Teixeira, MariaVera, TeixeiraMorais, SofiaAnes, EugéniaBrás, Manuel Alberto2026-02-272026-02-272025Teixeira, Maria; Morais, Sofia; Teixeira, Vera; Brás, Manuel Alberto; Anes, Eugenia (2025). Cuidar da alma no fim da vida: reflexão crítica da prática de enfermagem com base na evidência. In Seminário´25 Gerontológico. Bragançahttp://hdl.handle.net/10198/35878A espiritualidade revela-se uma dimensão essencial no cuidado à pessoa idosa em fim de vida, ao proporcionar conforto, sentido e dignidade perante o sofrimento físico, emocional e existencial. Para além da religiosidade, envolve a procura de paz interior, conexão com o outro e significado. Esta reflexão crítica, desenvolvida a partir da análise da evidência científica e da vivência prática em contexto de cuidados paliativos, procura reforçar a importância de integrar a espiritualidade no cuidado, promovendo uma abordagem holística centrada na pessoa. O enfermeiro, pela sua proximidade e papel relacional, assume uma função central na concretização de cuidados espiritualmente sensíveis, compassivos e humanizados (Monteiro & Ferreira, 2018).Objetivos: Analisar a importância da espiritualidade nos cuidados ao idoso em fim de vida, com base na evidência científica e na reflexão crítica da prática clínica; refletir sobre o impacto do sofrimento existencial; evidenciar os benefícios da abordagem espiritual na promoção da dignidade e do bem-estar; e valorizar o papel do enfermeiro na humanização dos cuidados paliativos. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa e reflexiva da literatura científica, centrada na espiritualidade como componente dos cuidados paliativos à pessoa idosa. A pesquisa decorreu nas bases PubMed, SciELO e CINAHL, com inclusão de artigos publicados entre 2013 e 2023, nos idiomas português, inglês e espanhol. Utilizaram-se descritores como spirituality, palliative care, older adults e nursing. Foram inicialmente identificados 72 artigos. Após leitura dos títulos, resumos e aplicação dos critérios de inclusão (relevância temática, atualidade e rigor metodológico), foram incluídos 18 artigos na análise final. A interpretação dos dados baseou-se numa leitura crítica e extração temática. Esta revisão foi enriquecida por uma reflexão crítica sustentada na prática clínica dos autores em contexto de cuidados paliativos, estabelecendo conexões entre a evidência disponível e os desafios vivenciados no terreno. Resultados: A análise crítica dos 18 artigos selecionados, em articulação com a prática clínica dos autores em contexto de cuidados paliativos, permitiu identificar um conjunto consistente de evidências que reforçam o valor da espiritualidade como componente essencial do cuidado ao idoso em fim de vida. Emergiram cinco grandes categorias temáticas: 1. Alívio do sofrimento emocional e existencial: A maioria dos estudos apontou que a abordagem espiritual contribui significativamente para a redução de sintomas como ansiedade, medo da morte, desesperança e depressão. A espiritualidade oferece ao idoso um sentido de continuidade, propósito e reconciliação interior. 2. Promoção da aceitação da morte e serenidade no processo de morrer: Diversos autores evidenciaram que o suporte espiritual favorece a aceitação da finitude, promove serenidade e ajuda o doente a enfrentar a morte com maior paz interior, reforçando a dignidade no fim de vida. 3. Fortalecimento das relações interpessoais: A presença da espiritualidade no cuidado mostrou-se importante na promoção de vínculos significativos com a família e com os profissionais de saúde, facilitando a comunicação emocional e a coesão familiar durante o processo de luto antecipado. 4. Papel do enfermeiro como agente espiritual: Foi destacada a atuação do enfermeiro como figura chave no reconhecimento e acolhimento das necessidades espirituais do idoso, por meio de uma escuta ativa, presença empática e respeito pelas crenças individuais, mesmo quando não são religiosas. 5. Humanização e integralidade dos cuidados paliativos: A espiritualidade, integrada de forma ética e sensível, contribuiu para a humanização dos cuidados, permitindo ver o doente como pessoa em todas as suas dimensões — física, psicoemocional, social e espiritual. Esta abordagem promoveu não apenas alívio do sofrimento, mas também reconexão com valores pessoais e transcendentais. Além desses achados temáticos, a reflexão crítica dos autores revelou que, na prática, muitas vezes há uma lacuna entre o reconhecimento teórico da espiritualidade como essencial e a sua efetiva integração nos cuidados. Barreiras como falta de formação, insegurança dos profissionais e ausência de protocolos específicos foram apontadas tanto na literatura como observadas no terreno. Conclusão: A espiritualidade deve ser reconhecida como uma componente essencial dos cuidados ao idoso em fim de vida. A sua integração, fundamentada na evidência científica e enriquecida pela reflexão crítica da prática clínica, permite humanizar o cuidado, aliviar o sofrimento e preservar a dignidade da pessoa até ao último momento. Valorizar a escuta, a presença empática e o respeito pelas crenças da pessoa cuidada é uma responsabilidade ética e profissional do enfermeiro. Assim, cuidar do corpo é fundamental — mas é também ao cuidar da alma, com base na ciência e na sensibilidade reflexiva, que se promove um fim de vida verdadeiramente digno e humanizado.porCuidarEnfermagemCuidar da alma no fim da vida: reflexão crítica da prática de enfermagem com base na evidênciaTeixeira, Veraconference object