Pereira, AnaMesquita, Elza2011-03-292011-03-292008Pereira, Ana; Mesquita, Elza da Conceição (2008). A arte na construção de pequenos grandes observadores. In 1.º Congresso Internacional em Estudos da Criança, Infâncias Possíveis, Mundos Reais: livro de resumos. Braga987-972-8952-08-2http://hdl.handle.net/10198/3792Procurou-se, nesta comunicação, apresentar aquilo que se traduziu num trabalho de projecto intitulado A arte na construção de pequenos grandes observadores que se desenvolveu durante o ano lectivo 2005/2006 numa escola de primeiro ciclo do Ensino Básico em meio rural. O trabalho de participação colaborativo dos actores envolvidos procurou questionar a forma como se poderia promover uma literacia da imagem. Assim partiu-se da seguinte problemática: se as crianças não têm o hábito de fazer leitura de imagens, quais serão os métodos de ensino-aprendizagem que facilitam o desenvolvimento dessa capacidade para que, em situações futuras, saibam descrever, através da observação, o conteúdo de uma obra de arte? Atchim foi a marioneta, meio palhaço meio gente, que permitiu a entrada da arte numa escola fria e isolada do Nordeste português. Recordaremos sempre o dia em que o Atchim, cheio de cor e vida, atravessou amedrontado o pátio cinzento e mal tratado de uma escola votada ao esquecimento e encontrou o olhar paralisado de doze crianças que frequentavam o 1.º, 2.º, 3.º e 4.º anos. Através do Atchim as crianças conheceram formas de arte que até então desconheciam. Com ele chegara à escola o hip-hop, o instrumental vocal e diferentes instrumentos musicais com os quais puderam desvendar muitas potencialidades. Mas, não foi só a música, com o Atchim chegaram outros amigos, também marionetas, que permitiram novas descobertas. Encontraram um Salvador Dali, um Miró, um Van Gogh… investigaram e descobriram que um deles até uma orelha cortou. Observaram pinturas e desconstruíram conceitos dando formas visuais às suas ideias, tornando-se cada vez mais curiosas e participativas. A Trancinhas, com a sua cor negra e o Sr. Branquinho, com a sua cor branca, marionetas de coração, permitiram trabalhar o sentido da igualdade na diferença. Surgiu então a possibilidade de cada criança construir a sua marioneta e, para tal, tiveram de realizar escolhas: a cor; o género; a raça; e depois tudo isso condicionaria o tipo de vestuário. Foi assim que entrou a multiculturalidade na escola. Mas entraram muitas mais coisas que é impossível descrever porque a azáfama com que vivemos a vida não nos deixa observar a magia que um simples boneco manipulável pode exercer numa criança, não só pelas mudanças explícitas mas também pelas implícitas. Na verdade o desenvolvimento do projecto permitiu-nos perceber que a criança revela competência na utilização de ferramentas, de equipamentos, de processos e de técnicas relacionadas com as diferentes manifestações artísticas, mostrando respeito pelo outro e por si mesma quando está receptiva à inovação, à reflexão e à abertura a novas ideias pois, através das experiências plásticas, expressa as suas capacidades. Neste sentido percebemos que a literatura estética é tão importante como a literatura linguística, porque permite à criança perceber diferentes linguagens.porArteInvestigaçãoCultura VisualIntegração CurricularA arte na construção de pequenos grandes observadoresconference object