Teixeira, Carlos2020-04-302020-04-302018Teixeira, Carlos (2018). Do cão-tinhoso (Honwana) ao cão das lágrimas (Saramago): Universos distópicos na literatura lusófona. In III Congresso Internacional de Cultura Lusófona: Fronteiras e horizontes: espaço(s) e tempo(s) de diálogo: livro de resumos. Portalegrehttp://hdl.handle.net/10198/21866A presente comunicação visa apresentar uma reflexão que emerge da leitura de duas narrativas: Nós matamos o Cão-Tinhoso, de Luís Bernardo Honwana e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago. Cruzando a poética com a análise literária, no centro desta reflexão coloca-se a construção da personagem “cão” problematizando as suas potencialidades semionarrativas na instauração (e, também, na contestação) de universos distópicos. Além disso, pontualmente, estabelecer-se-ão outras relações intertextuais evidenciando como, a propósito deste tema, vão dialogando diversas vozes narrativas em diferentes espaços e momentos da lusofonia. Neste sentido, recorda-se que as distopias não são apenas apresentações de “lugares” negativos (disfóricos); elas problematizam a capacidade de sonharmos mundos melhores (problematizam-na, sem necessariamente a negarem ou a destruírem). O recurso ao animal (no caso, ao cão) é problematizado como processo de (e)fabular a condição humana na sua sempre complexa relação com o outro. Estas narrativas dão corpo a uma poética que é simultaneamente do desencanto, pela ostentação de universos distópicos, e da subversão, pelo desafio à leitura profundamente crítica desses universos e do próprio desencanto que eles geram. Acresce que a leitura das referidas narrativas nos faz (re)pensar a figura feminina como verdadeiramente poética, isto é, criadora. Diante de um universo distópico, em que o comportamento humano se torna animalesco, a figura e a ação femininas recordam-nos que a esperança persiste. Os universos distópicos trazem para a luz a barbárie, colocando o leitor perante a experiência crua do drama humano, embora lhe recordem (em particular nos textos em análise) que toda essa experiência funciona como rito de (re)iniciação e ostenta uma reflexão acerca da precária realidade do mundo.porLiteratura lusófonaDistopiaRomance/contoPersonagemCãoDo cão-tinhoso (Honwana) ao cão das lágrimas (Saramago): Universos distópicos na literatura lusófonaconference object