Caso da SOGESTER SAPublication . Manuel, Nelma Matilde Marques de Oliveira; Feliciano, Manuel; Miguel, NsumboO presente relatório de estágio tem como objetivo avaliar os riscos ambientais associados às operações portuárias da SOGESTER SA, empresa concessionária responsável pela gestão do terminal multiusos do Porto de Luanda, em Angola, dedicada à prestação de serviços portuários, nomeadamente no carregamento, descarregamento e armazenamento de contentores. O estudo enquadra-se na crescente necessidade de integrar práticas sustentáveis nas atividades portuárias, reconhecendo os impactos significativos que estas podem exercer sobre o solo, a água e a atmosfera. No âmbito da componente prática do estágio, foram realizadas inspeções departamentais, patrulhamentos às áreas operacionais e avaliações de risco, por um período de 3 meses, que proporcionaram um contacto direto com as condições reais de funcionamento do terminal. A análise mais aprofundada dos riscos ambientais, abrangendo as emissões atmosféricas, a gestão de resíduos, os efluentes líquidos e a poluição sonora, assentou na consulta e interpretação de relatórios internos disponibilizados pela empresa. Os resultados evidenciaram que o abastecimento de combustíveis é a atividade de maior criticidade (nível de risco 9/9), seguida da movimentação de contentores e do armazenamento de cargas perigosas (nível 6/9). A monitorização do ruído ocupacional em quatro pontos do terminal revelou excedências do limite de referência de 70 dB(A) (NP ISO 1996-1:2018) em três das quatro áreas avaliadas: a área dos geradores registou o valor mais elevado, com 85,3 dB(A) de máximo e 80,5 dB(A) de mínimo, excedendo o limite em 15,3 dB(A); a área técnica registou entre 68,0 e 76,0 dB(A); e a área da oficina registou entre 65,0 e 71,1 dB(A). Apenas a área administrativa, com valores entre 58,0 e 60,3 dB(A), se manteve dentro dos limites recomendados. A avaliação da qualidade do ar revelou que a zona dos geradores apresentou concentrações de PM2,5 de 25 µg/m3 (superior em 67% ao limite de 15 µg/m3), PM10 de 47 µg/m3 (acima do limite de 45 µg/m3) e, de forma particularmente preocupante, uma concentração de formaldeído (HCHO) de 1,36 mg/m3, valor cerca de treze vezes superior ao limite de referência de 0,10 mg/m3. Em contraste, a secção dos Cais I e II apresentou qualidade do ar classificada como "Good", com PM2,5 de 7 µg/m3 e PM10 de 9 µg/m3. Face a este diagnóstico, foram formuladas propostas de melhoria orientadas para o reforço dos sistemas de gestão ambiental, a implementação de indicadores de desempenho e a capacitação contínua dos colaboradores. Conclui-se que uma gestão de riscos ambientais integrada e proactiva é condição essencial para a sustentabilidade das operações portuárias, contribuindo simultaneamente para a proteção do ambiente, a segurança dos trabalhadores e a eficiência operacional da organização.
