Percorrer por autor "Henriques, Sara Andreia Pereira Rocha"
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- Cuidadores Informais de Pessoas com Demência: Perceção da Funcionalidade Familiar, Coesão, Adaptabilidade e SobrecargaPublication . Henriques, Sara Andreia Pereira Rocha; Brás, Manuel AlbertoO aumento da prevalência das demências constitui atualmente um dos principais desafios de saúde pública à escala global, com repercussões significativas nos sistemas de saúde, nos serviços de apoio social e, particularmente, nas famílias responsáveis pela prestação de cuidados. O exercício do papel de cuidador informal de uma pessoa com Perturbação Neurocognitiva Major associa-se frequentemente a exigências físicas, emocionais, sociais e organizacionais elevadas, suscetíveis de comprometer a funcionalidade familiar, a coesão, a adaptabilidade e o equilíbrio biopsicossocial do cuidador. Neste contexto, torna-se fundamental compreender de que forma as variáveis sociodemográficas, profissionais e clínicas influenciam a dinâmica familiar e a sobrecarga associada ao processo de cuidar. O presente estudo teve como objetivo analisar a relação entre as variáveis sociodemográficas, profissionais e clínicas e a perceção da funcionalidade familiar, da coesão, da adaptabilidade e da sobrecarga dos cuidadores familiares de pessoas com demência acompanhadas pelo Serviço de Apoio Domiciliário às Demências de Mogadouro. Metodologicamente, trata-se de um estudo quantitativo, não experimental, descritivo-correlacional e transversal. Recorreu-se a uma amostragem não probabilística por conveniência. A recolha de dados decorreu num único momento temporal, em contexto domiciliário, mediante aplicação de um formulário de caracterização sociodemográfica, profissional e clínica, complementado pelas escalas APGAR Familiar, Family Adaptability and Cohesion Evaluation Scales II (FACES II) e Escala de Sobrecarga do Cuidador de Zarit. Na análise inferencial utilizaram-se testes estatísticos adequados à natureza das variáveis em estudo, assumindo-se um nível de significância estatística de 5% (p<0,05), com recurso ao software IBM SPSS Statistics®, versão 27.0. A amostra integrou 121 cuidadores informais, predominantemente do sexo feminino (66,9%), maioritariamente com idades compreendidas entre os 59 e os 78 anos e casados ou em união de facto (79,2%). Observou-se uma baixa escolaridade numa proporção relevante da amostra, verificando-se que 32,2% dos participantes frequentaram apenas o 1.º ciclo do ensino básico e 12,4% não possuíam habilitações literárias. A maioria dos cuidadores era filho(a) da pessoa com demência (46,3%), seguida de cônjuges ou irmãos (36,4%), sendo que 71,1% referiu assumir os cuidados sem partilha com outros elementos da rede familiar ou social. A doença de Alzheimer constituiu a tipologia de demência mais prevalente (42,1%), seguida da demência mista (37,2%). Relativamente à funcionalidade familiar, 43,0% dos cuidadores percecionaram boa funcionalidade familiar, embora 36,4% evidenciassem disfunção familiar moderada. No domínio da coesão familiar predominou a tipologia separada (57,0%) e, relativamente à adaptabilidade, verificou-se predominância das famílias flexíveis (49,6%). A maioria dos cuidadores apresentou níveis elevados de sobrecarga, classificados como sobrecarga intensa (81,8%). Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre funcionalidade familiar e coesão, adaptabilidade, tipologia familiar, grau de parentesco e estádio de declínio cognitivo da pessoa com demência (p<0,05). Os resultados evidenciam que os cuidadores informais de pessoas com demência, predominantemente mulheres, enfrentam níveis substanciais de sobrecarga física, emocional e social, frequentemente agravados pela reduzida partilha dos cuidados e pela progressiva dependência funcional da pessoa cuidada. O agravamento do declínio cognitivo revelou-se um fator determinante na intensificação da sobrecarga e na reorganização da dinâmica familiar. Estes achados reforçam a necessidade de desenvolvimento de intervenções de enfermagem centradas na família, sustentadas numa abordagem sistémica e integrada, orientadas para a capacitação do cuidador informal, o fortalecimento da funcionalidade familiar, a promoção da adaptação ao papel de cuidador e a melhoria da qualidade de vida de todos os intervenientes no processo de cuidado.
