Baptista, Paula2011-07-042011-07-042007Baptista P.C.S. (2007). Macrofungos associados à cultura de castanheiro: aspectos da sua biodiversidade e da interacção de Pisolithus tinctorius e Hypholoma fasciculare com raízes de Castanea sativa Mill. Braga: Universidade do Minho. Tese de Doutoramento em Ciênciashttp://hdl.handle.net/10198/5729No Nordeste transmontano, a cultura do castanheiro (Castanea sativa Mill.) tem grande importância, económica, social, cultural e paisagística. A dinâmica populacional de fungos associados a uma plantação de castanheiros localizada em Bragança foi avaliada mediante a monitorização dos seus corpos de frutificação, os cogumelos. Os resultados evidenciaram uma flora micológica diversificada, tendo sido registadas 73 espécies, pertencentes a 16 famílias e 23 géneros. A frutificação dos cogumelos ocorreu em duas épocas distintas do ano, uma no Outono e outra na Primavera, sendo a primeira aquela onde se observou um maior número de espécies e de carpóforos. A temperatura e precipitação parecem influenciar a diversidade e a abundância das espécies fúngicas existentes no souto. A elevada predominância das espécies micorrízicas, que perfizeram 82% do total registado, sugere que o ecossistema estudado se encontra em equilíbrio e em bom estado de conservação. O estudo de interacção entre o fungo ectomicorrízico Pisolithus tinctorius (Pers.) Coker & Couch e o fungo saprófita-lenhícola Hypholoma fasciculare (Huds.) P. Kumm., ambos com ocorrência no souto estudado, foi realizado pelo método de cultura dupla. A acção antagonista de H. fasciculare sobre P. tinctorius foi evidenciada pelos mecanismos de “antagonismo à distância”, nos estádios iniciais da interacção, e “interferência de hifas”, nos estádios tardios. A espécie P. tinctorius parece responder à acção antagonista pela formação de um micélio mais compacto e provavelmente pela produção de ácido oxálico. O estudo da interacção entre raízes de plântulas de C. sativa e o fungo P. tinctorius ou H. fascicular foi efectuado num sistema hidropónico. Em ambos os sistemas, durante as primeiras 48 horas de contacto raiz-fungo, foi verificada a indução de resposta de defesa semelhante à observada em interacções planta-patogénio. Nesta resposta foi observada produção de espécies reactivas de oxigénio (ROS), como peróxido de hidrogénio (H2O2) e anião superóxido (O2•-), cujos níveis parecem ser regulados pela acção coordenada entre as diferentes vias de produção de ROS e a inactivação/activação de enzimas antioxidantes (catalase e superóxido dismutase). A partir das 48 horas após inoculação os mecanismos subjacentes à defesa parecem distinguir-se em função do tipo de interacção, surgindo efeitos deletérios para as plantas inoculadas com H. fasciculare, contrariamente ao verificado em plantas inoculadas com o fungo ectomicorrízico. A agressividade exibida por H. fasciculare sobre C. sativa, poderá estar associada à produção de hidrofobinas produzida pelo fungo, tendo sido identificada e caracterizada a região codificante de uma hidrofobina de classe I. Este trabalho revela que o solo do souto constitui um meio natural muito complexo onde opera uma grande variedade de interacções entre diferentes organismos. A acção antagonista de H. fasciculare sobre P. tinctorius, a ser verificada em condições naturais, poderá colocar em risco a sustentabilidade e produtividade da cultura do castanheiro, dado o efeito benéfico da micorrização com P. tinctorius no crescimento e nutrição de castanheiros e efeito protector contra patogénicos radiculares. Este risco poderá ainda ser mais ampliado pelo facto do fungo H. fasciculare exibir um comportamento agressivo contra plântulas de castanheiro.porMacrofungosBiodiversidadeCastanea sativaPisolithus tinctoriusHypholoma fasciculareInteracção planta-fungoMacrofungos associados à cultura de castanheiro: aspectos da sua biodiversidade e da interacção de Pisolithus tinctorius e Hypholoma fasciculare com raízes de Castanea sativa Mill.doctoral thesis101156847