Percorrer por autor "Carneiro, Marisa Cristina Saraiva Vieira"
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- Perceção de Funcionalidade Familiar, Conhecimento e Atividades de Autocuidado em Utentes com Diagnóstico de Diabetes MellitusPublication . Carneiro, Marisa Cristina Saraiva VieiraO presente relatório descreve o Estágio de Natureza Profissional, realizado entre 1 de outubro de 2024 e 31 de março de 2025, na USF Santa Clara, com o propósito de analisar o desenvolvimento de competências especializadas em enfermagem comunitária na área de enfermagem de saúde familiar. Como parte integrante deste percurso, é apresentado o estudo de investigação, intitulado "Perceção de Funcionalidade Familiar, conhecimento e atividades de autocuidado em utentes com diagnóstico de Diabetes Mellitus". O estudo, de natureza quantitativa, observacional, descritivo- correlacional e transversal, teve como objetivo analisar a relação entre variáveis sociodemográficas, clínicas e a perceção de funcionalidade familiar, o conhecimento e o autocuidado em 210 utentes das USF Santa Clara e Aqueduto. Os dados foram recolhidos entre 14 de fevereiro e 14 de março de 2025, através de um formulário que incluiu o questionário sociodemográfico e clínico e três escalas validadas: APGAR Familiar (Agostinho & Rebelo, 1998), a Escala de Atividade de Autocuidado com a Diabetes (Bastos, 2004) e o Questionário de Conhecimentos sobre a Diabetes (Bastos et al., 2007). Os dados foram analisados com o software R (versão 4.4.2). Os resultados revelaram uma amostra predominantemente masculina e envelhecida, com baixa escolaridade, casados ou em união de facto e com várias patologias além da DM. A maioria dos participantes (77,1%) percecionou alta funcionalidade familiar. A nível de conhecimentos, apresentaram um total de respostas corretas de 57,9%. Nas atividades de autocuidado, demonstraram uma elevada frequência de lavagem com os pés, com média de 6,55 dias/semana e adesão à medicação alta, com média de 6,66 dias/semana. Os principais resultados indicaram que o estado civil (p=0,036) e o nível de escolaridade (p=0,037) se associaram estatisticamente com a perceção de funcionalidade familiar. A presença de múltiplas patologias também se correlacionou com uma maior perceção de funcionalidade (p<0,001). Em relação ao autocuidado, verificaram-se associações estatisticamente significativas com o sexo feminino (U=6494,50 p=0,02) e o nível de escolaridade em dimensões específicas como a alimentação geral (H= 11,98 p=0,01), a atividade física (H=9,06 p=0,03) e a adesão à medicação (H=8,23 p=0,04). O número de patologias diagnosticadas associou- se de forma inversa ao autocuidado total (H=10,64 p=0,01) e à atividade física (H=18,65 p<0,001). Foi identificada uma relação estatisticamente significativa entre o conhecimento sobre a DM e o autocuidado (r=0,28 p<0,001). Embora a funcionalidade familiar não se tenha associado ao autocuidado total (U=4517,5 p=0,0888), revelou uma correlação negativa estatisticamente significativa com a monitorização da glicemia (r=-0,15; p=0,029) e uma correlação positiva estatisticamente significativa com os cuidados com os pés (r=0,19; p=0,0067). A realização deste estudo, em estreita articulação com a prática clínica, contribuiu de forma indissociável para o desenvolvimento de competências fundamentais para o enfermeiro mestre e especialista em enfermagem comunitária na área de enfermagem de saúde familiar. Através de uma abordagem guiada pelo referencial teórico MDAIF, a autora consolidou a sua capacidade de avaliar a família como unidade de cuidados, de forma ética e holística, e de liderar processos de intervenção centrados na pessoa e na família. Esta experiência reforçou a importância da prática baseada na evidência, da gestão dos cuidados e da colaboração interprofissional para a prestação de cuidados de qualidade, personalizados e eficazes. Os resultados reforçam, assim, a necessidade de intervenções ajustadas ao contexto familiar para capacitar os utentes na gestão da DM, o que se alinha diretamente com as competências da especialidade.
